Blog do Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba (PR) leobelferrari@uol.com.br


ANDRÉIA

Andréia Schwartz fotografada por Ângelo Pastorello para a revista Sexy de maio/2008 – publicada por Anna Ramalho in Jornal do Brasil, 26/4/2008.

 

         Eis aí a prima de meu querido amigo, jornalista e doutor em Literatura, Christian Schwartz. Suas aulas na universidade são as mais concorridas, seus trabalhos são magníficos, seus artigos espetaculares. E a prima? Bom, a prima, pois é, essa prima do Christian é, como colocar bem as palavras, ela me parece, e se não me engano nessa hora, ela tem algo que, e é preciso dizer, ela definitivamente, não estou me expressando de acordo, mas é que ela faz algo comigo que se chama, que se fogo, que se inflama, mas não é nada disso, é outra coisa que eu queria declarar sobre ela, é que ela, nesse esplendor todo, toda espírito, toda santa – santa? -, ela, a legítima brasileira que o Llosa imortalizou no Pantaleão, ela, essa brasileira que comeu a maçã, ela, que deixou aquele lá de quatro – literalmente – ela, que encarnou a liberdade, que encarna qualquer fantasia que vier, menos a de estátua, ela que desliza, ela que é móvel, como pluma ao vento, ela, graciosa, ela, porto dos infelizes – porto alegre! – ela, que fala de idéias, que muda de pensamento, ela é essa que balança mais que um poema, a caminho do mar. Isso. Ela é a que caminha – e o mundo inteirinho se enche de graça. Essa é Andréia Schwartz.



Escrito por Leonardo Ferrari às 07h47
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IRREPRIMÍVEL

Marina Tsvetaeva.

“Marina Tsvetaeva, a grande poeta russa aniquilada pelo estalinismo, lembrou certa vez que o poeta não vive para escrever. Ele escreve para viver.”

Fonte: última frase do discurso de Juan Gelman no recebimento do Prêmio de Literatura de Língua Castelhana Miguel de Cervantes ontem em Alcalá de Henares, a cidade em que nasceu Miguel de Cervantes há 461 anos – publicado in Página 12, 24/4/2008.

“Abro as veias: irreprimível,
Irrecuperável, a vida vaza.
Ponham embaixo vasos e vasilhas!
Todas as vasilhas serão rasas,
Parcos os vasos.

         Pelas bordas - à margem -
Para os veios negros da terra vazia,
Nutriz da vida, irrecuperável,
Irreprimível, vaza a poesia.”

Marina Tsvetaeva

(Tradução de Augusto de Campos)



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h35
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DE PÉ

Fonte: Página 12, 24/4/2008.

 

         É para ler, colar nas paredes de todos os bares, recitar pelas ruas das cidades, é para viver. É um sonho de outro sonho, é um ato contra a morte, é o retorno da vida em toda a sua magnitude, em toda a sua luminosidade. Ontem o poeta Juan Gelman recebeu na Espanha o prêmio Miguel de Cervantes. Um trecho de seu inesquecível, belíssimo e impressionante discurso:   

 

“E é algo verdadeiramente admirável nestes “Dürftiger Zeite”, esses tempos mesquinhos, esses tempos de penúria, como o qualificava Hölderlin perguntando-se “Wozu Dichter”, para que poetas? O que teria dito ele nesse mundo em que, a cada três segundos e meio, uma criança menor de cinco anos morre de doenças curáveis, morre de fome e de pobreza? Eu me pergunto quantas morreram desde que comecei a dizer essas palavras. Mas aqui está a poesia: de pé contra a morte.

