Blog do Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba (PR) leobelferrari@uol.com.br


NOME-DO-PAI

Coreografia de Jiri Kilian.

         “Certa vez, na Austrália, eu perguntei a um velho aborígene: “Por que você dança?”, e ele me respondeu: “Porque meu pai me ensinou e eu devo ensinar isso a meu filho”. É a experiência da continuidade, isso me basta.”

         Jiri Kilian em entrevista a Roger Salas in El País, 21/6/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 08h09
[   ] [ envie esta mensagem ]




NO MEIO DA TRAVESSIA

        “A gente vive repetido, o repetido, e, escorregável, num mim minuto, já está empurrado noutro galho. Acertasse eu com o que depois sabendo fiquei, para de lá de tantos assombros...Um está sempre no escuro, só no último derradeiro é que clareiam a sala. Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõem para a gente é no meio da travessia.”

         João Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas in Ficção Completa v. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 46.



Escrito por Leonardo Ferrari às 09h10
[   ] [ envie esta mensagem ]




O QUARTO MODO

Fonte: Charles M. Schulz in O Estado de São Paulo, 19/6/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 12h46
[   ] [ envie esta mensagem ]




TRÊS MODOS DE LIDAR COM O REAL

           O psicanalista Isidoro Vegh escreve hoje um artigo magnífico no Página 12 de Buenos Aires.  É daqueles artigos imortais, daqueles sensacionais, espetaculares, esplêndidos. O nome já é um primor: “Três lidas, três modos de lidar com o real”.  Alguns trechos traduzidos:

        

         “A ciência interrogou os corpos celestes e permitiu, como expôs Alexandre Koyré [no livro “Do mundo fechado ao universo infinito”, publicado no Brasil pela Forense Universitária, 2006], passar de um mundo fechado para um universo infinito. A lua deixou de ser uma deusa para abrigar em seu solo o pé humano, aquele que Édipo esqueceu, o inchado. Também a ciência avançou nos mistérios da vida. Hoje o genoma do homem e de outros seres vivos, vegetais e animais, permite operar sobre a reprodução, transformando-a em criação. Também nesta dimensão, o homem criador substitui o deus da criação. (…) Porém, a ciência, ainda que resolva, por exemplo, o grave problema da contaminação ambiental, não pode responder a certas questões, tais como: “qual é o sentido da vida, por que existir e não deixar de existir (…)? O que é viver feliz (…)? Um “mundo feliz”, como dizia Aldous Huxley, seria um mundo envolto no gozo da droga e na ausência do amor? O que é o amor? O que é o desejo? O que é o gozo? (…) Essas são perguntas que a ciência não responde porque ela não está estruturada para formulá-las. A ciência, em sua vertente moderna, foi e é um modo de lidar com o Real, um dos poucos caminhos que o homem encontrou para desvelar algo do Real. (…) Paradoxo: a estas questões respondeu a religião – e continua respondendo hoje em suas distintas versões. Ao preço de persistir, segundo Freud, em uma ilusão: que um Deus-Pai-Protetor fez um plano integral para o nosso bem.(…) E, como os deuses já não falam, os ritos e seus praticantes cobrem seus silêncios. (…)

         Qual é o terceiro modo de lidar com o real? Não é por acaso que ele seja filho desse tempo, quando a ciência já havia feito seu percurso formidável no trato com a physis, assim como na refutação da verdade revelada das religiões. Não é casual que o seu início fosse o limite do fracasso do saber médico do século XIX, aquele que se sustentava na biologia, na física, na química, na nascente bacteriologia, em sua luta contra o resto religioso do vitalismo.

         Sim, a psicanálise, terceira modalidade de lida com o real, é filha do fracasso médico.

         Como tantas vezes foi lembrado, as histéricas da Viena imperial conseguiram fazer-se escutar em seus sintomas a palavra amordaçada que a ciência ignorava. Não por maldade, nem por dogmatismo. É que não entrava no paradigma de seu território as perguntas que esses sintomas respondiam: o que é uma mulher, o que é o sexo, o que é o sexo de uma mulher?

         Reduzir “a histeria” ao movimiento de um útero não foi apenas ignorância, mas sim os limites das coordenadas que enquadravam o território do saber médico.

