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EXTRAORDINÁRIO

Aderbal Freire-Filho, Domingos Oliveira e Paulo José em uma cena de “Juventude”, exibido ontem no Festival de Cinema de Gramado, Rio Grande do Sul.
“O cinema de Domingos é movido por sua compaixão pelo ser humano. Seus filmes nos mostram que o amor não foi feito para deixar os homens felizes, ele foi feito para nos deixar vivos, mesmo quando sofremos.”
Paulo José a Rodrigo Fonseca in O Globo, 16/8/2008.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h48
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MEU REINO POR UMA ESTÁTUA

A estátua intacta, incólume, imaculada. Fotografia Getty Images in Der Spiegel, 13/8/2008.
A notícia chegou ontem de Mattihas Gebauer, correspondente da Der Spiegel em Gori, na Geórgia (fonte: UOL). A praça do mercado em Gori parece uma cidade fantasma. E, no entanto, contudo, porém, a estátua de prata de Stálin no centro da praça brilha intacta à luz do sol – Gori é a cidade natal do fascínora. Nenhum arranhão, nenhum estilhaço sequer, nem poeira atingiu a estátua. Não é simbólico isso?
Tudo ao redor foi atingido. Há prédios destruídos, há pedaços de tijolo para tudo que é lado, há confusão em toda a cidade, menos lá. A estátua de Stálin brilha como nova, até parece que foi lustrada, lavada e enxugada de novo. Impressionante.
No ótimo obituário escrito na Veja sobre Alexander Soljenitsin, há um trecho que diz o seguinte:
“O comunismo vivia então um período de distensão, sob a guarda do premiê Nikita Kruchev, famoso por seu discurso de denúncia dos crimes do antecessor, Joseph Stalin, morto em 1953. Foi graças a esse relaxamento do aparato policial que Soljenitsin pôde publicar, em 1962, a novela Um Dia na Vida de Ivan Denissovich, relato cru do cotidiano de um prisioneiro do Gulag. Kruchev lera a novela e recomendara pessoalmente a sua liberação à cúpula comunista. "Existe um stalinista dentro de cada um de nós. É preciso extrair esse mal", argumentou.” (fonte: Veja, 9/8/2008).
Ora, parece que o espírito de Kruchev não existe mais na Rússia. Roberto Godoy escreveu ontem no Estado de São Paulo sobre a “doutrina Putin” do uso da força: tropas de elite, equipamento de alta tecnologia, trabalho intenso da inteligência e superioridade numérica – nunca inferior a 35 por 1. (fonte: Roberto Godoy in O Estado de São Paulo, 14/8/2008).
Glosando Godoy, eu acrescento que o símbolo dessa tropa de elite, toda essa alta tecnologia, esse imenso trabalho de inteligência e essa atordoante superioridade numérica giram em torno da manutenção dessa estátua na praça central de Gori. Eis aí o ideal do eu de Putin, eis aquilo que não deve ser danificado, aquilo que deve ser restituído, aquilo que deve viver. O resto pode ser aniquilado.

Gori sob ataques aéreos russos no sábado, 9/8/2008. Foto de Wojtek Grzedzinski/Napo Images in The New York Times.
Escrito por Leonardo Ferrari às 09h39
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LUTO