         Safo falou do belo jardim em que “a água fresca rumoreja entre os ramos das macieiras, todo o lugar à sombra das roseiras e dos ramos agitados o sonho vinha”; Mallarmé conheceu a nudez dos sonhos dispersos enquanto que Santa Teresa recolhia as imagens e os fantasmas dos objetos que movem apetites; San Juan bebeu o vinho do amor que só é servido em uma taça enquanto que Cavalcanti vi a mulher que enchia de claridade o ar; Hildegarda de Bingen chorou as suaves lágrimas da dor do pecado, e tanta beleza cheia de mais vida que causa o balançar de todo o ser. Não será a palavra poética o sonho de outro sonho?

         Santa Teresa e San Juan de la Cruz tiveram para mim um significado muito particular no exílio que me condenou a ditadura militar argentina. Sua leitura, desde outro lugar, me reuniu com o que eu mesmo sentia, ou seja, a presença ausente do amado, Deus para eles, o país do qual fui expulso para mim. E quanta companhia do impossível me trouxeram. Esse é um destino “que não é senão morrer muitas vezes”, comprova Teresa D’Ávila. E eu morria muitas vezes e em cada vez, com cada notícia de um amigo ou companheiro assassinado ou desaparecido, que agravava ainda mais a perda do amado. A ditadura militar argentina desapareceu com 30.000 pessoas e é importante assinalar que a palavra “desaparecido” é uma só, porém ela contém quatro conceitos: o seqüestro de cidadãos e cidadãs presos, sua tortura, seu assassinato e a desaparição de seus restos mortais no fogo, no mar ou em terra ignorada. O Quixote me abriu então mananciais de consolo.

         Li-o pela primeira vez em minha adolescência e com prazer extremo depois de cruzar, não sem muito esforço, a barreira das imposições escolares. Me cutucava uma pergunta: como foi o homem, don Miguel? Eu conhecia sua vida de pobreza, de sofrimento, suas prisões, seu cativeiro em Argel, sua participação em Lepanto, as tentativas fracassadas de melhorar a sua sorte. Mas, quem era ele? Eu relia seu auto-retrato, que ele escreveu nas Novelas Exemplares: “Este que vês aqui, de rosto aquilino, de cabelo castanho, testa lisa e descarregada”, e isso nada me dizia, salvo a menção de seus “olhos alegres”. Eu compreendi então que ele estava em seus escritos. Me dediquei a eles e ainda hoje creio às vezes escutar suas gargalhadas quando colocava o Cavaleiro da Triste Figura no papel. Só quem, desde a dor, escreve com verdadeiro gozo, pode dar a seus leitores um gozo semelhante. Cômico é o rosto da tragédia quando ela se olha a si mesma.”

 

“Y es algo verdaderamente admirable en estos “Dürftiger Zeite”, estos tiempos mezquinos, estos tiempos de penuria, como los calificaba Hölderlin preguntándose “Wozu Dichter”, para qué poetas. ¿Qué hubiera dicho hoy, en un mundo en el que cada tres segundos y medio un niño menor de cinco años muere de enfermedades curables, de hambre, de pobreza? Me pregunto cuántos habrán fallecido desde que comencé a decir estas palabras. Pero ahí está la poesía: de pie contra la muerte.

Safo habló del bello huerto en el que “un agua fresca rumorea entre las ramas de los manzanos, todo el lugar sombreado por las rosas y del ramaje tembloroso el sueño descendía”, Mallarmé conoció la desnudez de los sueños dispersos, Santa Teresa recogía las imágenes y los fantasmas de los objetos que mueven apetitos, San Juan bebió el vino de amor que sólo una copa sirve, Cavalcanti vio a la mujer que hacía temblar de claridad el aire, Hildegarda de Bingen lloró las suaves lágrimas de la compunción, y tanta belleza cargada de más vida causa el temblor de todo el ser. ¿No será la palabra poética el sueño de otro sueño?

