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REVOLUÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS
Fonte: The New York Times Magazine, 25/1/2009.
A eleição de Barack Obama está mexendo com os Estados Unidos. Não é sempre que aparece por lá um presidente que trepe. O antecessor mais ilustre foi Bill Clinton, não por acaso de novo presente agora neste governo. O tema lhe interessa!!
Pois bem, eis que a revista dominical do The New York Times que, diga-se de passagem nunca foi conservadora ou pudica, mas que também não traz de praxe a sexualidade em destaque, vem amanhã nas bancas com essa questão formidável: o que querem as mulheres?
O autor do artigo, Daniel Bergner, segue o roteiro-padrão desse tipo de reportagem, iniciando pela grande bobagem de que "nem Freud poderia imaginar o que se está descobrindo agora sobre a sexualidade feminina". É o gosto norte-americano pelo "update" ou "upgrade" - joga fora o velho. Aí, Bergner faz uma análise sobre o trabalho da psicóloga Meredith Chivers, da Universidade Queen, em Kingston, Ontário, sobre a sexualidade feminina. Chivers tem feito estudos sobre o que excita uma mulher. Em um documentário chamado "Bi the Way", apresentado no festival de cinema de Nova Iorque, ela declara que para as mulheres heterossexuais, olhar para um homem nu caminhando na praia é tão excitante como ver uma paisagem, ou seja, a tesão feminina não é fixa, não é baseada em um padrão genético pré-fixado ou único - são muitas as conclusões de Chivers, mas fui ficando com sono ao longo do artigo. Curioso é que Freud descobriu isso em 1915 em seu magnífico estudo sobre a pulsão. Porém, como a metodologia de Freud não permite "laboratórios", "experimentos", "testes", "macacos", "coelhos" e "rinocerontes" - é uma metodologia que privilegia a escuta de humanos - então, não dá capa de revista. Na reportagem de Bergner, é grande o espaço para os testes de Chivers mostrando filmes de macacos bonobos em atividades sexuais para um público masculino, feminino e homossexual, e depois a "medida" da excitação através de um "aparelho" chamado "plethysmograph" - é impressionante o fascínio da mídia pela psicologia experimental! Mais impressionante é o amor da psicologia experimental pelos bichos - mas isso é tema para outro artigo. Soon!
Enfim, que bom que essa questão seja debatida novamente. Só por isso já valeu a pena a eleição de Barack Obama! O retorno de Monica Lewinsky promete!!
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h28
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MAIS
Karen Thompson, Playmate do mês de agosto de 1961 in Playboy.
A presença de bichos é uma constante nos pôsteres das Playmates. Há tigres de pelúcia, há cavalos de brinquedo, há papagaios, há peles de animais selvagens, há chifres, há um lindo peixinho em um aquário, há ursos de pelúcia, há gatos e cachorros de verdade e até um pato de plástico magnífico. Agora, um dos mais sugestivos é esse pássaro na gaiola acompanhado, parece, de outros empalhados. Ou talvez existam três pássaros aí. De qualquer modo, Karen reina sobre eles. É ela quem detém o poder de abrir ou não a gaiola, deixar ou não o pássaro voar. No entanto, ela olha para outro lugar. É como se isso não a preocupasse tanto. É como se, uma vez tendo apreendido o pássaro, agora ela quer outra coisa...mais. Modo gentil de dizer aos homens que uma mulher mesmo quando tem um pássaro na mão, não é toda. É isso que os patos teimam em não entender.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h57
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PESQUISA
Gloria Root, raiz, glória...Playmate do mês, Playboy, dezembro de 1969.
Os leitores deste blog já descobriram minha paixão pelo Snoopy. Após intensa, cansativa e aplicada pesquisa, descobri a presença dele em um único poster da Playboy! Foram horas e horas de cuidadosa observação, checagem e retorno para sanar algumas dúvidas. Sensacional! Epifânico!!
Escrito por Leonardo Ferrari às 19h05
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ESPERANÇA
Fonte: The Economist, 21/1/2009.