“Tamar Enukidze, 29 anos e grávida [de três meses], com o corpo de seu marido [Mamuka Katsadze, 42 anos], mortalmente ferido no domingo por bombas russas em Poti, Geórgia”
Reportagem de Andrew E. Kramer e Ellen Barry e fotografia de Joseph Sywenkyj in The New York Times, 13/8/2008.
A notícia diz que os russos iniciaram a retirada. Mas, para Tamar Enukidze, quem retira a morte de seu marido? A notícia diz que há agora um acordo provisório, mas, para Tamar Enukidze, que acordo é possível com a morte? A notícia diz que a paz está próxima, mas, para Tamar Enukidze, que paz? Que proximidade? A notícia diz que já não explodem mais bombas sobre a Geórgia. Mas, para Tamar Enukidze, a única bomba que interessa já estourou. O que importa o que vai acontecer quando já aconteceu? A notícia diz que o cessar fogo está em vigor. Mas, para Tamar Enukidze, o fogo já morreu, o vigor desapareceu. A notícia diz que em breve a ajuda humanitária vai aterrisar perto dali. Mas, para Tamar Enukidze, que ajuda vai lhe trazer de volta o que perdeu para sempre? Que humanidade é essa que lhe retira seu bem maior? A notícia diz que as escolas abrirão amanhã na Geórgia. Mas, para Tamar Enukidze, nada a espera amanhã. Nem depois de amanhã. A notícia diz que os hospitais voltaram a funcionar. Para Tamar Enukidze resta o parto de uma dor viva, o trabalho de uma dor-filho, de uma dor-talvez, de uma dor-quem sabe, de uma dor-resto. Ainda.
Escrito por Leonardo Ferrari às 09h11
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LIVRE ASSOCIAÇÃO

Fonte: Clay Bennett in The Chattanooga Times Free Press, 13/8/2008.
“Menina que cantou na abertura da Olimpíada foi dublada” (fonte: BBC Brasil, 12/8/2008.)
A China de César Benjamin é linda. Pena que não tenha a mais remota ligação com a realidade. Em artigo publicado na Folha de São Paulo de sábado, Benjamin critica o lixo ideológico produzido na imprensa sobre a China. Lá no final do artigo ele afirma o seguinte:
“As civilizações ocidentais, como se sabe, só usam a violência em benefício das vítimas. Reduzimos os índios do Novo Mundo à servidão, mas foi para cristianizá-los. Escravizamos os africanos, mas foi para discipliná-los pelo trabalho. Estamos massacrando os iraquianos, mas é para ensiná-los a ser livres. Nossa próxima missão, pelo que vejo, será libertar os chineses de si mesmos. O problema é que eles são muitos. Estão cada vez mais fortes. E não desejam deixar de ser o que são. Isso nos assusta. O resto é empulhação.”
César Benjamin in Tomara que seja linda, Folha de São Paulo, 9/8/2008.
É uma bela crítica, porém será verdadeira? Quanto ao Iraque, por exemplo, eu não creio que a ditadura de Saddam Hussein fosse o paraíso antes dos diabos dos americanos lá chegarem. Quanto a libertar os chineses, Marco Aurélio na Zero Hora de hoje é brilhante. Quem é que modificou o “m” de Mao? Nós? Nem pensar. Depois da “saudosa” Revolução Cultural, tudo o que os chineses querem é...outra coisa, diferente da receita de Mao – aliás, não citado com fervor na abertura dos próprios jogos olímpicos. Simbólico, não?

Fonte: Marco Aurélio in Zero Hora, 13/8/2008.
Ontem no Globo Ali Kamel escreveu um belíssimo artigo sobre a China. Inicia assim:
“A abertura dos Jogos Olímpicos foi realmente bonita, mas eu pergunto: ninguém aí ficou com medo não? Os tambores ressoando daquela maneira, numa gesticulação que, para mim, parecia um grito de guerra, aquelal multidão em êxtase nacionalista, tudo coroado com aqueles soldados absolutamente fardados, de quepes altíssimos, luvas brancas, eretos, reverenciando a bandeira ao som do hino nacional, nada disso assustou? Em outros jogos, claro, a bandeira é hasteada por um ou dois militares, mas, pelo que revi, nunca por tantos e com aquela coreografia marcial. Fiquei com os dois pés atrás. Quem tem na memória os filmes sobre os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, com aquela grandiosidade nazista, sabe do que eu estou falando. Chico Caruso, que consegue resumir tudo, publicou, domingo, Bush e Putin conversando na cerimônia e a frase: “Com tiro na nuca, até eu”. Esse negócio de espírito olímpico não me convence. Acho um absurdo que se tenha deixado de lado a política em prol do “congraçamento” das nações promovido pelos esportes.
Que nações? Como esquecer o fato de que a China hoje é a mais rica e poderosa ditadura do mundo, que não tem o menor constrangimento de fazer as piores coisas no cenário internacional, há anos? (...)”
Fonte: Ali Kamel in Espírito Olímpico, O Globo, 12/8/2008.
Há um teste muito fácil de fazer sobre ditaduras. É o seguinte: experimente xingar, ridicularizar, satirizar, escrachar o presidente de plantão. Se você não for preso, não for torturado, não for perseguido, ganhar dinheiro com isso, então você está nos Estados Unidos da América. Eu queria ver Chomsky e Michael Moore fazerem o que fazem na Arábia Saudita, na China, na Rússia ou em Cuba, se exercessem sobre esses países a mesma crítica que exercem sobre os Estados Unidos. Jamais estariam em liberdade ou jamais ganhariam a vida –e muito bem. Em meu ofício, foi sempre motivo de grande humor receber chamadas para congressos de psicanálise em...Cuba. Ora, não existe psicanálise sob ditadura. Há um significante no método psicanalítico que causa arrepios em qualquer tirano: é o “livre” da “livre associação”. Livre associação em ditaduras? Dá cadeia.

