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A DIREÇÃO DA CURA

Madame Bink por Scott Nichol in "Geology Tour Road".
“O processo da cura se conclui numa recidiva do amor, se reunirmos debaixo desse nome de “amor” a todos os múltiplos componentes da pulsão sexual, e essa recidiva é indispensável, pois os sintomas por causa dos quais se empreendeu o tratamento, não passam de restos de lutas anteriores pelo recalcamento e pelo retorno do recalcado à consciência, e só podem ser solucionados e removidos mediante um novo recrudescimento dessas mesmas paixões. Todo tratamento psicanalítico é uma tentativa de pôr em liberdade um amor recalcado que encontrou no sintoma uma lamentável escapatória de compromisso.”
Sigmund Freud, El delirio y los sueños en la “Gradiva” de W. Jensen [O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen] (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1ª. reedição, 1986, p. 74. Tradução para o espanhol de José Luis Etcheverry.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h17
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SAUDADE

Fotografia de David L. Le Beck em 2007. “Hanold, que segundo a queixa da jovem, possuía o dom da “alucinação negativa”, ou seja a arte de não ver nem reconhecer as pessoas que estavam diante dele, teve forçosamente desde o começo a notícia inconsciente de todas essas circunstâncias, que nós só averiguamos depois. Os sinais de proximidade de Zoé, ou seja sua aparição pela rua e o canto de seu pássaro, tão próximo da janela dele, reforçam o efeito do sonho de Hanold, o qual, ante essa situação tão perigosa para sua resistência contra o erotismo... empreende a fuga. A viagem surge, então, de uma reanimação da resistência contra o avanço da saudade erótica do sonho, e a uma tentativa de fuga da amada corpórea e presente. Praticamente, significa uma vitória do recalque, que, desta vez, predomina no delírio, como antes predominava o erotismo na atividade investigadora de Hanold sobre o andar feminino. Mas, através de todas essas mudanças da sorte no combate, a natureza do compromisso fica preservada, aconteça o que acontecer no final da luta; a viagem à Pompéia, destinada a afastá-lo da Zoé viva, o conduz pelo menos para sua substituta, Gradiva.” Sigmund Freud, El delirio y los sueños en la “Gradiva” de W. Jensen [O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen] (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1ª. reedição, 1986, p. 56. Tradução para o espanhol de José Luis Etcheverry.
Escrito por Leonardo Ferrari às 08h47
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GRAÇA

René Magritte e sua obra “L’Evidence Eternelle” (1930) [A Evidência Eterna] em 1938. “É um triunfo da graça [Witz] o de poder representar o delírio e a verdade em uma mesma forma expressiva.” Sigmund Freud, El delirio y los sueños en la “Gradiva” de W. Jensen [O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen] (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1ª. reedição, 1986, p. 70. Tradução para o espanhol de José Luis Etcheverry.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h13
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METAMORFOSE

“Mosh IV”. Miss-Mosh por Marcus J. Ranum in 25 de abril de 2008. “Só em casos muito raros um sonho é a exposição ou, como poderíamos dizer, a encenação de uma idéia única. A maior parte deles expõem uma série inteira delas em complicado enredo. Desse modo podemos extrair ainda do sonho de Hanold outro dos componentes do seu conteúdo facilmente reconhecível através de sua desfiguração, e que, portanto, nos revela a idéia latente, que ele representa. Um fragmento do sonho que reflete fielmente a realidade é o seguinte: Gradiva, antes de ser sepultada sob a chuva de cinzas, vai-se convertendo pouco a pouco em estátua, ante os olhos de Hanold – metamorfose que não é senão uma exposição significativa e literária do processo verdadeiro. Hanold havia transferido o seu interesse da mulher viva para a estátua, isto é, a mulher amada se convertera para ele na figura pétrea de um baixo-relevo. As idéias latentes dese fragmento do sonho, que tem que permanecer inconscientes, desejam realizar a transformação inversa desta figura na mulher viva, e sua significação será aproximadamente esta: “Se te interessas pelo baixo-relevo da Gradiva, é só porque ele te recorda Zoé, presente e viva em tua própria cidade”. Mas, se essa idéia se tornasse consciente, esse fato acabaria com o delírio.” Sigmund Freud, O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. V. Rio de Janeiro: Delta, 1958, p. 63. Tradução de Odilon Gallotti.
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h11
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PENSAMENTO INCONSCIENTE

Alessia Marcuzzi por Andreas H. Bitesnich. “Assim, pois, teríamos conseguido chegar também à interpretação desse segundo sonho. Ambos se tornaram acessíveis à nossa compreensão, partindo-se da hipótese de que o indivíduo sabe, em seu pensamento inconsciente, tudo o que ignora, no pensamento consciente, e julga com acerto no primeiro o que no segundo erra delirantemente.” Sigmund Freud, O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. V. Rio de Janeiro: Delta, 1958, pp. 87-88. Tradução de Odilon Gallotti.
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h13
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RAMIFICAÇÕES

Desenho de Jean-Jacques Sempé para a capa da The New Yorker de 6/1/2003. “Recordemos tudo sobre a natureza e a origem das fantasias, como precursoras do delírio, dissemos até aqui, ou seja, que são substituições e ramificações de lembranças recalcadas que uma resistência impediu de chegarem intactas à consciência, mas que conseguem chegar a ela através de um acerto de contas com essa censura da resistência mediante modificações e deformações que as tornam irreconhecíveis. Uma vez efetuado esse compromisso, essas lembranças se convertem em fantasias, sobre as quais o indivíduo consciente incorre com facilidade em um mal-entendido, deixando-se levar pelo sentido da corrente psíquica dominante.” Sigmund Freud, El delirio y los sueños en la “Gradiva” de W. Jensen [O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen] (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. IX. Buenos Aires: Amorrortu, 1ª. reedição, 1986, pp. 49. Tradução para o espanhol de José Luis Etcheverry.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h54
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VAGUEAR

“портрет девушки” [“Retrato de uma Mulher”], da série “Pottering Away” [“Vagueando”] do fotógrafo russo Михаил Макаренков in Россия [Rússia], 14 de dezembro de 2008. “Além disso, nesse caso o acaso adquire um belo sentido literário não muito afastado do real, pois reflete aquela fatalidade singular, porém frequente na vida humana, que converte nossa fuga no meio mais seguro de tropeçar naquilo que desejávamos evitar.” Sigmund Freud, O Delírio e os Sonhos na “Gradiva” de W. Jensen (1907) in Obras Completas de Sigmund Freud – v. V. Rio de Janeiro: Delta, 1958, p. 44. Tradução de Odilon Gallotti.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h40
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