Santa Teresa y San Juan de la Cruz tuvieron para mí un significado muy particular en el exilio al que me condenó la dictadura militar argentina. Su lectura desde otro lugar me reunió con lo que yo mismo sentía, es decir, la presencia ausente de lo amado, Dios para ellos, el país del que fui expulsado para mí. Y cuánta compañía de imposible me brindaron. Ese es un destino “que no es sino morir muchas veces”, comprobaba Teresa de Avila. Y yo moría muchas veces y más con cada noticia de un amigo o compañero asesinado o desaparecido que agrandaba la pérdida de lo amado. La dictadura militar argentina desapareció a 30.000 personas y cabe señalar que la palabra “desaparecido” es una sola, pero encierra cuatro conceptos: el secuestro de ciudadanas y ciudadanos inermes, su tortura, su asesinato y la desaparición de sus restos en el fuego, en el mar o en suelo ignoto. El Quijote me abría entonces manantiales de consuelo.

Lo leí por primera vez en mi adolescencia y con placer extremo después de cruzar, no sin esfuerzo, la barrera de las imposiciones escolares. Me acuciaba una pregunta: ¿cómo habrá sido el hombre, don Miguel? Conocía su vida de pobreza y sufrimiento, sus cárceles, su cautiverio en Argel, su Lepanto, los intentos fallidos de mejorar su suerte. Pero él, ¿quién era? Releía el autorretrato que trazó en el prólogo de las Novelas Ejemplares: “Este que veis aquí, de rostro aguileño, de cabello castaño, frente lisa y desembarazada”, que nada me decía, salvo la mención de sus “alegres ojos”. Comprendí entonces que él era en su escritura. Me interno en ella y aún hoy creo a veces escuchar sus carcajadas cuando acostaba al Caballero de la Triste Figura en el papel. Sólo quien, desde el dolor, ha escrito con verdadero goce puede dar a sus lectores un gozo semejante. Cómico es el rostro de la tragedia cuando se mira a sí misma.”

 

Fonte: discurso de Juan Gelman no recebimento do Prêmio de Literatura de Língua Castelhana Miguel de Cervantes ontem em Alcalá de Henares, a cidade em que nasceu Miguel de Cervantes há 461 anos – publicado in Página 12, 24/4/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h25
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FÁLICO

Fonte: Jornal do Brasil, 23/4/2008.

 

Ele está no meio de nós. Chegou ontem ao Brasil o porta-aviões USS George Washington. Não há nada mais fálico no mundo militar do que ele. É grande, é gigantesco, é titânico. É alto, duas vezes mais alto que a estátua do Cristo Redentor (comparação perfeita – o que é o Cristo perto do Washington?). É nuclear, poderosamente nuclear. E até levanta vôo. Não há nada mais fálico. Ele é a encarnação perfeita da diplomacia do porrete apregoada por aquele outro presidente, o Roosevelt – o famoso “Big Stick”. Porrete? Grande? Não há nada mais fálico. Muito antes de Guy Debord publicar “A Sociedade do Espetáculo”, a marinha dos Estados Unidos já sabia que o poder precisa desfilar, precisa dar show, precisa circular por aí, precisa penetrar em águas inimigas, precisa invadir, precisa mostrar presença. Espetáculo é com o George Washington mesmo. Por onde ele passa, a inveja se dissemina. Por que o deles é maior que o nosso Minas Gerais ou o mais moderno São Paulo (nossa marinha ainda está no café-com-leite)? Por que o deles é mais alto? Por que o deles é nuclear? Agora, nossos mosquitos eles não têm. Nossos mosquistos não são nucleares, mas são letais. Nossos mosquistos não são maiores, mas são cumpridores. O Aedes é a nossa salvação.



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h38
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FURIOSO

Alena Seredova em anúncio da Triumph in La Repubblica, p. 30 e 31, 22/4/2008.

 

         Lendo o La Repubblica, meu olhar parou em Alena Seredova. Nada vi antes, porém, depois dela, topei com Jorge Luis Borges nas páginas 48 e 49. Lá está uma reflexão do escritor sobre os labirintos, em uma conversa que teve em 1981 com Achille Bonito Oliva. Em determinado momento, Borges lembra de Chesterton que dizia:

 

         “Nós somos aquilo que temíamos, um labirinto sem centro”.

