Blog do Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba (PR) leobelferrari@uol.com.br


A CULPA É DO GOVERNO

Será que esse “case” será estudado nas “Business School” brasileiras?

Fonte: O Globo, 9/2/2008.

 

O Jornal Nacional de ontem foi histórico. Ele mostrou o depoimento do presidente da Volkswagen “do Brasil”, sr. Thomas Schmall, sobre os acidentes causados pelo automóvel Fox produzidos antes de 2006. Vale a pena ir atrás dele e também comprar o jornal O Globo de hoje para ler a excelente reportagem de Eduardo Sodré sobre esse tema. No Brasil, é muito comum se culpar a política de tudo. Por que o preço do carro é tão alto? “São os impostos”, grita a indústria. Por que não há mais itens de segurança? “São os impostos”, berram as empresas. É um país muito condescendente com as empresas e empresários, principalmente se forem de outros países. Por exemplo, a indústria farmacêutica deita e rola no Brasil. Nos Estados Unidos onde ela leva processos milionários de consumidores prejudicados, ela pia fino. No Brasil não. Ela faz o que quer, do jeito que quer e ainda é bem recebida onde quer que vá. Ninguém pergunta nada, ninguém cobra responsabilidade de nada, ninguém percebe coisa nenhuma. Não ontem no Jornal Nacional. Em primeiro lugar, em qualquer outro país do mundo exige-se que o presidente de uma empresa fale a língua do país. É óbvio. Pois o presidente da Volkswagen “do Brasil” fala tudo, menos português. Eu só queria ver ele falando um inglês “macarrônico” lá nos Estados Unidos. Bom, em segundo lugar, o “recheio”, o “conteúdo” do discurso desse presidente foi de lascar. Ele negou, diversas vezes, que o “produto” da Volkswagen, o Fox, tivesse qualquer problema. Pior. Ele deixou claro que tudo está advertido no manual do proprietário do veículo – ou seja, é o burro do “consumidor”, que não sabe ler direito, o culpado. É um escândalo escutar uma declaração dessas. Ela é de uma arrogância, de uma prepotência e de uma imbecilidade gigantesca. Pior. Essa declaração revela um problema ético fundamental, que é a impossibilidade do sujeito – e da empresa - de assumir a responsabilidade pelo mal feito. É um escândalo saber que o mesmo automóvel, fabricado para a Europa, é totalmente diferente. Pior ainda. É um escândalo saber que a própria montadora sabia disso desde 2004 quando começou a receber as primeiras reclamações e os primeiros relatos de acidentes com o modelo. Pior ainda. É um escândalo saber que a partir de 2006 a própria montadora mudou o modelo brasileiro – sem avisar, sem alertar, sem fazer “recall” dos modelos 2004 e 2005.

         A Volkswagen “do Brasil” não é a mesma da Alemanha. E isso revela um outro problema ético. Parece que, ao cruzar o oceano, essa empresa acreditou que por aqui, vale tudo. Ontem foi o dia em que isso ficou bem claro – nas palavras do próprio presidente. Está na hora dos brasileiros responderem. O que se deve fazer com uma raposa sanguinária, burra e prepotente? Ou será que depois de perder os anéis pagando as suaves prestações, estaremos dispostos a entregar também os dedos?



Escrito por Leonardo Ferrari às 07h54
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MADE IN AMERICA

Fonte: La Repubblica, 8/2/2008.

 

             O La Repubblica traz hoje uma extensa reportagem sobre a operação conjunta entre a polícia italiana e o FBI norte-americano – simbolicamente denominada “Old Bridge” nos Estados Unidos, ou seja, “Velha Ponte” – que prendeu 80 supostos mafiosos em Palermo e Nova Iorque. Uma das reportagens se chama “Droga, business e dolce vita – così regnavano gli ultimi padrini” [“Droga, negócios e doce vida – assim reinavam os últimos padrinhos”] – fonte: Attilio Bolzoni in La Repubblica, 8/2/2008 . Não é curioso que a “dolce vita” que Fellini situou no desespero da guerra fria, na angústia do extermínio nuclear, no sem sentido do suicídio – é um dos filmes mais políticos já realizados – agora seja transposto para o crime, ao lado das drogas? Há todo um mundo novo por aqui, nada admirável.

