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MISSÃO CIENTÍFICA

IrenKA por Alina Lebedeva, Moscou, Rússia, em 24 de fevereiro de 2007. “Mas, agora a missão científica que se impusera, o obrigava a olhar com zelo pela rua os pés de senhoras e donzelas que chegavam a descobrir-se, fizesse bom tempo ou chovesse, sobretudo nesse caso; semelhante atividade lhe valeu muitos olhares de desgosto e não poucos de incentivo das assim observadas, “mas ele não compreendia o sentido desses olhares” (Gradiva, p. 17 [da edição brasileira, “Gradiva, uma fantasia pompeiana” de Wilhelm Jensen, Jorge Zahar ed., 1987]). O resultado desses estudos prolixos não teve outro fim senão esse: o andar de Gradiva não ocorria na realidade, o que o fazia se lamentar e o enchia de desgosto.” Sigmund Freud, El delirio y los sueños en la “Gradiva” de W. Jensen [O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen] (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1ª. reedição, 1986, p. 11. Tradução para o espanhol de José Luis Etcheverry.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h11
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DEMONSTRAÇÃO

Lauren Santo Dominigo com sandálias Balenciaga, coleção 2009. Fotografia de Tommy Ton in Jak & Jil blog, em 1/12/2008. “Assim, ela lhe pede que esclareça o que disse no dia anterior, quando esteve junto dela, na hora de dormir. Desse modo, ela se inteira do sonho em que foi sepultada com sua cidade natal, e logo fica sabendo do baixo-relevo e da posição do pé que tanto atraiu o arqueólogo. Agora ela também consente em fazer uma demonstração de seu caminhar, o que permite comprovar uma única diferença à respeito da Gradiva original: a substituição das sandálias por um calçado claro, cor de areia e de fino couro; ela explica isso como uma adequação ao presente.” Sigmund Freud, El delirio y los sueños en la “Gradiva” de W. Jensen [O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen] (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1ª. reedição, 1986, p. 18. Tradução para o espanhol de José Luis Etcheverry.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h18
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SONHOS

Drucilla Strain, Ziegfeld girl, por Alfred Cheney Johnston, c. 1929, da coleção Alfred Cheney Johnston na biblioteca U.S. Library of Congress. “Será que tentaremos interpretar também a esse sonho, ou seja, substituí-lo pelos pensamentos oníricos latentes de cuja desfiguração deve ter surgido? Ora, ele é tão disparatado como só se pode esperar que seja um sonho, e este absurdo dos sonhos é o principal apoio da opinião que lhes nega a qualidade de um ato psíquico de pleno direito e os faz surgirem de uma excitação, não sujeita a plano algum, dos elementos psíquicos. Podemos aplicar a este sonho a técnica regular da interpretação dos sonhos. Ela consiste em não dar bola à aparente ilação do sonho manifesto, e sim considerar separadamente cada um dos fragmentos de conteúdo e buscar para cada um deles a sua derivação nas impressões, recordações e livres ocorrências do sonhador.” Sigmund Freud, El delirio y los sueños en la “Gradiva” de W. Jensen [O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen] (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1ª. reedição, 1986, p. 61. Tradução para o espanhol de José Luis Etcheverry.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h07
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AS LUZES DE VIENA

“Vienna Lights” de Mick Payton, Reino Unido. “Por fim, se a fantasia de Hanold coloca Gradiva em Pompéia não é porque, como crê ele, “assim o exige seu ar meigo e sereno”, senão porque não acha dentro de algo que tenha relação com sua ciência arqueológica, nenhuma analogia melhor com aquele seu singular estado em que por uma obscura observação percebe vagamente as lembranças de sua amizade infantil.” Sigmund Freud, O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. V. Rio de Janeiro: Delta, 1958, p. 54. Tradução de Odilon Gallotti.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h37
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DE REPENTE

Catherine McNeil por Greg Kadel in Numéro 90, fevereiro de 2008. “Enquanto assim anima o passado com sua fantasia, vê de repente a inconfundível Gradiva do baixo-relevo; com seu andar apressado e gracioso, caminha pelas pedras de lava da calçada para cruzar até o outro lado da rua, tal como no sonho daquela noite, quando ela se recostou como se fosse dormir sobre as grades do templo de Apolo.” Sigmund Freud, El delirio y los sueños en la “Gradiva” de W. Jensen [O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen] (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1ª. reedição, 1986, p. 15. Tradução para o espanhol de José Luis Etcheverry.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h36
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NOME

Obra de Alicia Bock, Lansing, Michigan, Estados Unidos. “Prosseguindo em suas imaginações, Hanold dá à jovem da escultura o nome de “Gradiva”, formando-o à semelhança do nome que designava o deus da guerra dirigindo-se para combate – Mars Gradivus -, e pouco a pouco a vai dotando de uma personalidade particularizada.” Sigmund Freud, O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. V. Rio de Janeiro: Delta, 1958, p. 52. Tradução de Odilon Gallotti.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h38
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DESABROCHAR

Marion Cotillard por Bruno Dayan in Madame Figaro, França, fevereiro de 2009. “Nosso procedimento consiste na observação consciente dos processos psíquicos anormais em outras pessoas a fim de poder agrupá-los e formular suas leis. O escritor procede de outra maneira; ele dirige sua atenção para o inconsciente dentro de sua própria psique, espia as possibilidades de desenvolvimento de tais pensamentos e permite-lhes expressão artística em vez de sufocá-los mediante uma crítica consciente. Desse modo descobre em si próprio o que nós aprendemos nos outros, isto é, as leis a que tem de obedecer a atividade desse inconsciente; mas ele não precisa formular essas leis, nem sequer discerni-las com clareza, pois, devido à atitude tolerante de sua inteligência, elas estão encarnadas em suas criações. Nós sim é que realizamos isso ao fazer desabrochar essas leis na análise de suas criações, tal como fazemos nos casos das doenças reais. Assim, essa conclusão parece inevitável: ou ambos, o escritor e o médico, incorremos em igual mal-entendido sobre o inconsciente, ou ambos o compreendemos muito bem.” Sigmund Freud, El delirio y los sueños en la “Gradiva” de W. Jensen [O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen] (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1ª. reedição, 1986, p. 76. Tradução para o espanhol de José Luis Etcheverry.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h23
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