Blog do Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba (PR) leobelferrari@uol.com.br


PREPARAÇÃO PARA O MERCADO

Henri Matisse com uma modelo em seu ateliê, 1939. Fotografia de Brassai in Clarín, 5/7/2008.

         “Para dar um idéia do entorno moral e social em que Matisse foi criado, Spurling conta o seguinte em seu livro: quando um pai em Bohain encontrava seu filho pintando em um pedaço de papel, em seguida lhe dizia para jogar fora essa porcaria e era repreendido com dureza, porque não era permitido desenhar de forma espontânea, a menos que a criança fosse para a escola de artes e aprendesse a desenhar em função de diagramas e esquemas úteis para desenvolver a indústria da região. “Se ensinava desenho como se ensina uma língua morta”, escreve Spurling”

         Fonte: Mercedes Pérez Bergliaffa comentando a nova biografia de Henri Matisse por Hilary Spurling, editada em espanhol pela Edhasa em dois volumes (El pintor desconocido, 1869-1908) e El maestro reconocido, 1909-1954) in Clarín, 5/7/2008.

         Não posso deixar de fazer um comentário aqui. É que para os pais dessa pequena cidade francesa do século XIX, o fundamental era colocar os filhos em uma escola que os preparasse para o mercado, para a indústria da região. O que seria de Matisse se esse plano tivesse dado certo?



Escrito por Leonardo Ferrari às 08h45
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OCUPAÇÃO

I dwell in Possibility--
A fairer House than Prose--
More numerous of Windows--
Superior--for Doors--

Of Chambers as the Cedars--
Impregnable of Eye--
And for an Everlasting Roof
The Gambrels of the Sky--

Of Visitors--the fairest--
For Occupation--This--
The spreading wide my narrow Hands
To gather Paradise--

Emily Dickinson

 

“Moro na possibilidade,

Casa mais bela que a prosa,

Com muito mais janelas

E bem melhor, pelas portas

 

De aposentos inacessíveis,

Como são, para o olhar, os cedros,

E tendo por forro perene

Os telhados do céu.

 

Visitantes, só os melhores;

Por ocupação, só isto:

Abrir amplamente minhas mãos estreitas

Para agarrar o paraíso.”

Emily Dickinson in Poemas Escolhidos. Tradução de Ivo Bender. Porto Alegre: L&PM, 2005, pp. 44-47.



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h44
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NEBLINA

Fotografia de Thomas Doering.      

            “Em Diadorim, penso também – mas Diadorim é a minha neblina...”

            João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas in Ficção Completa v. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 21.

 

 

Manchete do jornal Zero Hora, 3/7/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h21
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DUAS

Fotografia de Ben Stansall/Agence France-Presse — Quadro de Lucian Freud, “Naked Portrait With Reflection”, Getty Museum in The New York Times, 1/7/2008.

 

         Manon,

         O que ficou pronto e exposto e que agora você vê, aí de fora, aí à margem, aí parada, me leva a te dizer o quanto foi difícil esse retrato de sua nudez encoberta, de sua nudez vestida pelo meu olhar. A nudez que tu me destes não é a mesma que te recobre diante de nosso quadro, nossa obra, nossa arte. É minha essa assinatura e meu nome agora vai virar história, mas foi você que me fez com sua pose, com sua graça, com sua reflexão.  Será que você consegue me ver aí dentro? Te vendo agora se vendo, me vendo, eu percebo que essa é outra obra, essa já é outra arte. Seria fácil dizer frente e verso, mas isso seria ainda pensar em uma, quando o que tu me ensinas são duas, duas mulheres, dois retratos, dois nus. Você é essa que está no quadro, que está na tela, que está para sempre imobilizada no espaço, fixada no tempo. Imortal. E você é essa frágil, à deriva, desenquadrada, solta como essas flores de seu vestido. Mortal. 



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h02
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SUBLIME

“Biografias de espectros – Diana Corso in Zero Hora, 25/6/2008

Dois Irmãos, de Milton Hatoum, é uma experiência imperdível, se você não leu, comece agora. Se o livro já é de deixar uma leitora psicanalista entusiasmada, as colocações do autor em sua palestra no ciclo Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem completaram o encantamento. Para ele, a "literatura é a transcendência dos fatos", escreve, como é inevitável, tendo o passado como uma fonte de riquezas, pois "os momentos seminais da vida de um escritor acontecem na infância e na juventude", dos quais, completa: "A distância é importante para inventar essas lembranças". Hatoum afirma que começou a "retrabalhar a memória enquanto literatura, quando os velhos da família estavam indo embora" , acrescentando, para meu deleite, que a escrita é "uma biografia de espectros, por isso a literatura e a psicanálise têm algo em comum". Dessa forma, o passado deve ser visto mais como uma história que nos contamos do que uma que vivemos, ele é sempre literatura, embora somente muito poucos saibam escrevê-la.