           Sobre esse “admirável”, Vittorio Zucconi escreve uma análise belíssima nessa mesma edição chamada “Dai boss ai Soprano ascesa e declino di “Cosa Nostra” [Do chefão ao Soprano – o ápice e o declínio da Cosa Nostra]. A frase chave da análise de Zucconi é “la Mafia negli Stati Uniti esiste e prospera, ma è sempre meno Cosa Nostra, sempre meno italiana”. Excelente. A Máfia nos Estados Unidos não é mais “coisa italiana”, mas sim adquiriu contornos muito próprios, oriundos também do solo norte-americano. Aliás, sobre isso eu lembrei de um anúncio maravilhoso – só não sei dizer que agência fez isso, deixo aqui aos meus queridos amigos da publicidade essa encomenda – mas trata-se do cliente “HBO” para a série “Família Soprano”. É espetacular. É um dos anúncios mais políticos já feitos – veja abaixo. Ele mostra o personagem principal da mini-série, Tony Soprano e, ao fundo, a estátua da liberdade, símbolo da América, em contraponto. Mas o golpe de gênio da criação deste anúncio é a frase: “Made in America”. Maravilhoso! Para quem acredita que a publicidade é só alienação, só empulhação, só mentira, vale a pena estudar esse anúncio. Ele foi feito num momento em que a série estava sendo processada por associações italianas nos Estados Unidos contra a suposta “imagem negativa” dos italianos que a família Soprano estaria “passando”. Ridículo. Mas esse foi apenas um dos milhares de processos que a série sofreu. Ora, o anúncio restitui a verdade de uma forma inteligente, lúcida e magnífica.  É de uma clareza política formidável. Excepcional! Pilastra!!!!

 

 

 

Fonte: anúncio publicado in The New Yorker, p. 7,  9/4/2007.



Escrito por Leonardo Ferrari às 08h02
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ALEGORIA NOTA DEZ

Fonte: O Globo, 7/2/2008.

 

            Eu não entendi esse escândalo sobre o uso dos cartões corporativos. Por exemplo, descobriram que foram gastos R$ 1.400,00 para consertar a mesa de sinuca do Ministério das Comunicações. Qual é o problema? Sinuca e comunicação tem tudo a ver. Quantas concessões de rádio e televisão não foram realizadas em volta desse pano verde? Ora, o jogo é fundamental na política. Há sempre um bola 8 para ser encaçapado.  A sinuca é uma arte – que o diga Rui Chapéu. Há inclusive aquela famosa modalidade chamada de “Mata-mata”. Hum...faz sentido. Mata-mata? Agora sim entendi. 



Escrito por Leonardo Ferrari às 12h32
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VAI COMEÇAR

Carolina Prates Nery é de Alegrete, ali ao lado. Foi a Miss Rio Grande do Sul 2007. Com louvor!

 

         Na televisão só se vê Salvador. Não se vê Uruguaiana. Ora,  Uruguaiana é uma das cidades mais lindas do mundo. Em primeiro lugar, pela gente de lá. É uma gente querida, é uma gente apaixonada, é uma gente amiga. Em segundo lugar, é uma cidade-fronteira. Há uma característica comum de cidades-fronteira que consiste em não serem cidades comuns, cidades normais, cidades como as outras. Uruguaiana-fronteira é uma terra onde se canta música desde pequenininho, onde o canto alegretense chega bem alto e onde os gaúchos de verdade sabem o que fazer. Eles seguem o rumo do próprio coração. Com amor e gratidão.