         Freud foi um precursor. Sua descoberta foi a de que um software funciona sem que a tela do computador o registre. Salvo em sinais indiretos, como a ampulheta pequena que assinala o processamento do computador. Ou então as imagens que resultam dos pixels. A invenção de Freud modifica nossa ciência de um saber racional, consciente, de nossos atos que nos trariam a garantia da verdade e nos protegeriam do erro. Inconsciente, assim chamou Freud a esse outro saber que não aparece na tela da consciência. Por isso foi um precursor: ele descobriu, antes que a lingüística moderna fizesse seu percurso, antes que a lógica matemática se extendesse de Frege a Russell, de Cantor a Gödel, antes que a antropologia de Lévi-Strauss nos desse as estruturas elementares do parentesco ou o estudo dos mitos e seus mitemas.

         Três grandes mitos, Narciso, Édipo e Totem e Tabu, foram decobertas da obra freudiana que tiveram que aguardar a explicitação de sua lógica para alcançar a dimensão de seu gênio. Neles, se desenvolve a vertente imaginária do eu narcísico, a articulação simbólica que define a identificação ao próprio sexo no desfiladeiro do Outro, e a mítica presença constituinte, no início, de um pai do gozo. Real do gozo anudado à palabra que faz com que um organismo seja um corpo.

         A psicanálise não oferece os consolos da religião. A psicanálise não promove o progresso ingênuo, nem a resposta sem sujeito da ciência. Ela se inscreve na tradição das luzes, não é mais um irracionalismo bobo, ela aceita as regras do método científico quando articula a teoria com o real da prática clínica. Mas, à diferença da ciência, a psicanálise localiza como objeto de sua teoria e de sua prática, o sujeito. Objeto da teoria e eixo de sua prática, sustentada numa ética: não ceder em seu desejo. Pois, sem ele, o sujeito passa a desgostar da vida, ainda que o gozo o fascine com a promessa da plenitude do ser.”

 

Fonte: Isidoro Vegh in Tres tratos con lo real, Página 12/ 19/6/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 09h24
[   ] [ envie esta mensagem ]




HOMO SACER E VIDA NUA

Fonte: Ique in Jornal do Brasil, 18/6/2008.

 

Giorgio Agamben é o filósofo que foi investigar o conceito de “Homo Sacer”, uma criação do antigo direito romano e que estabelece que “soberana é a esfera na qual se pode matar sem cometer homicídio e sem celebrar um sacrifício, e sacra, isto é, matável e insacrificável, é a vida que foi capturada nesta esfera” (fonte: Giorgio Agamben in Homo Sacer. Belo Horizonte: UFMG ed., 2004, p. 91). Em seu livro, Agamben também esclarece que “o campo de concentração é hoje o paradigma biopolítico do Ocidente” (p. 187), tendo em vista que, através da criação de um estado de exceção permanente, os governos excluem, separam, dividem, quem tem direito a uma vida própria de um indivíduo ou grupo (p.9) e quem deve ter uma vida nua, própria de um animal, de um piolho (p. 121):

         “Quando vida e política, divididos na origem e articulados entre si através da terra de ninguém do estado de exceção, na qual habita a vida nua, tendem a identificar-se, então toda a vida torna-se sacra e toda a política torna-se exceção.” (p. 155).

         Lembrei de Agamben lendo Elio Gaspari hoje e Janio de Freitas ontem na Folha de São Paulo.

 

“No caso dos três garotos presos no Morro da Providência, posteriormente achados num lixão, o escriba do Comando Leste disse que "os elementos detidos foram encaminhados à presença do comandante da tropa que, depois de ouvi-los, determinou que fossem liberados. Após a liberação, as tropas do Exército não voltaram a ter contato com os elementos citados".

Falso, eles foram entregues aos Amigos dos Amigos, no Morro da Mineira. Essa nota ofendeu os fatos e o pundonor da tropa. Peça aos escribas que abandonem a expressão "elemento". Isso é linguagem de delegacia. O Brasil é povoado por cidadãos. Elementos são o cobre, o lantânio ou mesmo o molibdênio.” (fonte: Elio Gaspari in Folha de São Paulo, 18/6/2008).


O Campo dos Mortos – Janio de Freitas in Folha de São Paulo, 17/6/2008

O CONFLITO em frente ao antigo Ministério da Guerra, hoje Comando Militar do Leste, no Rio, entre manifestantes do Morro da Providência e uma tropa do Exército, foi um ato de violência descontrolada muito adequado ao descontrole de violência que o originou, tanto no assassinato de três rapazes por pessoal do Exército como no tratamento dado ao caso.

