Blog do Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba (PR) leobelferrari@uol.com.br


UM A MAIS, UM A MENOS...


Fonte: Chico Caruso in O Globo, 5/4/2008.

Escrito por Leonardo Ferrari às 09h17
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SOB O CÉU QUE NÃO NOS PROTEGE

Fonte: Jornal do Brasil, 28/3/2008.

 

         Não bastasse Marcelo Rossi e Ivete Sangalo, há também esse telefonema de Lula ao inominável George W. Bush. Resultado: o Brasil está fora do escudo antimísseis dos Estados Unidos. O Brasil não entrou. O Brasil não terá nem uma mísera base de mísseis interceptores, nem uminha. O Brasil não possuirá nenhuma estação de radar, nada.  Quem vai nos proteger dos ataques atômicos? Quem vai nos proteger dos russos? Quem vai nos proteger da Al-Qaeda? Quem vai nos proteger de Henrique Meirelles – êpa, esse é aliado, desculpe. Estamos a céu descoberto. Essa é a nossa condição. Os Estados Unidos resolveram o problema – nos deixaram de fora. A Europa está lá dentro. Um pedaço da África também entrou. Até Cuba está protegida! Nós não. Nenhum escudo à vista. Nenhuma proteção da sexta frota, nem da quinta, nem de nenhuma. Só nos resta o capitão Nascimento e o presidente. Pão pelo menos não vai faltar. Quanto ao circo, já estamos habituados...

 

Fonte: El País, 4/4/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 13h57
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A SÍNTESE PERFEITA

“Padre Marcelo Rossi e Ivete Sangalo lideram vendas de CDs e DVDs no país”

Fonte: primeira página da Folha de São Paulo, 3/4/2008.

 

         Brasil e Canadá. A primeira página da Folha de São Paulo e o cartum de Tab no The Calgary Sun são um resumo da ópera. Um reza desesperado, a outra grita enlouquecida e o outro come sem parar. Como é mesmo o nome daquela obra já esquecida de Freud? O mal-estar na cultura?

 

Fonte: Tab in The Calgary Sun, 3/4/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h53
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RETRATO DE UM ARTISTA

               Ángeles García foi escutar o artista español Antonio López em Madri. Sua resposta sobre seu trabalho entra para a antologia deste blog. É isso o inconsciente.

            “A minha geração não viajava, ainda que necessitássemos disso. Não tínhamos como fazê-lo. Meu trabalho me ancorou muito em um lugar concreto. De qualquer forma, eu viajo muito hoje. Eu penso como esses que dizem que, conhecendo muito a uma mulher, se conhecem todas. Pois, conhecendo bem um lugar, Madri em meu caso, se conhecem todos os lugares. Creio nisso sinceramente, embora eu não tenha decidido isso. Eu não decidi a minha vida, tenho essa sensação. Fui obediente a algo que me fez fazer as coisas de uma determinada maneira. É a sensação que tenho.”

         Fonte: entrevista de Antonio López a Ángeles García in El País, 3/4/2008.

 



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h41
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A PRIMEIRA VEZ

Fonte: Zero Hora, 2/4/2008.

 

         Renato Mendonça, na Zero Hora de hoje, fez algo muito bonito. Trata-se de uma homenagem aos 25 anos da peça “Bailei na Curva”. Renato foi ouvir o diretor, ator e roteirista da peça, Júlio Conte, hoje psicanalista em Porto Alegre. Também emocionante o depoimento de Ângela Ravazzolo sobre a primeira vez que assistiu a peça. Só o título do depoimento já é de uma singeleza, de uma poesia maravilhosa: “Minha primeira vez”. Belíssimo. Aliás, o próprio título da reportagem de Renato também é uma epifania: “Há muito tempo que ando”. Que maravilha! E o nome da peça? “Bailei na Curva” – espetacular! Cada significante com uma leveza, uma cadência, uma ressonância tão íntima, tão doce e ao mesmo tempo tão amarga. Bailei, dancei, andei, curva, quebrada, caminho, estrada, e esse “na” muito querido de lugar, de pago, de querência, de país, de cidade, de vida. Amanhã, na querida Porto Alegre, neste inesquecível Theatro São Pedro, Bailei na Curva retorna. Retorna? Ela nunca saiu de meu coração. Nunca.

 

Minha primeira vez, ÂNGELA RAVAZZOLO in Zero Hora, 2/4/2008

 

Foi lá em 1984 a minha primeira vez. Perto de completar 15 anos, um rapaz me convidou para acompanhá-lo. Eu fui. Estava curiosa, já tinha ouvido falar muito bem, mas não sabia bem como seria. Mudou minha vida.