A indispensável The Economist aliou-se à Universidade de Virgínia para brindar a seus leitores com um belíssimo gráfico, especialidade da revista, comparando os discursos de posse dos presidentes dos Estados Unidos em relação ao uso das palavras "esperança" e "mudança". É claro que o novo presidente, Barack Obama, já na campanha eleitoral demonstrou o quanto deve a elas o sucesso eleitoral que teve - por exemplo, segundo esta pesquisa, ele disse "esperança" quase 450 vezes contra as 175 vezes de John McCain. De qualquer modo, se essas palavras são "poesia" e chegou a hora da "prosa", como disse minha querida candidata Hillary Clinton, Thomas Friedman do The New York Times cita o professor Michael J. Sandel, cientista político da Universidade de Harvard, que diz algo muito interessante sobre isso:
"O sistema é construído para o impasse. Em tempos comuns, a energia e o dinamismo da vida americana residem na economia e na sociedade, e as pessoas vêem o governo com suspeita e indiferença. Mas em tempos de crise nacional, os americanos olham para o governo em busca da solução para os problemas fundamentais que os afetam diretamente. Esses são tempos em que os presidentes podem fazer grandes coisas (...)" (fonte: Thomas Frieman in Radical na Casa Branca, The New York Times in UOL, 21/1/2009, tradução de George El Khouri Andolfato).
Janio de Freitas lembrava na Folha de domingo o seguinte:
"Uma verdade universal e imutável da política: só se conhecem os governantes quando governam. Nesse sentido, Kennedy é uma lembrança talvez útil neste momento. Não por sua tragédia, já muito evocada a propósito de um presidente negro. Mas pela grande semelhança entre as expectativas exuberantes que cercaram a figura e o então futuro governo de Kennedy e, agora, cercam Obama. Kennedy foi o presidente que deu a partida à terrível Guerra do Vietnã, que autorizou a invasão de Cuba e abandonou os invasores cercados para não se comprometer; que autorizou os preparativos para a derrubada de João Goulart, que lançou várias "operações" na África e na América Latina, e por aí foi." (Fonte: Janio de Freitas in Folha de São Paulo, 18/1/2009).
É a diferença entre retórica e ética.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h00
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SUBLIME
Fonte: Charles M. Schulz in O Estado de São Paulo, 12/1/2009.
Escrito por Leonardo Ferrari às 08h18
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A PROMESSA

Fotografia de Samantha Appleton in The New Yorker. Eleitores de Barack Obama em um comício durante a campanha, na Universidade Georgia Tech em Atlanta.
É isso o nome-do-pai em psicanálise. É aquilo que permite a um sujeito olhar em outra direção que não o seu umbigo, é o que possibilita um caminhar por aí, à deriva, aos tropeços, correndo, levantando, mancando, à procura de, ao encontro da e, de desencontro em desencontro, fazer o que se chama vida.
É sobre isso o belíssimo artigo do indispensável Roger Cohen do The New York Times na edição eletrônica da Folha de São Paulo de hoje. A política é um dos nomes do nome-do-pai. Alguns trechos:
"Quando Barack Hussein Obama assumir o cargo de 44º. presidente dos EUA -e seu primeiro líder afro-americano- já terá conquistado algo notável: a restauração do mito americano da possibilidade. Em uma época sombria, com o lustro dos EUA atenuado e o país enfrentando a pior crise econômica desde a década de 1930, esse simbolismo é tão importante quanto o aumento do desemprego e as duas guerras que confrontam Obama. Com seu pai queniano, sua mãe americana e seu avô muçulmano, Obama fala para um mundo em fluxo. Da Malásia ao México, ele parece familiar. Parece mais o sujeito da lojinha da esquina do que os caras nas notas de dólares. Sua ascensão declara para todos que ainda não há limite para o que se pode alcançar nos EUA. Isso é importante porque as esperanças globais ainda estão voltadas à ideia americana. China e Índia podem estar em alta, mas sua ascensão não é provocada por uma nova mensagem magnética. A esperança nos EUA não é ilógica. O país é uma potência transformacional ou é nada. Como observou Richard Hofstadter, "tem sido nosso destino como nação não ter uma ideologia, mas ser uma". Para mim, os EUA em seu melhor aspecto são a superação da história, o deixar para trás guerras e barreiras, em direção a um futuro livre da cruel espiral da memória que repetidamente mergulha o Oriente Médio em guerras de retribuição. É a absorção de uma identidade em algo maior -a ideia, como colocou Obama, de que "feitos de muitos, somos na verdade um". É um lugar melhor do que a terra de sombras do presidente George W. Bush, onde um líder depositário das esperanças do mundo não consegue encontrar em seu interior uma única frase para levantar o espírito.(...) Diante de tudo isso, Obama terá de fazer mais do que expor novas ideias. No início de seu mandato, ele terá de apresentar, aos americanos e ao mundo, um novo paradigma, algo que vá além da guerra ao terror e atraia os parceiros de uma América reimaginada, menos poderosa mas ainda indispensável, a um esforço comum para a maior prosperidade e segurança. Ele poderá chamar o discurso de "A promessa do século 21". Está mais que na hora de um novo começo."