 

“O polêmico Carnaval em plena Quaresma

Marina Lopes, Zero Hora, 7/2/2008.

 

Folia em meio a resguardo católico gera críticas em Uruguaiana

Fazer Carnaval fora de época não é novidade em Uruguaiana, na Fronteira Oeste. Essa será a terceira vez.

A comunidade aprova, principalmente porque a decisão fez a festa tornar-se uma das mais concorridas do Estado. Mas, neste ano, há um movimento contrário à folia.

O pároco da Catedral de Santana, Sílvio Quevedo, foi claro nas missas que vem celebrando. Para ele, a participação na festa durante a Quaresma (período de 40 dias que antecede a Páscoa) é pecado. O bispo da cidade, dom Aluísio Dili, concorda. Em seu programa em uma rádio local, ele afirmou que o "católico de verdade" saberá o que fazer.

- O problema não é a festa, mas sim a data. É meu primeiro ano aqui. Somos parceiros da prefeitura, que nos ajuda muito. Mas acho que a data foi mal planejada. É uma questão de respeito - diz o bispo.

Os desfiles em Uruguaiana acontecem de 28 de fevereiro a 2 de março. Porém, há fiéis em cima do muro em relação à data. A dona de casa Margarete Lemos de Menezes, 63 anos, freqüenta a igreja desde a adolescência em Caxias do Sul, sua cidade natal. Há 20 anos reside em Uruguaiana e, apesar de gostar da festa do Rei Momo, não vai nem assistir aos desfiles da cidade:

- Acho que é um desrespeito com a igreja essa atitude. No meu tempo de mocinha, até as rádios tocavam músicas mais calmas na Quaresma.

Padre Quevedo é ainda mais radical, mesmo admitindo que o Carnaval fora de época possa trazer benefícios econômicos ao município:

- Meu medo é que as pessoas achem que pode tudo. Lamento muito pela escolha dessa data. Mesmo católicos, jovens estranham as recomendações da Igreja.

- Até gosto de ir à missa, fui batizada, fiz catequese. Mas não tem nada a ver esse tal de período de Quaresma. Acho que, se fosse no dia em que Jesus ressuscitou, ainda vá lá que reclamassem. Mas imagina ficar de molho 40 dias? - questiona a estudante Carina Figueiredo Silva, 16 anos.

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba de Uruguaiana (Liesu), Nilton Gomes, diz-se cristão, mas afirma estar em um Estado laico, no qual a Igreja Católica já não tem grande influência:

- O intuito jamais é desrespeitar. Mas a festa é feita fora da época por questões econômicas: gera emprego e renda. Isso é o que importa.

O prefeito de Uruguaiana José Sanchotene Felice (PSDB), idealizador do Carnaval fora de época na cidade, defende com convicção o calendário:

- De forma alguma nosso objetivo é confrontar a Igreja. O Carnaval é fora de época por questões econômicas.”

 

Fonte: Marina Lopes in Zero Hora, 7/2/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 08h10
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O SAMBA É SENHOR

Fonte: Jornal do Brasil, 6/2/2008.

 

O que eu adoro no Rio de Janeiro é que o carioca toma posição. Ele nunca fica em cima do muro. Ele nunca fica neutro, à espera de saber para onde vai o vento. Não. O carioca é o vento. Dois exemplos: o Jornal do Brasil de hoje amanheceu com uma manchete muito engraçada sobre o desfile da Viradouro – “só não ganha se garfarem”. E a fotografia mostra o carro sobre a liberdade de expressão que veio no lugar do anterior, sobre o holocausto, proibido pela justiça a pedido da Federação Israelita do Rio de Janeiro. Sobre isso, Xexéo fez um ótimo comentário:

 

“Se o poder da Federação Israelita do Rio de Janeiro atravessasse fronteiras, Mel Brooks não conseguiria lançar seu filme “Primavera para Hitler”. Nem faria a adaptação do filme para musical da Broadway, como aconteceu com “The producers”. Nem conseguiria transferir o sucesso da Broadway de volta para o cinema. Pensando bem, como é que “Os produtores”, a versão de “The producers” no Brasil, fez temporada em São Paulo sem que ninguém reclamasse? E como será que vai ser a temporada no Rio? Na peça, Hitler vira personagem de musical numa visão mais ou menos carnavalesca. Será que a Federação vai exigir uma faixa no palco com os dizeres “Holocausto nunca mais?””