Sem medo de exagero ou pieguice, posso dizer que Bailei na Curva mudou a minha vida. Assistir ao espetáculo no Teatro do IPE, em Porto Alegre, significou a descoberta de que o mundo da arte traz possibilidades infinitas. Na adolescência, quando algo assim acontece, a gente se sente um Napoleão Bonaparte. Pois ali, naquela noite, decidi que seria atriz (a carreira não vingou, mas isso não vem ao caso agora). O impacto da peça foi tão forte que ainda tenho bem claros na memória alguns dos trechos divertidos do texto (um deles é quando um personagem fala no sonho de ter "um corcel, cor de mel, com som a fuzel") ou as marias-chiquinhas da Lúcia Serpa. Sem falar que sei quase de cor a letra de Horizontes - escrevi, copiei e recopiei os versos de Flávio Bicca Rocha em todos os meus cadernos do Segundo Grau.

Bailei me apresentou também a ditadura militar. Certamente, não tinha maturidade suficiente à época para compreender a gravidade do debate que se colocava no palco apenas cinco anos após a anistia de 1979. Mas com o drama adulto dos personagens acordei e saí por aí cheia de curiosidade. Descobri a arte, e hoje pouco importa que eu seja uma péssima atriz.

Aquela noite foi a minha primeira vez no teatro, Bailei foi a primeira peça adulta a que assisti. E posso garantir: fez toda a diferença.



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h12
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RICERCA

Étreinte (“Abraço”) de Pablo Picasso. Uma aquarela feita aos vinte anos, retratando o pintor com Louise Lenoir, Odette, uma de suas primeiras amantes em Paris. A obra, autenticada por Picasso em 1969, estava empilhada, junto com outras, em uma casa no sul da Inglaterra. Vai a leilão na próxima quinta-feira (fonte: El País, 1/4/2008).

 

            Étreinte me lembrou Valentine. Terá sido aos vinte? Não, foi um pouco mais tarde. Mas o abraço aconteceu – e a busca desesperada, a busca irrefreada, a busca sem pé nem cabeça, a busca no escuro, a busca pela busca – essa foi a que ficou, essa foi a que restou. Valentine não é só um nome.

La Lussuria è la ricerca carnale dell’ignoto”

“A Luxúria é a busca carnal do desconhecido”

Valentine de Saint-Paul in Manifesto Futurista della Lussuria, 1913.



Escrito por Leonardo Ferrari às 07h23
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AFOGADOS

“El Ensueño”. Fotografia de Manuel Álvarez Bravo, México, 1931.

        

“Cada sílaba é tão densa quanto as personagens, absoluta quanto elas, é vital para assim deixar seus verdadeiros sentimentos aparecerem. Cada palavra é infinitamente rica, 'tem sótão e tem porão', como diz Antunes, com referência a Bachelard, tem que se honrar seu valor, seu poder. (...)

O inconsciente, através do lapso, se manifesta. Cada palavra é desmontada em seus mínimos componentes, cada sílaba é escolhida minuciosamente por um mecanismo que não conhecemos, mas que existe. É selecionada por aquela parte de nós mesmos que normalmente se cala.

Resumindo, só através da fidelidade a cada sílaba podemos mostrar o sentimento nelas contido, não precisando fazer mais nada, aparentemente. Mas só fazer isso já é o maior desafio para um ator e para um diretor.”

 

Diário da atriz Valentina Lattuada sobre o período de ensaios e pesquisas para Senhora dos Afogados de Nelson Rodrigues, com a direção de Antunes Filho – teatro SESC Anchieta, São Paulo, citado por Ubiratan Brasil in O Estado de São Paulo, 30/3/2008.

 

“Senhora dos Afogados” estreou sexta-feira em São Paulo. Quem, senão Nelson Rodrigues, é capaz de fazer uma personagem falar fora de si, desvairada?

 

“E por que não castigas nas mãos? As mãos são mais culpadas no amor...Pecam mais...Acariciam...O seio é passivo; a boca apenas se deixa beijar...O ventre apenas se abandona...Mas as mãos, não...São quentes e macias...E rápidas...E sensíveis...Correm no corpo...”

Moema in Senhora dos Afogados. Teatro Completo de Nelson Rodrigues v. 2. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981, p. 308.

 

Quem, senão Nelson Rodrigues, para nos tirar do torpor da imbecilidade cotidiana, nos tirar do marasmo do mesmo e nos jogar na radical diferença do real? Quem, senão Nelson Rodrigues, para falar desse mecanismo que não conhecemos, mas que está lá, à espreita, à revelia, à socapa, à sorrelfa, no vão, no desvio. Quem, senão Nelson Rodrigues, nessas horas tão incertas, tão mesquinhas, tão corrosivas? Quem, senão Nelson Rodrigues, para perceber o lapso, para evidenciar o equívoco, para apontar a palavra?

