SÃO PETERSBURGO

Fotografia de Arnold Genthe, de Berlim para São Francisco, e depois Nova Iorque. “Entrou também Ana Serguêievna. Ela sentou-se na terceira fila, e quando Gurov olhou para ela, seu coração se contraiu e ele compreendeu claramente que agora não existia no mundo inteiro um ente mais próximo, mais caro e importante do que ela, perdida no meio da multidão provinciana, esta pequena mulher, sem nada de notável, com um vulgar lorgnon nas mãos, enchia agora toda a sua vida, era a sua tristeza e a sua alegria, a única felicidade que ele agora desejava para si, e ao som da péssima orquestra, dos míseros violinos provincianos, ele pensava como ela era linda. Pensava e sonhava.” Tchekov em A Senhora com o Cachorrinho. Tradução de Tatiana Belinky in “Lendo Tchekov” de Janet Malcolm. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005, p. 194.
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h07
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MONTIHOMO

De Sean Connery para Ursula Andress no set de filmagem de “007 Contra o Satânico Dr. No” (1962). “Ergueu mais uma vez os olhos para Kátia e disse: - Quando um rebanho de bisontes galopa pelos pampas, a terra treme, e nesta hora, os mustangues, assustados, escoiceiam e relincham. Tchetchevítzin sorriu tristemente e acrescentou: - E também os índios atacam os trens. Mas o pior de tudo são os mosquitos e as térmitas. - E o que é isso? - É uma espécie de formiguinhas, só que têm asas. Picam com muita força. Sabe quem sou eu? - O senhor Tchetchevítzin. - Não. Eu sou Montihomo, o Garra de Abutre, cacique dos invencíveis.” Tchekov em “Meninos”. Tradução de Tatiana Belinky in “Lendo Tchekov” de Janet Malcolm. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005, pp. 350-351.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h53
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FOGO

Gustavo Rodriguez e Natalia Gastaminza, representantes da Argentina na semifinal do 7º. Campeonato Mundial de Tango em Buenos Aires, 28 de agosto de 2009. Fotografia de Natacha Pisarenko/AP Photo. “...A curiosidade me abrasava...” Tchekov em A Senhora com o Cachorrinho. Tradução de Tatiana Belinky in “Lendo Tchekov” de Janet Malcolm. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005, p. 186.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h34
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RECORDAÇÕES

Fotografia de Roswitha Hecke, Hamburgo, Alemanha. “E as recordações se incendiavam cada vez mais.” Tchekov em A Senhora com o Cachorrinho. Tradução de Tatiana Belinky in “Lendo Tchekov” de Janet Malcolm. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005, p. 190.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h35
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MARPESSA

Marpessa em Bagueria, Sicília, Itália, 1987. Fotografia de Ferdinando Scianna. Marpessa, segundo Paul Harvey (Dicionário Oxford de Literatura Clássica, ed. Jorge Zahar, 1987, p.328), é a filha do deus fluvial Êuenos. Traz a correnteza, o fluxo e o refluxo em sua origem. Amada por Idas, Marpessa foi um dia raptada por ele em um carro alado, presente de Poseidon – de novo os mares e as marés. O casal foi perseguido por Apolo, também apaixonado por Marpessa. Ela deixava os homens loucos – não só ela. Idas, destemido, preparou-se para lutar contra Apolo, mas, para sua sorte, Zeus –naquela época havia um – decidiu interromper o que seria a morte certa de Idas e deu o direito a Marpessa, concedeu a graça, entregou o presente dela poder escolher com qual dos dois gostaria de restar. Marpessa escolheu Idas, temendo que Apolo viesse a abandoná-la, como já havia feito diversas vezes antes – Apolo era useiro e vezeiro no abandono – nunca se casou, porém engravidou muitas. Ora, Robert Graves (O Grande Livro dos Mitos Gregos, ed. Ediouro, 2008, p. 99) conta diferente. Ele traz a etimologia do nome de Marpessa: significa “a que agarra”. Sensacional! Porém, mais bonito ainda é a origem etimológica do nome da cidade de Bagueria, na Sicília. Algumas fontes a derivam do fenício “Bayharia”, que significa “zona que desce para o mar”, enquanto outras a associam ao árabe “Bãb al-Gerib”, “a Porta do Vento”. Então, se juntarmos o que está separado, Marpessa, rio, correnteza, amor, escolhas, a que agarra, para o mar, a Porta do Vento, isso resulta em Ana Serguêievna. É ela aqui, sob Marpessa. Melhor: é Marpessa de volta em Ana. A que me agarrou para sempre.
Escrito por Leonardo Ferrari às 08h30
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EXTRAORDINÁRIO

Maria Lomakina por Pop.off Sergey, Rússia, em 17 de outubro de 2009. “E esse menino trigueiro e magricela, de cabelos arrepiados e cara sardenta, parecia, aos olhos das meninas, extraordinário, fascinante. Era um herói, um homem resoluto e destemido, e rugia tão bem que, por detrás da porta fechada, podia-se pensar que era um tigre ou um leão de verdade.” Tchekov em “Meninos”. Tradução de Tatiana Belinky in “Lendo Tchekov” de Janet Malcolm. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005, p. 353.
Escrito por Leonardo Ferrari às 08h00
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