 

         Em outro, Borges fala de Ariosto:

 

         “Ariosto é um labirinto feliz, é como um rio com tantas sinuosidades, não é um labirinto no sentido de, digamos, Henry James ou Kafka...(...) em Ariosto é outra coisa, é um labirinto feliz, no sentido de uma selva (...)”.

 

         Alena Seredova e Borges, labirintos. Há uma porta aberta neste anúncio. Entrada para um labirinto? Triunfo ou perda?

 

         “Por amor tornou-se furioso e louco

         o homem que tão sábio era estimado antes.”

        

Ludovico Ariosto.

 

“Oliva – Que coisa significa para o senhor a palavra “labirinto”?

Borges - «Ela sugere qualquer coisa de terrível. Antigamente ela se referia às galerias dos minérios, o labirinto... É curioso que em Chaucer, no século XIV, o “labirinto”é um labirinto que se move, feito de juncos, circular, muito estranho. Eu li também que Dürer o imaginava giratório. Dürer sim se perdia neste labirinto que gira, um labirinto que se entra e se sai rapidamente, círculo móvel. “Labirinto” escrevamos, que bela palavra, ela até inventa personagens...o Minotauro...».

Oliva – O senhor pensa que os círculos do inferno [em Dante] podem ser considerados uma espécie de labirinto?

Borges - «É claro que sim».

Oliva – O labirinto, até o Renascimento, foi uma estrutura em que se chegava sempre ao centro dele; depois do Renascimento, com o Maneirismo, em vez disso, o labirinto se transforma no lugar da perda, não mais do encontro. Assim, parece que este labirinto, que começa com o Maneirismo e com o Barroco, é o mais próximo de nossa sensibilidade.

Borges - «Chesterton disse: “Nós somos aquilo que temíamos, um labirinto sem centro”. Ele utilizou uma expressão de angústia cósmica, não?».

 

 

“Oliva - Cosa significa per lei la parola "labirinto"?

Borges - «Suggerisce qualcosa di terribile. Anticamente si riferiva alle gallerie delle miniere, il labirinto... E´ curioso, in Chaucer nel XIV secolo, il "labirinto" è un labirinto che si muove, fatto di giunchi, circolare, molto strano; e ho letto che il labirinto, Dürer se lo immaginava girevole, ma Dürer si era perso nel labirinto che gira, ma dal labirinto si entra e si esce rapidamente, una specie di circolo mobile, "Laborintus" scriviamo, che bella parola, inventa figure... il Minotauro...».

Oliva - Secondo lei, i gironi dell´inferno possono essere considerati una specie di labirinto?

Borges - «Forse sì».

Oliva - Il labirinto fino al Rinascimento era una struttura in cui si arrivava sempre al centro; dopo il Rinascimento, col manierismo, invece, il labirinto diventa il luogo della perdita, quindi esiste un labirinto che è più vicino alla nostra sensibilità e che comincia col manierismo e col barocco.

Borges - «Chesterton ha detto: "Noi siamo quello che noi tutti temiamo, un labirinto senza centro". Lui ha usato un´espressione di timore cosmico, no?».

 

Fonte: Achille Bonito Oliva in La Repubblica, 22/4/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 07h21
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QUARENTA ANOS DEPOIS

“Vocês são os produtos da Universidade, e comprovam que a mais-valia são vocês, quando menos no seguinte, que não apenas consentem, mas aplaudem, e ao que eu não teria por que fazer objeções – é que saem dali vocês próprios equiparados a mais ou menos créditos. Vocês vêm aqui tornar-se créditos. Saem daqui etiquetados como créditos, unidades de valor.”

Jacques Lacan em Vincennes no dia 3 de dezembro de 1969 in “Analyticon”, O Seminário – Livro 17. O Avesso da Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed., 1992, p. 191.

