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PERTO DOS CÉREBROS IRRIGADOS

« Ça a été immédiat. Je ne m’attendais pas à quelqu’un de si drôle, de si vivant. Son physique, son charme et son intelligence m’ont séduite. Il a cinq ou six cerveaux, remarquablement irrigués. Je le remarque encore tous les jours. Vous lui parlez de quelque chose, il est en train de lire un dossier, vous vous dites, le pauvre il est épuisé, il est tard. Eh bien, en fait, il entend tout, tout en intégrant le dossier qu’il lit. Je n’ai pas connu de crétins auparavant, ce n’est pas mon genre, mais lui, ça va très, très vite. Et puis, il a une incroyable mémoire. »
“Tudo aconteceu de repente. Eu não esperava alguém tão divertido, tão cheio de vida. Fui seduzida por seu físico, seu charme e sua inteligência. Ele possui cinco ou seis cérebros que são notavelmente irrigados. Sarkozy consegue processar o que dizem as pessoas à sua volta ao mesmo tempo em que está lendo, não importa o adiantado da hora. E ele entende tudo o que lê. Eu nunca me dei com burros anteriormente, eles não fazem o meu gênero, mas ele, ele é muito rápido. Além de tudo, ele tem uma memória incrível!”
Carla Bruni sobre Nicolas Sarkozy em seu livro “Carla e Nicolas, La Véritable Histoire” (Carla e Nicolas, a verdadeira história). Trecho citado in Le Point, 4/6/2008.
É o amor. Divertido? Cheio de vida? Físico? Charme? Inteligência? Cinco ou seis cérebros? É o amor...cego. Mas não será assim todo amor? Agora, que essa história dos cinco ou seis cérebros é intrigante, isso é. Por que o número cinco? E por que essa dúvida, esse “ou” muito feminino, essa vacilação na definição? E essa irrigação “notável”? Carla Bruni demonstra nessa revelação que o corpo do amor é imaginário e simbólico, não apenas o corpo pobre da biologia. O corpo simbólico-imaginário-real é plural, é exuberante, é incrível, é fora das normas, é desproporcional. É nessa dimensão que ela localiza seu amor por esse homem. Longe da burrice e perto dos cérebros irrigados. Clarice Lispector, à Joyce, preferia a proximidade do coração selvagem. Ora, Carla não é Clarice. Quem disse que o amor tem que ser igual para todos?

Fonte: Chico Caruso in O Globo, 7/6/2008.
Escrito por Leonardo Ferrari às 08h25
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O GRANDE PROBLEMA DE BARACK OBAMA

Fonte: Clay Bennett in Chattanooga Times Free Press, 5/6/2008.
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h15
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QUANDO O DOUTOR APARECE

Fonte: editorial do The New York Times, 3/6/2008.
Na última terça-feira, dia 3, o The New York Times saiu com mais um editorial histórico, inesquecível, brilhante e magnífico. É daquelas páginas imortais do inconformismo, da luta permantente contra a apatia e a babaquice e do melhor dos Estados Unidos. É daqueles editoriais para ser traduzido mundo afora, pregado em todos os postes da cidade, transformado em cartilha de alfabetização e cobrado em qualquer qualificação para doutorado. É absolutamente indispensável. Ele inicia assim:
“O Grande Pânico da Imigração
Algum dia esse país irá reconhecer o verdadeiro custo de sua guerra contra a imigração ilegal. Nós não nos referimos ao custo dos dólares, embora eles superem os bilhões. O verdadeiro custo é o da identidade nacional: o sentido daquilo que nós somos e daquilo que nós valemos. Isso vai nos atingir assim que essa febre acabe, quando nós olharmos para o que fizemos e não mais reconhecermos o país que fez isso. (...)” (fonte: editorial do The New York Times, 3/6/2008).
Seu final é espetacular:
“As crianças um dia irão estudar o Grande Pânico da Imigração acontecido no início do século XXI, que prejudicou incontáveis vidas, que desperdiçou bilhões de dólares e que desprezou os valores mais profundamente agregados desta nação.” (fonte: editorial do The New York Times, 3/6/2008).
E pensar que um dia essa grande nação encomendou à uma poetisa, Emma Lazarus, que gravasse para sempre, na baía de Nova Iorque, aos pés de uma estátua, o seguinte verso:
“Dai-me os seus fatigados, os seus pobres,
As suas massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade
O miserável refugo das suas costas apinhadas.
Mandai-me os sem abrigo, os arremessados pelas tempestades,
Pois eu ergo o meu farol junto ao portal dourado.”
Cabe então lembrar que também um dia as crianças irão perceber que o mesmo jornal que lançou esse manifesto, no dia 18 de maio se perguntou de quem é a floresta amazônica (fonte: Whose Rain Forest Is This, Anyway?, Alexei Barrionuevo, 18/5/2008). E então essas crianças entenderão que um dia esse grande jornal sofreu do sintoma “Doutor Jeckyll e Mister Hyde”. Nesta terça-feira, foi o dia do doutor. Mas, no dia 18, quem apareceu foi o tenebroso Hyde.
Querido New York Times: ao divã, querido jornal, ao divã!
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h23
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É TEMPO DE PARTIR
NORTE s.m. (sXV cf. FichIVPM) 1 direção, na esfera celeste, da extremidade do eixo de giro da Terra situado no hemisfério em que se encontram a Europa, a Ásia e a América [símb.: N] F inicial maiúsc. 2 o pólo norte 3 a estrela Polar 4 fig. direção que se toma; rumo <este deverá ser o meu n.> <perder o n.> n adj.2g. 5 relativo ao norte <latitude n.> n adj.2g.s.m. 6 geo diz-se de ou região, ou conjunto de regiões, que se situa ao Norte [símb.: N.] F inicial maiúsc. 6.1 geo B diz-se de ou região brasileira que abrange Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá e Tocantins F inicial maiúsc. 7 met diz-se de ou vento que sopra do norte ± n. magnético geo direção do ponto de encontro das linhas magnéticas terrestres; difere angularmente da direção do norte verdadeiro pela declinação, cujo valor varia de local para local e com o passar do tempo n. da agulha mar direção para a qual apontam as agulhas magnéticas (bússolas) montadas a bordo de um navio; difere angularmente da direção do norte magnético pelo desvio causado pela interferência dos ferros do navio n. verdadeiro geo o extremo norte do eixo de giro da Terra ¤ etim fr.ant. nort (sXI-XVI, north sXI, atual nord d.1740), de or. germ.; cp. ing. north 'id.', hol.medv. nort 'id.' ¤ sin/var aquilão, áquilo, setentrião, tramontana, travia; ver tb. sinonímia de vento ¤ ant meio-dia, sul - Fonte: Dicionário Houaiss.
“Na estação, já cheirava a outono, a noite estava fresca.
“É tempo de partir também para o norte”, pensou Gurov, saindo da plataforma. “É tempo!”.”
Dmítri Dmítritch Gurov de A.P. Tchekhov, A Dama do Cachorrinho in A Dama do Cachorrinho e Outros Contos. Tradução de Boris Schnaiderman. São Paulo: editora 34, 5ª. ed., 2005, p. 323.
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h26
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SOMENTE AGORA