Fonte: Chico Caruso in O Globo, 10/8/2008.
Escrito por Leonardo Ferrari às 09h22
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VELHAS FERIDAS

O presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, puxado por guarda-costas ao chão enquanto jatos russos sobrevoam a cidade de Gori, na Geórgia. Fotografia de João Silva in The New York Times, 12/8/2008.
A fotografia do presidente da Geórgia no chão, apavorado, de quatro, cercado de guarda-costas aturdidos com o barulho de um Mig russo, simboliza terrivelmente o que a grande jornalista norte-americana Ellen Barry, no The New York Times de hoje, sintetizou com a chamada de sua reportagem: “Putin Calls Shots to Salve Old Wounds” – “Putin utiliza tiros para curar velhas feridas” ou, na tradução de George El Khouri Andolfato para o UOL, “Putin cura velhas feridas com ataques à Geórgia”. Magnífica síntese. Como tratar uma ferida aberta, uma ferida dolorida, uma ferida infeccionada, uma ferida que incomoda sem parar, uma ferida velha que continua doendo?
Eis aqui o paciente mais perigoso do mundo. É aquele que não acredita na palavra, não suporta a relação terapêutica. É o paciente doente, alquebrado, gemendo de dor e que, no entanto, prefere o gozo da doença ao alívio do tratamento, prefere perder tudo no sintoma do que perder um pedaço na cura. O tiro que a Rússia deu na Geórgia não vai trazer de volta o que nunca se teve, esse “império” imaginário, “unido”, “indiviso”. É um tiro contra a palavra, contra a infecção, contra a terapia. É um tiro contra a cultura, contra a civilização, contra a humanidade. Esse tiro Freud denominou de pulsão de morte. Ela habita o coração de cada um e está sempre colocando o sujeito diante do desafio: ceder à ela e se entregar ao gozo ou lutar com palavras na construção de um limite à barbárie, chamado civilização. É de uma escolha ética que se trata.

Fonte: The New York Times, 12/8/2008.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h10
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VAZIO E PLENITUDE