          Quem, senão Nelson Rodrigues?



Escrito por Leonardo Ferrari às 08h09
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SONHOS

Fotografia de Fabrice Robin.

 

Em seu magnífico blog, Antonio Cicero trouxe o discurso que o escritor moçambicano Mia Couto fez em homenagem a Jorge Amado no SESC Pinheiros, em São Paulo, no dia 25 de março. Absolutamente maravilhoso! Já está devidamente emoldurado na parede lá de casa. Sensacional! Epifânico! 

 

“SONHAR EM CASA, Mia Couto

Eu venho de muito longe e trago aquilo que eu acredito ser uma mensagem partilhada pelos meus colegas escritores de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe. A mensagem é a seguinte: Jorge Amado foi o escritor que maior influência teve na génese da literatura dos países africanos que falam português.

A nossa dívida literária com o Brasil começa há séculos atrás, quando Gregório de Mattos e Tomaz Gonzaga ajudaram a criar os primeiros núcleos literários em Angola e Moçambique. Mas esses níveis de influência foram restritos e não se podem comparar com as marcas profundas e duradouras deixadas pelo autor baiano.

Deve ser dito, (como uma confissão à margem) que Jorge Amado fez pela projecção da nação brasileira mais do que todas as instituições governamentais juntas. Não se trata de ajuízar o trabalho dessas instituições, mas apenas de reconhecer o imenso poder da literatura. Nesta sala, estão outros que igualmente engrandeceram o Brasil e criaram pontes com o resto do mundo. Falo, é claro, de Chico Buarque e Caetano Veloso. Para Chico e Caetano, vai a imensa gratidão dos nossos países que encontraram luz e inspiração na vossa música, na vossa poesia. Para Alberto Costa e Silva vai o nosso agradecimento pelo empenho sério no estudo da realidade histórica do nosso continente.

Nas décadas de 50, 60 e 70, os livros de Jorge cruzaram o Atlântico e causaram um impacto extraordinário no nosso imaginário colectivo. É preciso dizer que o escritor baiano não viajava sozinho: com ele chegavam Manuel Bandeira, Lins do Rego, Jorge de Lima, Erico Veríssimo, Raquel de Queiroz, Drummond de Andrade, João Cabral Melo e Neto e tantos, tantos outros.

Em minha casa, meu pai - que era e é poeta - deu o nome de Jorge a um filho e de Amado a um outro. Apenas eu escapei dessa nomeação referencial. Recordo que, na minha família, a paixão brasileira se repartia entre Graciliano Ramos e Jorge Amado. Mas não havia disputa: Graciliano revelava o osso e a pedra da nação brasileira. Amado exaltava a carne e a festa desse mesmo Brasil.

Neste breve depoimento eu gostaria de viajar em redor da seguinte interrogação: porquê este absoluto fascínio por Jorge Amado, porquê esta adesão imediata e duradoura?

É sobre algumas dessas razões do amor por Amado que eu gostaria de falar aqui.

É evidente que a primeira razão é literária, e reside inteiramente na qualidade do texto de escritor baiano.

Eu tenho para mim que o maior inimigo do escritor pode ser a própria literatura. Pior que não escrever um livro, é escrevê-lo demasiadamente. Jorge Amado soube tratar a literatura na dose certa, e soube permanecer, para além do texto, um exímio contador de histórias e um notável criador de personagens. Recordo o espanto de Adélia Prado que, após a edição dos seus primeiros versos confessou "eu fiz um livro e, meu Deus, não perdi a poesia..." Também Jorge escreveu sem deixar nunca de ser um poeta do romance. Este era um dos segredos do seu fascínio: a sua artificiosa naturalidade, a sua elaborada espontaneidade.

Hoje, ao reler os seus livros, ressalta esse tom de conversa intíma, uma conversa à sombra de uma varanda que começa em Salvador da Baía e se estende para além do Atlântico. Nesse narrar fluído e espreguiçado, Jorge vai desfiando prosa e os seus personagens saltam da página para a nossa vida quotidiana.

O escritor Gabriel Mariano de Cabo Verde escreveu o seguinte:

“Para mim a descoberta de Amado foi um alumbramento porque eu lia os seus livros e estava a ver a minha terra. E quando encontrei o Quincas Berro d'Água eu estava a vê-lo na Ilha de São Vicente, na minha rua de Passá Sabe.”