Freud nos ensinou que reinventamos nosso passado com as "Lembranças Encobridoras", ou seja, eventos que não ocorreram bem assim como os evocamos. Elas são como as lendas: têm um fundo de realidade, sobre o qual joga-se uma boa pintura de ficção, porém acabam funcionando como se fossem realmente a nossa história. Ou seja, somos fruto duma experiência, mas não de como ela realmente aconteceu, e sim como nos apropriamos dela, como fazemos a nossa versão do que aconteceu conosco.

Portanto, uma análise não é uma investigação policial em busca de restos reais. No início de seu trabalho, Freud constatou que pacientes histéricas adoeciam de reminiscências, sempre tinham uma história antiga para evocar, para justificar as dores que as afligiam no presente. Mas descobriu que elas narravam antigas seduções, das quais teriam sido objeto, para falar de desejos atuais, de amores que gostariam de estar vivendo. Era com velhas personagens que se montavam novas histórias, porque é com os restos do passado que nos escrevemos.

Hatoum revelou-se um mestre da paciência, sua obra, de poucos volumes, é prova de que a elaboração exige tempo, distância e coragem de invocar os espectros. De certa forma, é o que todos tentamos fazer, ficamos narrando nossa vida para ver se conseguimos transcender dos fatos banais, recriar as memórias para que elas nos revelem quem somos e o que queremos. Gosto de pensar que é disso que vivem os psicanalistas: editores de obras privadas e secretas em seus divãs.”



Escrito por Leonardo Ferrari às 07h01
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COSÌ FAN TUTTE

Anna Netrebko em São Petersburgo. Fotografia de Peter Rigaud.

Marie-Aude Roux, do Le Monde, foi até o sul da França, em Aix-en-Provence, para entrevistar Abbas Kiarostami sobre a encenação da ópera de Mozart “Così fan tutte, ossia La scuola degli amanti” (“Assim fazem todas, ou A escola dos amantes”) no Festival de Arte Lírica. O grande historiador Peter Gay assim comenta essa ópera:

“Contudo, nenhuma ópera de Mozart continua a dividir os ouvintes profissionais tanto quanto Così fan tutte. Para Edward Dent, uma autoridade em óperas de Mozart, o libreto “é o melhor de todos de da Ponte” e, com efeito, “a mais refinada obra de arte entre as óperas de Mozart”. Em um claro contraste, Joseph Kerman observa em seu altamente respeitado Opera as drama que “há algo inadequado em Così fan tutte. É, sem dúvida, a mais problemática ópera de Mozart, e recusa-se a mudar de opinião diante de interpretações que procuram resgatá-la, seja vendo-a como uma sagaz exposição da geometria do amor, seja como um sereno conto de fadas ou como uma revelação da superficialidade do galanteio em um decadente Velho Regime.”

Fonte: Peter Gay in Mozart. São Paulo: Objetiva, 1999, p. 143.

É curioso como Kiarostami reinterpreta Così fan tutte. Pensar em harmonia nessa desarmonia total que Mozart deixou como legado me parece mais o sonho do cineasta do que propriamente a revelação do músico. Enquanto Mozart nos leva para a desarmonia, para a não-relação entre os sexos, Kiarostami quer a harmonia. E, no entanto, ele quer também falar da intranqüilidade, ele quer falar do bem que é se enganar, ele quer falar sobre as tristezas da vida, ele quer falar sobre a diferença sexual. Grande Kiarostami. Eis aqui o magnífico trecho final de sua entrevista:

“Le Monde - O senhor se sente próximo de Don Alfonso, o velho filósofo que faz a aposta da infidelidade das mulheres com os jovens apaixonados?

Kiarostami - Creio que a atitude de Don Alfonso é no fundo benéfica. Mostrar a alguém que se engana é um bem. Toda a tristeza da vida vem do fato de que não podemos mais usar nossa experiência no momento em que a adquirimos. Alfonso não faz nada além de reviver seu próprio passado por procuração. Evidentemente, o que ele ganha com isso não são os 100 ducados da aposta, mas reviver sua juventude. "Così Fan Tutte" não é outra coisa senão uma lição de sabedoria amorosa.

LM - A sabedoria amorosa deve obrigatoriamente passar pela dor?