         Fonte: Artur Xexéo in O Globo, 6/2/2008.

 

         O desfile da Viradouro foi histórico, maravilhoso, excepcional. Para quem acompanha as eleições nos Estados Unidos, a Viradouro representou na avenida um pouco do candidato Barack Obama. No entanto, a Beija-Flor também foi espetacular. Só que em outro sentido. A Beija-Flor é a cara da Hillary Clinton: certinha, correta, com muito samba no pé – que só pode ser fruto de experiência, muita experiência. Quem vai ganhar? Há um ótimo jornalista alemão, Gabor Steingart, que é o correspondente da Der Spiegel em Washington. Ele apresenta esse problema de uma forma muito bonita:

 

         “Imagine que estamos em um chalé de montanha, digamos em Aspen, Colorado, cercados por um grupo de montanhistas e pelos picos das Montanhas Rochosas.

Duas grandes mesas estão postas para os montanhistas. Uma guia experiente está sentada em uma delas. Ela fala das cicatrizes que adquiriu em uma vida de batalha com a natureza. Ela diz frases realistas como "não sou um cavalo de exibição, sou um cavalo de trabalho". Não há tantas pessoas sentadas em sua mesa.   

Na outra mesa, um jovem deixa seus ouvintes hipnotizados. Ele fala sobre o futuro, sobre esperança e sobre como o mundo pode ser transformado. Ele tem boa aparência e voz de veludo. Talvez pegue um violão e toque uma música.        

Na manhã seguinte, todos os montanhistas se reúnem na porta do chalé, com as botas amarradas e mochilas nas costas. Eles terão um dia duro de caminhada. Eles têm uma escolha de guias: a mulher com cicatrizes ou o jovem. A questão é: quem preferirão?

E a resposta? Bem, isso depende do clima, ou talvez do tipo de tempo que os montanhistas estão esperando.

Se todos esperarem um dia de sol, optarão pelo guia cuja companhia todos apreciaram na noite anterior. Por que não prolongar a diversão?

Se uma tempestade estiver se formando, o grupo irá com a mulher. Melhor não arriscar. A maioria, especialmente as mulheres, os idosos e os pais, escolherá a opção segura. Quando o primeiro raio iluminar os céus e os trovões rolarem pelas montanhas, os montanhistas ficarão próximos de sua guia experiente como filhotes de gato com sua mãe.

As montanhas ensinam que as circunstâncias não mudam as pessoas -mas mudam seus interesses. Qualidades como experiência, nervos fortes e disposição tranqüila subitamente começam a importar. Quando as coisas ficam mais difíceis, ninguém se preocupa se seu guia é alegre, engraçado, erótico, estimulante, corajoso ou inspirador.(...)”

         Fonte: Gabor Steingart, Der Spiegel in UOL, tradução de Deborah Weinberg, 6/2/2008.

 

         Bom, eu voto na Beija-Flor. Carnaval sem samba não é carnaval.

 

 

Destaque da Beija-Flor em fotografia de Custódio Coimbra in O Globo, 6/2/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 08h15
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APOTEOSE

Detalhe do carro Kama Sutra da Viradouro – fotografia de Fábio Rossi in O Globo, 5/2/2008.