Os relatos mais aceitos e difundidos do envolvimento de um tenente, três sargentos e sete soldados do Exército no assassinato dos três rapazes estão minados por contradições e, como de hábito, pelas limitações investigatórias e noticiosas quando vitimada gente humilde ou envolvidos militares -quanto mais quando há os dois.

Às narrativas insatisfatórias de que os rapazes foram mortos por bandidos inimigos do seu morro, depois de entregues para a morte pelo tenente e seus chefiados, contrapõe-se pelo menos outra versão, não posta em exame. É a possibilidade, que conta com indícios para ser mais do que isso, de que os rapazes não fossem entregues a bandidos, nem mortos por bandidos, mas por responsabilidade direta de algum ou alguns do grupo de militares.
O Morro da Providência não é uma favela típica. No centro do Rio, em sua decadência na República tornou-se bairro de classe média baixa, muito habitado por operários qualificados, e só em parte popularizado à maneira de favela. Já a favela da Mineira corresponde bem à designação, inclusive quanto à violência. Não é admissível, por isso, que um veículo do Exército chegasse à vontade até sua entrada e, ali, os três rapazes fossem levados por soldados à recepção pacífica que lhes dava um grupo de bandidos. E, para completar, de tudo isso em área com intenso trânsito de pedestres, só restassem duas "testemunhas". Anônimas.

"Testemunhas" cujos relatos, no "Globo", não divergem. Nas palavras de um dos tais anônimos: "Achei que fosse o início de uma ocupação do Exército na favela e que os jovens também fossem militares, porque estavam muito bem vestidos, até então pareciam calmos". Bem vestidos depois de presos em quartel do Exército já seria difícil. Mas um deles, ao menos um, foi visto nesse quartel pela mãe. Em narrativa quase imediata e não contestada, ela o viu "caído no chão, ensangüentado". Pouco depois já estaria "bem vestido" e, também como os dois companheiros, "parecia calmo" ao ser entregue a bandidos inimigos do seu morro? Ah, que elegância e que autodomínio admiráveis.

Não está claro como se deu o achado dos corpos, no dia seguinte, e como a polícia os localizou. Estavam em lugar muito distante, uma região à margem do Rio em direção às cidades serranas e a Minas. Estavam nas cercanias de um "lixão" em Gramacho, onde "possivelmente foram deixados por um caminhão de lixo". Logo, os garis os recolheram e puseram no caminhão de coleta sem os notar, três corpos adultos. E nem os notaram, ao serem despejados, os catadores de salvados do lixo que ali dividem a sua miséria com urubus.

Gramacho tem presença intermitente no noticiário por uma peculiaridade: é um lugar de mortes por armas, porém sem autoria e sem confrontos. São granadas em que crianças pisam, são obuses que outros encontram no capinzal e tentam recolher. E morrem. Gramacho, imenso e belo descampado, é um nome que se fez conhecido como campo de treinamentos do Exército. Por lá apareceram os três rapazes assassinados.”

Fonte: Janio de Freias in Folha de São Paulo, 17/6/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h34
[   ] [ envie esta mensagem ]




NUNCA FALTOU TRIPULAÇÃO

          Enric Gonzáles é a alma do El País. Ele já foi correspondente na Itália e agora escreve uma página saborosa no caderno dominical. A comparação que ele fez neste domingo, com base na leitura do livro Life among the pirates”, de David Cordingly (Abacus ed.), entre os navios mercantes e os navios piratas é magnífica! Sensacional! Epifânica! Um trecho traduzido:

“Os marinheiros dos navios mercantes sofriam um regime tirânico. Os capitalistas, o armador e o capitão, exigiam a máxima rentabilidade. Isso implicava navegar o mais depressa possível, com o navio lotado e uma tripulação mínima. A disciplina era igual à marinha militar, senão mais dura. A retribuição, escassa. A vida a bordo, miserável

         Quem eram os tripulantes dos navios piratas? Eram antigos marinheiros mercantes. Tanto a História Geral como as fabulações do século XIX atribuíam esse trânsito [do navio mercante para o navio pirata] ao lado obscuro, à impiedade e ao consumo desenfreado de álcool. Na História Geral são recolhidos diversos discursos, pronunciados por piratas ao pé da forca, que parecem cômicos fora do contexto. O homem que vai ser enforcado lamenta ter deixado de ir à missa e ter se dedicado ao rum, porque isso o levou à pirataria. A realidade parece ser bem outra. Os técnicos qualificados (médicos, carpinteiros, pilotos) costumavam ser recrutados à força. Todos os demais, porém, se alistavam voluntariamente. Era muito comum que os tripulantes de um navio mercante abordado por piratas passassem imediatamente para o navio agressor.