Kiarostami - Eu tive de passar pela dor para compreender. É uma lição necessária e universal. Os poetas não dizem outra coisa. Aliás, coloquei em epígrafe no programa da ópera textos de poetas persas que têm o mesmo tom. Sempre pratiquei a poesia, desde os 10 anos. Eu mesmo a escrevo. Por muito tempo a utilizei para cortejar. Hoje ainda, às vezes...

LM - "Così Fan Tutte" (Assim fazem todas) é geralmente conhecido por seu discurso misógino. Parece que o senhor não concorda com essa acepção?

Kiarostami - Eu não vejo misoginia, mas vejo nela o exercício responsável de uma realidade baseada na relatividade das relações entre homens e mulheres. Os homens vivem na ilusão de que o amor das mulheres lhes pertence e não precisa ser cuidado. Seu orgulho não lhes permite pensar de outro modo, e as mulheres sabem disso. As mulheres, ao contrário, nascem sabendo que o amor é efêmero e os homens, infiéis. Isso lhes é transmitido pelo leite de sua mãe. É por isso que os homens têm necessidade desse aprendizado da fragilidade dado pelas mulheres. Para que as relações entre eles se harmonizem, seria preciso que as mulheres estivessem menos na consciência aguda da insegurança e que os homens estivessem menos seguros da permanência do amor. O discurso que eu tento reter é o da intranqüilidade.

LM - O senhor é um artista iraniano, reivindicado como tal em seu cinema. O que há de oriental em "Così Fan Tutte"?

Kiarostami - Nada. Todos os temas são universais. Eu sou sem dúvida um artista iraniano que vive no Irã, mas meu olhar é voltado para o Ocidente. Toda reivindicação de identidade é vergonhosa. Dizer que pertencemos a um território é vergonhoso. Os seres humanos nascem universais. Eles não devem traçar uma linha ao seu redor. Tudo em mim é iraniano, mas nada em mim é iraniano.”

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves in UOL, 28/6/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 09h18
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TERRORISMO

            Terry Eagleton é um pensador indispensável em nossa época. Em 1998, a editora Jorge Zahar traduziu “As Ilusões do Pós-Modernismo”, livro maravilhoso e essencial. Ontem o jornal La Nacion, de Buenos Aires, publicou trechos de seu novo livro, recém lançado na Argentina. Um pensador que reflete sobre aquilo que parece simples, aquilo que parece “óbvio”, aquilo que parece “natural” e relaciona sua reflexão com a história, com a psicanálise, com a filosofia, com a literatura, eis aí um pensador raro, um pensador à margem, um pensador incomum. Terry Eagleton é daqueles pensadores para se fundar uma cátedra em cada universidade desse país. Terry Eagleton é para ser transformado em cartilha de alfabetização. As crianças precisam conhecer as idéias desse homem. Para alguns adultos, já é tarde. É melhor começar nos berçários. Terry Eagleton é daqueles imprescindíveis. Traduzo algumas partes:

 

 “Do mesmo modo que muitos outros fenômenos aparentemente antigos, o terrorismo é, na realidade, uma invenção moderna. Como idéia política, ele aparece pela primeira vez na Revolução Francesa, o que equivale a dizer, então, que o terrorismo e o Estado democrático moderno são irmãos gêmeos. Na época de Danton e Robespierre, o terrorismo deu seus primeiros passos sob a forma de terrorismo de Estado. Ele era uma violência infligida pelo Estado contra seus inimigos, e não um ataque contra a soberania lançado por alguns inimigos encapuçados.

A palavra “terrorista” surge no contexto de outros termos revolucionários franceses, como “girondino”. Ainda que não exista fundamento histórico para isso, é sugestivo interpretar essa palavra como uma paródia satírica desses termos revolucionários. O sufixo “ino” evoca, jocosamente, uma espécie de filosofia – aquela que se reduz a espalhar as vísceras e cortar cabeças, ou seja, uma teoria falida. Assim, pois, receber o nome de terrorista supõem ser acusado de carecer de idéias e de conjurar, ao contrário delas, de uma doutrina grandiloqüente a partir de simples atos de barbárie.(...)