Fonte: Roger Cohen, The New York Times in edição eletrônica da Folha de São Paulo, 19/1/2009.
Escrito por Leonardo Ferrari às 09h07
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O ESTADISTA
Patrick Chappatte in NZZ am Sonntag, Neue Zürcher Zeitung, Zurique, 18/1/2009.
"Fracassos: Bin Laden, Iraque, Afeganistão, o resto do mundo, tortura, economia, meio-ambiente.
Sucessos: ter desviado do sapato".
Coube aos geniais Patrick Chappatte e Clay Bennett fazerem as devidas despedidas. Estão de bom tamanho!

Clay Bennett in Chattanooga Times Free Press, 18/1/2009.
"É claro que eu também cometi dois erros [política interna e política externa]".
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h23
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ISRAEL DE PÉ
Anúncio de uma associação israelense pelos direitos civis na página de obituários do jornal Haaretz de Israel. São as crianças mortas em Gaza, entre 4 e 10 anos de idade, e, no centro, em vermelho, a palavra "Pare".
Fonte: Corriere della Sera, 17/1/2009.
Eis aqui um belíssimo retrato de Israel. Em meio a uma guerra totalmente equivocada e conduzida pelo governo imbecil do primeiro-ministro Ehud Olmert, patético líder que anteontem culpou as armas por caírem nos lugares errados, do qual fazem parte os dois outros candidatos a primeiro-ministro nas próximas eleições, a deprimente ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni, autora da mais lamentável declaração sobre essa guerra, ou seja, a de que "não há crise humanitária em Gaza" e do irresponsável ministro da Defesa, Ehud Barak , coordenador da matança indiscriminada de civis palestinos por parte da máquina militar israelense, pois bem, em meio a isso, saiu essa semana no jornal Haaretz um anúncio de uma associação israelense pelos direitos civis pedindo o fim da guerra. Magnífico! Eu queria ver isso acontecer na Palestina, uma associação de direitos civis publicar um anúncio desses com as vítimas israelenses dos foguetes criminosos jogados contra as cidades israelenses por esse grupelho fascista e terrorista chamado Hamas que não só matam, como também aterrorizam para sempre a vida de toda uma comunidade. Eu queria ver isso publicado em um jornal do Irã, do Egito, da Síria, da Arábia Saudita, enfim, quem se habilita? Esse é a melhor demonstração do que significa uma sociedade aberta, democrática, ainda que capenga, mas em que ainda é possível o protesto e a luta contra a estupidez de um governo prepotente e tolo.
É verdade que na mesma semana que esse anúncio foi publicado, em Jerusalém Oriental e em dezenas de aldeias espalhadas por Israel, uma guerra silenciosa vem sendo travada entre os cerca de 1,4 milhões de árabes com cidadania israelense e a polícia. Em várias cidades, como Sahnin, dezenas de pessoas foram presas por participarem de manifestações contra a guerra.De acordo com a ONG Adallah, que representa os direitos da minoria árabe em Israel (25% da população), pelo menos 741 pessoas foram detidas pela polícia de Israel somente na semana passada, sendo que 244 eram menores de idade (fonte: Renata Malkes in O Globo, 18/1/2009). É a face truculenta interna desse desgoverno do Sr. Olmert. Basta! Israel não merece isso.
Escrito por Leonardo Ferrari às 08h22
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