Poema de Li Bo, “A Escalinata de Jade”.
Lluis Gruss escreveu no indispensável La Nacion um belíssimo artigo sobre o encontro de François Cheng com Jacques Lacan. Cheng, filólogo, poeta, ensaísta, calígrafo, tradutor, escritor e semiólogo, teve dois de seus livros traduzidos agora para o espanhol: “Vazio e Plenitude” (ed. Siruela) e “A Escrita Poética Chinesa” (ed. Pre-textos). Que encontro maravilhoso! Lacan difícil? Onde?
Esse artigo é para transformar em cartilha de alfabetização, prova de doutorado, música popular, vitrine de shopping center. A seguir um trecho memorável:
“A imersão chinesa de Lacan nada teve a ver com o exotismo que às vezes provoca no Ocidente aquele mundo distante da ikebana, do chá verde, dos dragões e flores de loto. Lacan viu uma chave para suas teorias nos estilizados ideogramas chineses. A forma gera sentidos inesperados. A forma, deve-se ressaltar mais uma vez, arrasta por acréscimo o conteúdo e não o contrário, como antes se acreditava. A poesia chinesa é essencialmente metafórica. Só assim se pode conceber, por exemplo, que a união nuvem/chuva aluda por elevação ao ato sexual ou o jade à mulher de belas formas ou que a lua cheia assinale um reencontro de amantes. Segundo o imaginário chinês estudado por Cheng, a montanha pertence ao Yang e a nuvem, ao Yin. Nesse caso, a montanha designa o homem e, a nuvem, inalcançável, a mulher. As vozes que emanam deles, então, são: “Eu viajo, mas, como a montanha, permaneço contigo” e “Estou aqui, mas, como a nuvem, meu pensamento viaja contigo”. Isso, ainda que resulte difícil de ser assimilado para o leitor ocidental, está resumido em um dístico de Wang Wei, destacada figura poética junto a Li Tai Po, durante o reinado da florescente dinastia Tang:
“O lago se transforma num instante/
A montanha verde rodeia a nuvem branca”
Lacan leu com atenção os poetas chineses e neles, através da leitura de Cheng, observou que os ideogramas geram sentido nos versos. Algo análogo acontece no divã do psicanalista. Simples sons evocam situações mais complexas que transcendem amplamente as palavras pronunciadas. Em seu livro “A Escrita Poética Chinesa”, Cheng cita o “simples” exemplo de um ideograma que, por seus componentes gráficos, suscita uma imagem poética. Na China, a expressão po-gua (literalmente, “melão partido”), designa os dezesseis anos de uma jovem desejável e em idade para o casamento. A partir de uma imagem gráfica se chega, ao final de uma cadeia significante, à idéia erótica de carne tenra (melão) e fresca, mordida sensual, etc... A partição do melão poderia ser interpretada como a perda da virgindade. Esse raro jogo de espelhos poderia ser melhor compreendido, é claro, se fosse possível ver o desenho do ideograma correspondente.
Em seu Seminário 24, Lacan diz a seus alunos: “Eu quero lhes chamar a atenção sobre isso: o psicanalista depende da leitura que faz daquilo que diz o analisante. E aquilo que escuta não pode ser tomado ao pé da letra [...]. A verdade desperta ou adormece? Eu gostaria que antes de responder, lessem a François Cheng, já que, com a ajuda do que se chama escrita poética, vocês podem ter a dimensão do que poderia ser a interpretação psicanalítica”.
Eram habituais as caminhadas e conversas entre Lacan e Cheng, que não por acaso dedica seu livro “Vazio e Plenitude”, “ao mestre Jacques Lacan”, cortesia que o psicanalista francês costumava devolver no mesmo tom. Lendo poemas chineses da Antiguidade ou analisando pinturas onde as áreas em branco eram muito evidentes, os dois pensadores conceberam a noção de vazio não como algo vago e inexistente, mas como um elemento dinâmico e ativo.
