|
|
A QUESTÃO DE ARLEQUIM

Etroubles, Vale de Aosta, Itália, carnaval de 1971. Fotografia de Ferdinando Scianna, Magnum Photos. De Arlequim para Colombina (meu Arlequim lê Barthes): “Dizem-me: essa forma de amor não é viável. Mas como avaliar a viabilidade? Por que razão ser viável é um Bem? Por que razão durar é melhor que arder?” Roland Barthes in Fragmentos de um Discurso Amoroso. Lisboa: Edições 70, 1998, p. 30. Mais: e quando o que arde perdura?
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h52
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
COLOMBINA LOCALIZADA

Colombina à esquerda de quem olha, na foto. A dos cachinhos dourados. Fonte: primeira página do Meia Hora, Rio de Janeiro, 20/2/2009. Nesta jaula em que há leoa, há tigresa, há onça e há pantera, haverá Colombina. Ela cansou de esperar Arlequim e está uma fera. Foi vista no barracão da Vila Isabel a cantar “Tá Faltando Homem No Mundo Para Namorar”. Arlequim está désolé.
Escrito por Leonardo Ferrari às 10h31
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
ARLEQUIM ESTÁ CHORANDO

Fotografia de Noah Kalina, Brooklyn, Nova Iorque.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h13
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
MAIS DE MIL PALHAÇOS NO SALÃO

Fotografia de Paolo Pellegrin, Magnum Photos, em Marechiaro, Nápoles, Itália, 2000. Vou beijar-te agora.
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
PRETA

A passista Preta, da Império Serrano, no Ziriguidum do feijão do Caesar Park, Rio de Janeiro. Fotografia de Sebastião Marinho para a coluna de Hildegard Angel in Jornal do Brasil, 17/2/2009. Hildegard Angel, magnífica como sempre, colocou a Preta em página inteira. Agradeço ao meu filho Bernardo a proeza de ter conseguido trazer a Preta para a página deste blog. Preta é passista. Ela passa por aí, de passo em passo, e, nesses momentos em que a matemática do samba se impõe, um dois três, um dois três, Preta desconcerta, Preta refaz o cálculo do seu jeito tão lindo. Como é bonita a Preta. Há tanta delicadeza nessa mulher, há tanta leveza na dança da Preta que ela consegue transformar o passo de andar em um passo geográfico, em um desfiladeiro, brecha, estreito, quebrada. Como a Preta é bonita. Há tanta cultura nessa mulher, há tanta história em cada gesto de Preta. Preta me lembra, Preta me leva, Preta fica comigo, Preta abre as alas com seu passear, passo por passo, como é bonito o seu caminhar. Preta é Gradiva, Preta é Helena, Preta continua comendo a maçã - dengosa. Preta me desvia, Preta me desencaminha, Preta é o sublime no chão da avenida, Preta é a epifania de cada dia. O passo de Preta faz cordão, ele ata, ele une, ele puxa, ele erra. Preta, como você é bonita. Eu quero matar a saudade. Não me leve a mal. Com você, a vida é carnaval.
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h04
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
ALEGRIAS

Isabel Bayón em “La Puerta Abierta” no Festival do Flamenco do Skirball Center for the Performing Arts na Universidade de Nova Iorque. Fotografia de Andrea Mohin in The New York Times, 16/2/2009. Isabel em La Puerta Abierta é uma cigana que afirma todas as passagens, baila nessa mourisca difícil, singra por essa amplitude como se fosse ela a encarnação dessa porta que se move sem mais dobradiças, uma porta-ponte que transporta, que medeia a diferença, que faz às vezes de tradutora dessa língua tão sublime chamada desejo. Isabel abre e se abre, ela se entrega nessa fenda tão linda, o espaço de todo começo. Isabel fissurada por essa fresta, abierta, então ela passa, ela vai por ela – sabe não ser dona da puerta. Lá vai essa desimpedida, pela greta, lá vai Isabel com seus pés e mãos e rosto e sexo, lá vai essa mulher por essa brecha fazendo dela morada, casa deslizante, prelúdio e conclusão – lidar com a falta do que não há. Aberta.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h54
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
AS LINHAS E AS FORMAS

“Reclining Woman in Fur Trimmed Robe”, 1927 de Jules Pascin (1885-1930). “O desenho é a probidade da arte. Desenhar não equivale a simplesmente reproduzir alguns contornos; o desenho não consiste simplesmente em um traço: o desenho, ao contrário, é a expressão, é a forma interior, é o plano, é o modelado. Já me dirás o que fica fora disso! O desenho compreende três quartos e meio do que constitui uma pintura. Se eu tivesse que colocar um aviso em cima de minha porta, escreveria: “Escola de desenho”, e estou certo de que formaria pintores. O desenho compreende tudo, ele é a exceção da tinta. Quanto mais simples são as linhas e as formas, mais beleza e mais força têm. Para construir uma figura, não procedas por partes. Faça tudo de uma vez e desenhe “o conjunto”, como se costuma dizer. Nós não trabalhamos materialmente como os escultores, mas devemos fazer pintura escultórica.” Jean-Auguste- Dominique Ingres (1780-1867) in La pintura, Página 12, 16/2/2009.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h49
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
AQUELA LUZ

Fotografia de Elliott Erwitt, Califórnia, 1955 – Magnum Photos. Esse é o nosso terraço à beira-mar, esse é o nosso sol que não vai caindo, esse é o seu olhar que acompanha a cor do mar e você nunca mais irá embora, a tarde sairá do tempo e as cores ficarão assim, não escurecerá. Nosso beijo é para sempre.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 |
| [ ver mensagens anteriores ] |