         O indispensável Babelia vem essa semana com um dossiê de 40 páginas sobre o Maio de 68. No artigo de abertura, Josep Ramoneda faz uma belíssima reflexão sobre o que restou dessa data.

“O paradigma que foi aberto há quarenta anos com a contestação das formas de autoridade dominantes, tanto em um lado como do outro da guerra fria, se esgotou. A transição liberal culminou com a ruína dos sistemas de tipo soviético e com a fantasia de que o triunfo da democracia liberal significaria o fim da história. Depois veio a restauração conservadora que culminou na guerra contra o Iraque, após a imposição do discurso da segurança como forma de autoritarismo na sociedade de informação. Como escreveu Fred Halliday, seria a invasão norte-americana do Iraque em 2003, no que concerne aos ideais e à legalidade da intervenção humanitária, a mesma coisa que foi a invasão da Hungria em 1956 e da Tcheco-Eslováquia em 1968 para o comunismo internacional? Um ciclo se fecha.

Para mim, o melhor da herança de 1968 é a cultura da suspeita, a atitude que consiste em pôr sempre em questão qualquer enunciado que nos é colocado à frente e não dar nunca por acabado as idéias recebidas; e o tom literário, a autonomia do indivíduo diante de todas as promessas comunitárias, culturais ou religiosas. Quarenta anos depois, essas duas atitudes fazem falta, pelo menos no que diz respeito à emergência das novas formas de autoritarismo, baseadas no triângulo que formam: a segurança como ideologia, a competitividade como princípio de vida e o salve-se quem puder como destino.”

“El paradigma que se abrió hace cuarenta años con la contestación de las formas de autoridad dominantes, a uno y otro lado de la guerra fría, se ha agotado. La transición liberal culminó con el hundimiento de los sistemas de tipo soviético y con la fantasía de que el triunfo de la democracia liberal significaba el fin de la historia. Después vino la restauración conservadora que se estrelló en la guerra contra Irak tras imponer el discurso de la seguridad como forma del autoritarismo en la sociedad de la información. Como ha escrito Fred Halliday, ?la invasión norteamericana de Irak en 2003 supuso para los ideales y para la legalidad de la intervención humanitaria lo mismo que supuso la invasión de Hungría en 1956 y de Checoslovaquia en 1968 para el comunismo internacional?. Un ciclo se cierra.

Para mí, lo mejor de la herencia del 68 es la cultura de la sospecha, la actitud que consiste en poner siempre en cuestión cualquier enunciado que se nos ponga por delante y no dar nunca por definitivas las ideas recibidas; y el acento libertario, la autonomía del individuo frente a todas las promesas comunitaristas, culturales o religiosas. Cuarenta años después estas dos actitudes se echan de menos a la hora romper las nuevas formas de autoritarismo basadas en el triángulo que forman la seguridad como ideología, la competitividad como principio de vida y el sálvese quien pueda como destino.”

Fonte: Josep Ramoneda in El País, 19/4/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 08h53
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IRREALIDADE

Focos de incêndios que produziram a fumaça que invadiu Buenos Aires desde quinta-feira, em uma imagen de satélite da NASA de 17 de abril in El País, 19/4/2008.

 

“Porque Buenos Aires es hondo, y nunca, en la desilusión o el penar, me abandoné a sus calles sin recibir el inesperado consuelo, ya de sentir irrealidad, ya de guitarras desde el fondo de un patio, ya de roce de vidas.”

 

         “Porque Buenos Aires é profunda, e nunca, na desilusão ou no penar, abandonei-me a suas ruas sem receber inesperado consolo, seja por sentir irrealidade, seja pelas guitarras ao fundo de um pátio, seja pelo roçar de vidas.”

 

         Jorge Luis Borges, “Palermo de Buenos Aires” in “Evaristo Carriego”, 1930. Obras Completas v. I. São Paulo: Globo, 1998.



Escrito por Leonardo Ferrari às 08h13
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