Esta familiaridade exisitencial foi, certamente, um dos motivos do fascínio nos nossos países. Os seus personagens eram vizinhos não de um lugar, mas da nossa própria vida. Gente pobre, gente com os nossos nomes, gente com as nossas raças passseavam pelas páginas do autor brasileiro. Ali estavam os nossos malandros, ali estavam os terreiros onde falamos com os deuses, ali estava o cheiro da nossa comida, ali estava a sensualidade e o perfume das nossas mulheres. No fundo, Jorge Amado nos fazia regressar a nós mesmos.

Em Angola, o poeta Mario António e o cantor Ruy Mingas compuseram uma canção que dizia:

“Quando li Jubiabá me acreditei Antônio Balduíno. Meu Primo, que nunca o leu ficou Zeca Camarão.”

E era esse o sentimento: António Balduino já morava em Maputo e em Luanda antes de viver como personagem literário. O mesmo sucedia com Vadinho, com Guma, com Pedro Bala, com Tieta, com Dona Flor e Gabriela e com tantos os outros fantásticos personagens.

Jorge não escrevia livros, ele escrevia um país. E não era apenas um autor que nos chegava. Era um Brasil todo inteiro que regressava a África. Havia pois uma outra nação que era longínqua mas não nos era exterior. E nós precisávamos desse Brasil como quem carece de um sonho que nunca antes souberamos ter. Podia ser um Brasil tipificado e mistificado mas era um espaço mágico onde nos renasciamos criadores de histórias e produtores de felicidade.

Descobríamos essa nação num momento histórico em que nos faltava ser nação. O Brasil - tão cheio de África, tão cheio da nossa língua e da nossa religiosidade - nos entregava essa margem que nos faltava para sermos rio.

Falei de razões literárias e outras quase ontológicas que ajudam a explicar porque Jorge é tão Amado nos países africanos. Mas existem outros motivos, talvez mais circunstânciais.

Nós vivíamos sob um regime de ditadura colonial. As obras de Jorge Amado eram objecto de interdição. Livrarias foram fechadas e editores foram perseguidos por divulgarem essas obras. O encontro com o nosso irmão brasileiro surgia, pois, com épico sabor da afronta e da clandestinidade. A circunstância de partilharmos os mesmos subterrâneos da liberdade também contribuiu para a mística da escrita e do escritor. O angolano Luandino Vieira, que foi condenado a 14 anos de prisão no Campo de Concentração do Tarrafal, em 1964 fez passar para além das grades uma carta em que pedia o seguinte:

“Enviem o meu manuscrito ao Jorge Amado para ver se ele consegue publicar lá, no Brasil...”

Na realidade, os poetas nacionalistas moçambicanos e angolanos ergueram Amado como uma bandeira. Há um poema da nossa Noémia de Sousa que se chama Poema de João, escrito em 1949 e que começa assim:

“João era jovem como nós João tinha os olhos despertos, As mãos estendidas para a frente, A cabeça projectada para amanhã, João amava os livros que tinham alma e carne João amava a poesia de Jorge Amado.”

E há, ainda, uma outra razão que poderíamos chamar de linguistica. No outro lado do mundo, se revelava a possibilidade de um outro lado da nossa língua.

Na altura, nós carecíamos de um português sem Portugal, de um idioma que, sendo do Outro, nos ajudasse a encontrar uma identidade própria. Até se dar o encontro com o português brasileiro, nós falavamos uma língua que não nos falava. E ter uma língua assim, apenas por metade, é um outro modo de viver calado. Jorge Amado e os brasileiros nos devolviam a fala, num outro português, mais açucarado, mais dançável, mais a jeito de ser nosso.

O poeta maior de Moçambique, José Craveirinha, disse o seguinte numa entrevista:

“Eu devia ter nascido no Brasil. Porque o Brasil teve uma influência tão grande que, em menino eu cheguei a jogar futebol com o Fausto, o Leonidas da Silva, o Pelé. Mas nós éramos obrigados a passar pelos autores clássicos de Portugal. Numa dada altura, porém, nós nos libertámos com ajuda dos brasileiros. E toda a nossa literatura passou a ser um reflexo da Literatura Brasileira. Quando chegou o Jorge Amado, então, nós tínhamos chegado a nossa própria casa.”

Craveirinha falava dessa grande dádiva que é podermos sonhar em casa e fazer do sonho uma casa. Foi isso que Jorge Amado nos deu. E foi isso que fez Amado ser nosso, africano, e nos fez, a nós, sermos brasileiros. Por ter convertido o Brasil numa casa feita para sonhar, por ter convertido a sua vida em infinitas vidas, nós te agradecemos companheiro Jorge.

Muito obrigado.

Mia Couto.”



Escrito por Leonardo Ferrari às 07h52
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