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MEIO

“Chocolate” de Grzegorz Minda, Faroe Islands, in British Virgin Islands, em 6 de junho de 2008. “O nosso escritor omitiu as causas que motivam o recalque da vida amorosa em seu herói, pois a contínua absorção deste pela ciência é apenas o meio de que se serve o recalque para conseguir seus fins.” Sigmund Freud, El delirio y los sueños en la “Gradiva” de W. Jensen [O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen] (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1ª. reedição, 1986, p. 42. Tradução para o espanhol de José Luis Etcheverry. A frase final se encontra na tradução de Odilon Gallotti, p. 52.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h11
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TRAMA

Sigute Krilaviciute, modelo da Elite/Paris por Felix Lammers no ensaio “Nude meets Russia” em revista alemã não identificada (Vogue?). O vestido é Roberto Cavalli, Itália. “Esse sonho não se explica, pois, por si mesmo, e teremos que decidir-nos a recorrer à nossa Interpretação dos Sonhos e aplicar, ao que agora nos ocupa, as regras que nesta obra se prescrevem para achar o sentido dos fenômenos oníricos. Uma dessas regras é a de que todo sonho se acha preso [“se trama”, na tradução de José Luis Etcheverry, p.48] às atividades que o indivíduo exerceu durante o dia imediatamente anterior. O novelista parece indicar que seguiu essa norma ao relacinar diretamente o sonho com as investigações de Hanold sobre o andar feminino. Mas tais investigações não significam no fundo outra coisa senão a procura da Gradiva, que ele reconhecerá pelo seu passo característico. Desse modo, o sonho conteria uma indicação do lugar em que Norberto poderá encontrar sua Gradiva. E, em realidade, contém essa indicação, pois ela se mostra a ele em Pompéia. Mas isso não é novidade para nós.” Sigmund Freud, O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. V. Rio de Janeiro: Delta, 1958, pp. 60-61. Tradução de Odilon Gallotti.
Escrito por Leonardo Ferrari às 08h12
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APETITE ERÓTICO

“Beautiful feeling” por J. Borodina (Eliara), Moscou, Rússia, em 4 de fevereiro de 2008. “Constatamos que a conversa de Gradiva e a sutil solicitação amorosa dela “pela flor” {“durch die Blume”; também “metafórico”} provocaram importantes modificações em Hanold. Nele já despertaram traços de concupiscência masculina, componentes da libido, mas que ainda não podem deixar de se disfarçar mediante pretextos conscientes. Porém o problema da “contextura corporal” de Gradiva, que o persegue todo esse dia, não pode negar sua procedência do apetite erótico de saber que a criança dirige ao corpo da mulher, e isso por mais que pretenda adotar aqui a roupagem científica através da insistência consciente na curiosa oscilação de Gradiva entre a vida e a morte.” Sigmund Freud, El delirio y los sueños en la “Gradiva” de W. Jensen [O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen] (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1ª. reedição, 1986, p. 66. Tradução para o espanhol de José Luis Etcheverry.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h57
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IGNORANTE

Monica Vitti por Michelangelo Antonioni in L’Avventura (1960) . Cartaz da 62ª. edição do Festival de Cinema de Cannes 2009, criado por Annick Durban. “Ainda, depois, quando dessas imaginações surge pela primeira vez um impulso à ação, isto é, quando o arqueólogo obsedado pelo problema de saber se aquele andar gracioso pode ou não encontrar-se na realidade, começa a observar as mulheres que encontra em seu caminho, olhando com toda a atenção o movimento dos pés femininos; ainda – repetimos – essa atividade permanece encoberta por motivos nele conscientes, como se todo o seu interesse pela figura estatuária de Gradiva se baseasse em seus estudos profissionais de arqueologia. Claro é que as mulheres que se cruzam com ele na rua e que ele toma como objetos de investigação não podem deixar de interpretar de maneira muito diferente, como grosseiramente erótico, o seu singular procedimento, e nós não podemos deixar de conceder-lhes razão. Mas para nós não há dúvida de que Hanold ignora tão absolutamente os motivos de sua investigação como a origem de suas fantasias sobre a Gradiva.” Sigmund Freud, O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. V. Rio de Janeiro: Delta, 1958, p. 53. Tradução de Odilon Gallotti.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h34
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OFERTA

Fotografia de Jeline Anatoly, Tallin, Estônia, em 10 de maio de 2009. “Ao girar por um dos quatro ângulos do pórtico rodeado de colunas, retrocedeu, assustado. Sobre um fragmento da parede ruída estava sentada uma das moças que haviam encontrado a morte na Villa de Diomedes. Mas foi um último intento, em seguida rechaçado, de refugiar-se no reino do delírio; não, essa era Gradiva, evidentemente vinda para oferecer-lhe a última parte de seu tratamento.” Sigmund Freud, El delirio y los sueños en la “Gradiva” de W. Jensen [O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen] (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1ª. reedição, 1986, p. 25. Tradução para o espanhol de José Luis Etcheverry.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h38
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COMUNICAÇÃO

Fotografia de Emmanuel Orain, França. “Todavia, repetimos, o descobrimento de Hanold nos é comunicado pelo sonho, em sua totalidade. Mas está tão habilmente oculto, que necessariamente passa despercebido, pois se esconde atrás de um jogo de palavras ou de um equívoco.” Sigmund Freud, O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. V. Rio de Janeiro: Delta, 1958, p. 85. Tradução de Odilon Gallotti.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h48
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FANTASMA

Fotografia de Baudouin de Rochebrune, Montauroux, departamento do Var, região da Provença-Alpes-Côte d’Azur, França. “Norberto fala-lhe de seu sonho, do baixo-relevo com a figura de Gradiva e do singularíssimo modo de andar que é igual ao dela. Zoé aceita o papel de fantasma ao meio-dia, que compreende ser o que o delírio de Hanold lhe atribui, e, usando frases de duplo sentido, mostra discretamente ao jovem a situação com referência a ela, aceitando de suas mãos a flor funerária que ele apanhou sem intenção consciente, e exprimindo seu sentimento melancólico por não serem rosas o que Hanold lhe oferece, como o faria a uma mulher viva.” Sigmund Freud, O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. V. Rio de Janeiro: Delta, 1958, p. 73. Tradução de Odilon Gallotti.
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h37
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