Fotografia de Mimi Nikolova.
“Aproximou-se dela, segurou-lhe os ombros, para acarinhá-la e gracejar um pouco e, naquele momento, viu-se no espelho.
A cabeça dele já estava começando a ficar grisalha. Pareceu-lhe estranho que, nos últimos anos, tivesse envelhecido tanto e ficado mais feio. Os ombros, em que haviam pousado as mãos dele, eram cálidos e estremeciam. Compadeceu-se daquela vida, que era ainda tão tépida e bonita, mas que, provavelmente, estava próxima de empalidecer e fanar-se, como a vida dele. Por que ela o amava assim? Ele sempre parecera às mulheres uma pessoa diferente daquela que era na realidade e elas amavam nele não a sua própria pessoa, mas um homem criado pela imaginação e que elas procuravam sequiosamente na vida; depois, percebido o engano, continuavam, todavia, a amá-lo. E nenhuma fôra feliz com ele. O tempo passava, Gurov travava relações, unia-se a mulheres, separava-se delas, mas nenhuma vez amara, aquilo podia ser tudo, menos amor.
E somente agora, quando sua cabeça já estava grisalha, ele amava de verdade e como se devia, pela primeira vez na vida.”
Dmítri Dmítritch Gurov de A.P. Tchekhov, A Dama do Cachorrinho in A Dama do Cachorrinho e Outros Contos. Tradução de Boris Schnaiderman. São Paulo: editora 34, 5ª. ed., 2005, pp. 332 e 333.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h21
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ASSIM

Carlotta Champagne.
“- Deixe que olhe para você mais uma vez...uma vez mais...Assim.”
Ana Sierguéievna de A.P. Tchekhov, A Dama do Cachorrinho in A Dama do Cachorrinho e Outros Contos. Tradução de Boris Schnaiderman. São Paulo: editora 34, 5ª. ed., 2005, pp. 322.
Escrito por Leonardo Ferrari às 08h08
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VIVER E VIVER AINDA...
“- Com que vou me justificar? Sou uma mulher má, ignóbil, desprezo-me e nem penso em me defender. Não enganei o marido, mas a mim mesma. E não foi somente agora, mas há muito que me engano. Meu marido talvez seja um homem bom, honesto, mas é um lacaio! Não sei direito o que faz na repartição e como cumpre as obrigações, mas sei somente que é um lacaio. Quando me casei com ele, tinha vinte anos, torturava-me a curiosidade, eu queria encontrar algo melhor. Dizia-me: “Existe, afinal, uma outra vida”. Tinha vontade de viver! Viver e viver ainda...Abrasou-me a curiosidade...você não compreende isto, mas, juro por Deus, eu não me possuía mais, ninguém me poderia deter. Disse ao marido que estava doente e vim para cá...E, aqui, estava sempre andando como que atordoada, como uma louca...e eis que me tornei uma mulher infame, vulgar, e qualquer um pode me desprezar.”
Ana Sierguéievna de A.P. Tchekhov, A Dama do Cachorrinho in A Dama do Cachorrinho e Outros Contos. Tradução de Boris Schnaiderman. São Paulo: editora 34, 5ª. ed., 2005, pp. 319-320.
Escrito por Leonardo Ferrari às 08h16
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