         O que os atraía era a política de recursos humanos dos piratas. Primeiro, o ritmo de trabalho. À diferença dos navios mercantes, os navios piratas estavam cheios de gente. A superioridade numérica favorecia o êxito nas abordagens. Em conseqüência, as duras tarefas de navegação à vela eram repartidas entre muitas pessoas, e, como resultado, se trabalhava menos. Em segundo lugar, pela participação ativa das pessoas na gestão da empresa. Os capitães piratas eram escolhidos democraticamente pela tripulação, e sempre, salvo em combate, eles deviam consultar os marinheiros sobre suas decisões – o rumo, a presa, a ordem de ataque . Isso resultava numa certa tranqüilidade a bordo, e constituía uma garantia contra as arbitrariedades do chefe. O capitão que era injusto com seus homens durava pouco. A participação nos benefícios também era mais alta, muito mais alta que nos navios mercantes.

         Existia uma desvantagem, é claro: o risco da forca. Mas nos barcos piratas nunca faltou tripulação!

         Não sei se isso contém uma lição para as empresas contemporâneas. Suponho que não.”

Fonte: Enric Gonzales in Piratas, El País, 15/6/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 09h07
[   ] [ envie esta mensagem ]




UMA REVISTA PARA NOSSO TEMPO

          A indispensável Cult traz este mês um dossiê sobre o pensamento de Jacques Lacan. Imperdível. Inicia com uma belíssima reflexão de Vladimir Safatle (autor de uma ótima introdução à obra de Lacan pela editora Publifolha e de uma excelente análise sobre Lacan e a dialética publicada pela Unesp ) sobre o que pode significar não ceder em seu desejo. A frase de Lacan que está no Seminário 7 sobre a ética da psicanálise é a seguinte:

         “A única coisa da qual se pode ser culpado é de ter cedido de seu desejo” (fonte: Jacques Lacan in O Seminário, Livro 7, A Ética da Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed., 1988, p. 385).

         Diz Safatle:

         “Nesse sentido, “não ceder em seu desejo” só pode significar a exigência de se confrontar com o que aparece como “inumano” no interior do desejo, como desprovido da imagem identitária do homem. Tal confrontação é afinal o que mobiliza a exigência de “coragem” que a intervenção analítica traz, já que ela nos exige pensar individualidades que não são fundadas exatamente na coerência unitária das condutas, na coesão dos ideais, mas na capacidade de absorverem experiências que se colocam no limite da despersonalização. É exatamente isso que Lacan entendia por “sujeito”. Resta saber o que pode ser um conceito de “justiça” capaz de estar à altura do que Lacan tem em vista.” (fonte: Vladimir Safatle in “Confrontar-se com o Inumano”, revista Cult 125, junho 2008, p.41).

         O dossiê segue com um artigo muito bem construído de Christian Ingo Lens Dunker sobre a revolução que Lacan trouxe para a clínica psicanalítica, seguido por uma análise sensacional de Richard Theisen Simanke sobre as relações e não relações entre a filosofia e a psicanálise. Há também um belo texto de Tania Rivera sobre a contribuição de Lacan ao conceito de sublimação, seguido de uma curiosa análise de Antônio Teixeira sobre a possibilidade de pensar a relação entre a psicanálise e a política. O dossiê traz como conclusão, como a cereja no topo do bolo, um artigo magnífico de Slavoj Zizek sobre a suposta “morte” da psicanálise, tantas vezes anunciada, tantas vezes adiada, e o que significa a ética lacaniana . Diz Zizek:

         “A primeira coisa que se deve afirmar categoricamente é que a ética lacaniana não é uma ética hedonista: qualquer que seja o significado de “não ceder em seu desejo”, isso não significa o reino incontrolado daquilo que Freud chamava de “princípio do prazer”, o funcionamento do aparelho psíquico para atingir o prazer. De fato, para Lacan, o hedonismo é o modelo de um desejo adiado pelo interesse de “compromissos realistas”: a fim de atingir um maior volume de prazer, devo calcular e economizar, sacrificar prazeres a curto prazo em benefício de prazeres mais intensos a longo prazo.(...) Mesmo o budismo (ocidental) não escapa dessa armadilha; o próprio Dalai Lama sempre afirma que “o objetivo da vida é ser feliz” – o que é falso para a psicanálise, é preciso acrescentar. (...) Se o hedonismo deve ser rejeitado, então a ética lacaniana corresponde a uma versão da ética heróica imoral, aquela que exige permanecer fiel apenas a si próprio, a persistirmos no caminho que escolhemos para nós mesmos, para além do bem e do mal? (...) Friedrich Nietzsche (...) foi o grande filósofo da ética imoral, e é preciso sempre lembrar que o título da obra-prima de Nietzsche é Genealogia da Moral, e NÃO  da ética. São coisas bem diferentes. A moral está preocupada com a simetria das minhas relações em relação a outros seres humanos; sua regra de base é “não faça aos outros aquilo que não gostaria que lhe fizessem”. A ética, ao contrário, exige que eu seja conseqüente comigo mesmo, fiel ao meu próprio desejo até o fim.” (fonte: Slavoj Zizec in “Não existe grande Outro”, revista Cult 125, junho 2008, pp. 62-63.)

         Maravilhosa revista! Espetacular! Não bastasse tudo isso, há um artigo admirável de Francisco Bosco chamado “O Paradoxo do Sexo”, onde ele faz uma análise belíssima sobre a genial obra de Freud, “Três Ensaios de Teoria Sexual”, ao pensar sobre o episódio que envolveu o jogador Ronaldo e três travestis.

         É uma revista para ser distribuída em todos os pontos de ônibus da cidade, ser colocada nos limpadores de vidro dos carros estacionados, ser lida em todas as aulas das universidades, ser transformada em cartilha de alfabetização. Seis artigos sobre Lacan e um sobre Freud? É para emoldurar na parede!



Escrito por Leonardo Ferrari às 08h38
[   ] [ envie esta mensagem ]




O LEITO ABANDONADO

Fotografia de Hedi Slimane. 

 

“JÁSON – O leito abandonado justifica o crime?

        MEDÉIA – Essa injúria é pequena para uma mulher?” 

 

Eurípedes in Medéia. Medéia, Hipólito, As Troianas. Tradução de Mário da Gama Kury. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991, p. 73.