O vazio passa a ser um signo. Ele é a origem e o elemento centra no surgimento das “dez mil coisas” do mundo. A pincelada do calígrafo ou do artista acaba dizendo muito mais do que ele havia se proposto a dizer, tal como acontece com o analisante no consultório. O dito se traduz num mal-entendido eterno. Por quê? Porque uma palavra não revela claramente seu sentido – por exemplo, a voz chinesa dao ou tao não se refere somente ao caminho aludido. Ela conduz a outras vozes, em uma cadeia lingüística, assim como um sentido conduz a outros. Sempre dizemos mais do que aquilo que pretendíamos dizer. Isso acontece mediante os conhecidos mecanismos inconscientes do deslocamento (desvio) e condensação. A digressão é o recurso preferido nestes casos. Só há algo novo no significado quando também há algo novo no significante. O sujeito que fala não é o amo, o senhor daquilo que diz. Na verdade, ele termina dizendo mais do que quer dizer. Termina expressando sempre outra coisa. Desde a análise de Lacan se afirma que há que entender o analisante além daquilo que ele diz. Quando se quer afirmar alguma coisa, se produzem incidentes inevitáveis, daí a confusão e a impossibilidade do diálogo como absoluto laço de união. Cada um de nós é falado pela língua. Por isso, a princípio, convém não se ofender muito com os próprios equívocos ou o dos outros. O ofício próprio do psicanalista é o de escutar o analisante quase como se ele falasse através de ideogramas chineses, dizendo muito mais além daquilo que diz. Interpretar é escutar o sujeito não naquilo que ele acredita pronunciar, mas sim no desejo que flui através do significante que por alguma razão surgiu.
Em função dessas reflexões, Cheng se deteve especialmente nos poemas de Li Bo (ou Li Tai Po) e outras tantas obras mestras que iluminaram o céu da arte sob o império dos Tang, durante os séculos VII e IX da nossa era. Dentre centenas de poemas, Chen escolheu para sua análise – realizada junto com Lacan – uma conhecida quadra (“Escalinata de Jade”), que poderia ser traduzida assim:
“Do umbral da escalinata de jade
Brota um orvalho branco/
A longa noite penetra nas meias de seda/
Deixando cair a cortina de cristal/
Contemplando o transluzir por uma lua de outono.”
O tema abordado é a noite de espera de uma mulher diante da porta de sua casa vazia. A espera é inútil porque seu amante não chegará. Desiludida e com frio, a mulher se retira para seu quarto. Ali, baixa a cortina de cristal e fica um pouquinho mais, confiando sua pena e seu desejo à lua, próxima e longínqua. Li Bo convida o leitor a viver os sentimentos do personagem desde dentro. Mas só entenderá melhor a idéia do poeta o leitor familiarizado com o valor simbólico dos significantes chineses:
Escalinata de jade – a pele lisa e suave de uma mulher. Orvalho branco – a noite fresca, hora solitária, lágrimas. Há um matiz erótico aqui. Meia de seda – corpo de mulher. Cortina de cristal – interior do gineceu. Lua de outono – presença longínqua e desejo de reencontro.
Com esta sequência de imagens, diz Cheng, o poeta cria um mundo coerente e misterioso. As coisas parecem derivar umas das outras de modo inexorável. Por intermédio dos signos, a lua adquire seu status de símbolo primordial dos poetas chineses clássicos, artistas de uma sensibilidade noturna que revela o segredo de uma noite de mito e comunhão. O amor, que Lacan definiu como dar o que não se tem para alguém que não é, se conecta com a idéia do vazio essencial, ou seja, a fonte permanente do desejo, ainda que não exclua essa busca infinita e a dor e a melancolia que inevitavelmente nascem da ausência.”
Fonte: Lluis Gruss in La sombra china de Jacques Lacan, La Nacion, 9/8/2008.
Escrito por Leonardo Ferrari às 09h06
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DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS

Cerimônia de abertura das Olimpíadas de Pequim, sexta-feira, 9:40hs. Fotografia EFE in El País, 9/8/2008.
O consultor, C.E.O. (para os leigos, Chief Executive Officer) e C.O.O. (Chief Operating Officer) George W. Bush recebeu sexta-feira em Pequim o aprendiz Vladimir Putin para uma sessão rápida de treinamento. O aprendiz, ex-C.I.O. (Chief Information Officer) e especialista em CHRO (Chief Human Resources Officer), foi ter uma aula sobre o que fazer da Georgia, que está, neste momento, na “mind” dele. Dowsinzing ou Reengineering? Após analisar o Balanced Scorecard de Putin, Bush orientou seu pupilo a fazer como ele:
- Leve para eles o espírito da liberdade que nós introduzimos no Afeganistão e no Iraque.
Entreouviram Putin, com lágrimas nos olhos, dizer “meu pai-pai” e Bush responder, “meu garoto”.
Escrito por Leonardo Ferrari às 09h50
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