Em um sentido mais amplo da palavra, o terrorismo é sem dúvida tão antigo quanto a própria humanidade. Os seres humanos vêm se desenvolvendo e se massacrando desde o princípio dos tempos. Em um sentido mais específico do termo, o terrorismo se remonta inclusive a épocas anteriores à modernidade, quando o conceito de sagrado veio à luz pela primeira vez. A idéia de terror, por mais inverossímel que pareça, está estreitamente ligada a este conceito tão ambíguo. É ambíguo porque a palavra sacer pode significar tanto “bem aventurado” como “maldito”, santo ou vilão; e, nas civilizações antigas, há variedades de terror que são, ao mesmo tempo, criadoras e destruidoras, vivificantes e mortíferas. O sagrado é perigoso e deve ser guardado em uma jaula, melhor do que numa urna de cristal. Essa idéia se origina de uma reflexão sobre o enigma que coloca o animal lingüístico: como é possível que suas capacidades geradoras de vida e de morte procedam de uma mesma fonte, ou seja, da linguagem? Como é que pode esse animal fracassado ser perseguido por suas próprias capacidades criadoras? (...)

Um dos primeiros terroristas foi o deus Dionísio. Dionísio foi o deus do vinho, da música, do êxtase, do teatro, da fertilidade, dos excessos e da inspiração, traços que provavelmente nos resultem mais atrativos que ofensivos. A maioria de nós escolheria uma balada com Dionísio do que um seminário com Apolo. Aquela divindade báquica protéica, brincalhona, difusa, erótica, extravagante, hedonista, transgressora, ambígua desde o ponto de vista sexual, marginal e antilinear, poderia ser quase uma invenção pós-moderna. Porém, ele também representa um espanto insuportável, e, em boa medida, pelas mesmas razões. Ainda que ele seja o deus do vinho, do leite e do mel, também é o deus do sangue. Da mesma forma que promove o excesso de álcool, há também um excesso de sangue. Ele é atroz, voraz e monoliticamente hostil diante da diferença. (...) Ainda que exiba os encantos da espontaneidade, também revela uma ferocidade cega. O que ele contribui para a felicidade, também contribui para a carnificina. Dissolver o eu na natureza mediante o êxtase, como faz Dionísio, é cair presa de uma violência atroz. Se a felicidade perfeita não é possível com o eu, tampouco é possível sem ele. (...)

Se Dionísio dispõe de toda a insondável vitalidade do inconsciente, então também conta com sua implacável malevolência e agressividade. Ele é o deus que representa, citando a Jacques Lacan, o que Slavoj Zizek  denominou de “gozo obsceno” ou jouissance horrível. Sua liturgia alentadora e horripilante é uma variante da “noite do mundo” de Hegel, uma orgia sem significado, anterior ao despertar da própria subjetividade, na qual os pedaços ensangüentados e fragmentos de corpos destroçados se amontoam numa aterrorizadora dança da morte. É uma lúgubre paródia do carnaval, uma jubilosa fusão e intercâmbio de corpos que, da mesma forma que o carnaval, nunca está muito longe do cemitério. A orgia elimina as distinções entre os corpos e, portanto, antecipa a indiferente igualdade que a morte estabelece. Empregando os termos de Além do Princípio do Prazer de Freud, este deus do “relaxa e goza” representa a cultura pura da pulsão de morte, desse implacável imperativo que nos ordena gozar de nosso próprio desmembramento. Dionísio é o patrão da vida na morte, um ser especialista nessa variedade de energia que obtemos mediante o auto-abandono irresponsável.(...) Em seus misteriosos rituais se mesclam a afirmação e a dissolução do eu.

Dionísio, metade besta e metade deus, nesse sentido, é uma pura imagem da humanidade, dessa incongruente criatura que sempre é algo mais ou menos de si mesma, que ou bem adoece de algo ou então se excede. Tanto os deuses como as bestas são seres desobedientes: as últimas porque se instalam fora da lei pela sua inocência amoral, e os primeiros porque, ao promulgarem as leis, se julgam estar por cima delas. Eles podem se gabar de sua liberdade à respeito da lei, inclusive suspendendo-a [por exemplo, promulgando o Estado de Exceção – nota do autor deste blog], que é o que, num sentido diferente, também fazem os delinqüentes. Na realidade, o legislador tem muita semelhança com aqueles que agem contra a lei, como já pensava Hegel. Segundo Hegel, a história se constrói mediante uma sucessão de legisladores poderosos que se sentem obrigados a transgredir as fronteiras morais de sua época simplesmente porque acreditam estar no comando do trem do progresso. Raskolnikóv propõem em boa medida um ponto de vista idêntico em Crime e Castigo, de Dostoiévski. Aos olhos da modernidade, o criminoso e o vanguardista, o foragido e o artista, estão intimamente ligados.”
 

Fonte: Terry Eagleton in Terror Santo (ed. Debate, Buenos Aires, 2008), publicado in La Nacion, 28/6/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h25
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