Escrito por Leonardo Ferrari às 10h05
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
  22/11/2009 a 28/11/2009
  15/11/2009 a 21/11/2009
  08/11/2009 a 14/11/2009
  01/11/2009 a 07/11/2009
  25/10/2009 a 31/10/2009
  18/10/2009 a 24/10/2009
  11/10/2009 a 17/10/2009
  04/10/2009 a 10/10/2009
  27/09/2009 a 03/10/2009
  20/09/2009 a 26/09/2009
  13/09/2009 a 19/09/2009
  06/09/2009 a 12/09/2009
  30/08/2009 a 05/09/2009
  23/08/2009 a 29/08/2009
  16/08/2009 a 22/08/2009
  09/08/2009 a 15/08/2009
  02/08/2009 a 08/08/2009
  26/07/2009 a 01/08/2009
  19/07/2009 a 25/07/2009
  12/07/2009 a 18/07/2009
  05/07/2009 a 11/07/2009
  28/06/2009 a 04/07/2009
  21/06/2009 a 27/06/2009
  14/06/2009 a 20/06/2009
  07/06/2009 a 13/06/2009
  31/05/2009 a 06/06/2009
  24/05/2009 a 30/05/2009
  17/05/2009 a 23/05/2009
  10/05/2009 a 16/05/2009
  03/05/2009 a 09/05/2009
  26/04/2009 a 02/05/2009
  19/04/2009 a 25/04/2009
  12/04/2009 a 18/04/2009
  05/04/2009 a 11/04/2009
  29/03/2009 a 04/04/2009
  22/03/2009 a 28/03/2009
  15/03/2009 a 21/03/2009
  08/03/2009 a 14/03/2009
  01/03/2009 a 07/03/2009
  22/02/2009 a 28/02/2009
  15/02/2009 a 21/02/2009
  08/02/2009 a 14/02/2009
  01/02/2009 a 07/02/2009
  25/01/2009 a 31/01/2009
  18/01/2009 a 24/01/2009
  11/01/2009 a 17/01/2009
  04/01/2009 a 10/01/2009
  28/12/2008 a 03/01/2009
  21/12/2008 a 27/12/2008
  14/12/2008 a 20/12/2008
  07/12/2008 a 13/12/2008
  30/11/2008 a 06/12/2008
  23/11/2008 a 29/11/2008
  16/11/2008 a 22/11/2008
  09/11/2008 a 15/11/2008
  02/11/2008 a 08/11/2008
  26/10/2008 a 01/11/2008
  19/10/2008 a 25/10/2008
  12/10/2008 a 18/10/2008
  05/10/2008 a 11/10/2008
  28/09/2008 a 04/10/2008
  21/09/2008 a 27/09/2008
  14/09/2008 a 20/09/2008
  07/09/2008 a 13/09/2008
  31/08/2008 a 06/09/2008
  24/08/2008 a 30/08/2008
  17/08/2008 a 23/08/2008
  10/08/2008 a 16/08/2008
  03/08/2008 a 09/08/2008
  27/07/2008 a 02/08/2008
  20/07/2008 a 26/07/2008
  13/07/2008 a 19/07/2008
  06/07/2008 a 12/07/2008
  29/06/2008 a 05/07/2008
  22/06/2008 a 28/06/2008
  15/06/2008 a 21/06/2008
  08/06/2008 a 14/06/2008
  01/06/2008 a 07/06/2008
  25/05/2008 a 31/05/2008
  18/05/2008 a 24/05/2008
  11/05/2008 a 17/05/2008
  04/05/2008 a 10/05/2008
  27/04/2008 a 03/05/2008
  20/04/2008 a 26/04/2008
  13/04/2008 a 19/04/2008
  06/04/2008 a 12/04/2008
  30/03/2008 a 05/04/2008
  23/03/2008 a 29/03/2008
  16/03/2008 a 22/03/2008
  09/03/2008 a 15/03/2008
  02/03/2008 a 08/03/2008
  24/02/2008 a 01/03/2008
  17/02/2008 a 23/02/2008
  10/02/2008 a 16/02/2008
  03/02/2008 a 09/02/2008
  27/01/2008 a 02/02/2008
  20/01/2008 a 26/01/2008
  13/01/2008 a 19/01/2008
  06/01/2008 a 12/01/2008
  30/12/2007 a 05/01/2008
  23/12/2007 a 29/12/2007
  16/12/2007 a 22/12/2007
  09/12/2007 a 15/12/2007
  02/12/2007 a 08/12/2007
  25/11/2007 a 01/12/2007
  18/11/2007 a 24/11/2007
  11/11/2007 a 17/11/2007
  04/11/2007 a 10/11/2007
  28/10/2007 a 03/11/2007
  21/10/2007 a 27/10/2007
  14/10/2007 a 20/10/2007
  07/10/2007 a 13/10/2007
  30/09/2007 a 06/10/2007
  23/09/2007 a 29/09/2007
  16/09/2007 a 22/09/2007
  09/09/2007 a 15/09/2007
  02/09/2007 a 08/09/2007
  26/08/2007 a 01/09/2007
  19/08/2007 a 25/08/2007
  12/08/2007 a 18/08/2007
  05/08/2007 a 11/08/2007
  29/07/2007 a 04/08/2007
  22/07/2007 a 28/07/2007
  15/07/2007 a 21/07/2007
  08/07/2007 a 14/07/2007
  01/07/2007 a 07/07/2007
  24/06/2007 a 30/06/2007
  17/06/2007 a 23/06/2007
  10/06/2007 a 16/06/2007
  03/06/2007 a 09/06/2007
  27/05/2007 a 02/06/2007
  20/05/2007 a 26/05/2007
  13/05/2007 a 19/05/2007
  06/05/2007 a 12/05/2007
  29/04/2007 a 05/05/2007
  22/04/2007 a 28/04/2007
  15/04/2007 a 21/04/2007
  08/04/2007 a 14/04/2007
  01/04/2007 a 07/04/2007
  25/03/2007 a 31/03/2007
  18/03/2007 a 24/03/2007
  11/03/2007 a 17/03/2007
  04/03/2007 a 10/03/2007
  25/02/2007 a 03/03/2007
  18/02/2007 a 24/02/2007
  11/02/2007 a 17/02/2007
  04/02/2007 a 10/02/2007
  28/01/2007 a 03/02/2007
  21/01/2007 a 27/01/2007
  14/01/2007 a 20/01/2007
  07/01/2007 a 13/01/2007
  31/12/2006 a 06/01/2007
  24/12/2006 a 30/12/2006
  17/12/2006 a 23/12/2006
  10/12/2006 a 16/12/2006
  03/12/2006 a 09/12/2006
  26/11/2006 a 02/12/2006
  19/11/2006 a 25/11/2006
  12/11/2006 a 18/11/2006
  05/11/2006 a 11/11/2006