 

O carnaval começou com Paulo Barros. O que este homem fez na Viradouro já é história. Colocar vários casais fazendo amor em plena Marquês da Sapucaí é para Paulo Barros, só. Não teve mais ninguém. É verdade que no Salgueiro tinha um casal se beijando na boca. Mas Paulo Barros fez mais. É curioso o destaque da imprensa para carro com esquiadores, a ala das aranhas, a das baratas, a polêmica sobre a proibição do carro do holocausto. Pois para mim foi esse ato sexual a mais bonita expressão desse carnaval. Parabéns Paulo Barros. Tu enterrastes com esse ato todo aquele narcisismo das passistas solitárias, das rainhas fechadas sobre si mesmas, toda aquela solidão terrível da beleza. Parabéns.

         O carnaval terminou com Raíssa de Oliveira nessa inesquecível Beija-Flor. O que Raíssa fez na avenida se chama samba. Que um carnaval acabe no samba é o máximo. Raíssa foi toda a inocência do mundo na avenida. Aquela inocência meiga, querida – os beijos que Raíssa jogava para quem dela se aproximava, os adeuses que ela lançava com tanto cuidado, com tanta consideração, a graça de Raíssa. Quanta graça, graça, graça. Raíssa me mostrou que o samba vive, que o samba resiste, que o samba insiste. Enquanto existir Raíssa, há esperança. Obrigado, Raíssa.



Escrito por Leonardo Ferrari às 05h40
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CARNAVALESCAS

Ângela Bismarchi fotografada por Paulo Nicolella in Jornal do Brasil, 4/2/2008.

 

            Ângela Bismarchi foi a água mole nessa pedra dura. Tanto ela fez na avenida, tanto ela aprontou, tanto ela dançou – magnífica. Ângela tem uma particularidade que a distingue dos demais. Ela faz questão de expor sua fantasia – quando todos nós a escondemos. A fantasia de Ângela, como a de cada um, é um escândalo quando trazida à luz. É que a fantasia é sempre muito particular, muito íntima, muito estranha, muito bizarra, muito barroca. A de Ângela não é diferente. Sua fantasia é escandalosa – são 43 cirurgias plásticas até agora – Ângela quer mais. O que eu tenho a ver com as cirurgias de Ângela? Nada. Cada um goza como pode – e não, como se costuma pensar por aí, como quer. O querer conta pouco nessa avenida. Eu comemorei ontem a moleza dessa mulher, seus gestos, seu corpo oferecido, seu corpo entregue, seu corpo-porto, de onde se pode chegar, e também de onde se pode partir. Ângela Bismarchi deu para quem pôde receber. Obrigado, Ângela. Obrigado.

         Viviane Castro fez de tudo para tapar. Colou, grudou, fez aderir, juntou, reuniu, acolheu, escondeu, retirou, mas não deu. O que ela quis colar, descolou, o que ela quis grudar, desgrudou, o que ela quis aderir, não aderiu, o que ela quis juntar, saiu, o que ela quis reunir, separou, o que ela quis esconder, se mostrou, o que ela quis retirar, se impôs, o que ela não quis dar, deu. É isso o desejo.

         Elaine Ribeiro apareceu na avenida às duas e sete da manhã, na Portela, à frente de um carro que simbolizava os animais em extinção – uma onça gigante à frente. Elaine Ribeiro, às duas e sete da manhã. O que é Elaine Ribeiro às duas e sete da manhã? É o verdadeiro sentido de uma manhã de carnaval. Elaine Ribeiro às duas e sete da manhã. Amanheceu.

 

 Fonte: O Globo, 4/2/2008.

 

 

Fonte: Chico Caruso in O Globo, 4/2/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 07h53
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GÊNIO DA HUMANIDADE

Cartola e dona Zica na janela de casa, 1963. Fotografia de Walter Firmo/CPDOQ JB in Jornal do Brasil, 3/2/2008.

 

            A indispensável revista Domingo do Jornal do Brasil, através de Julio Calmon, fez uma magnífica homenagem a este que é um dos maiores poetas da humanidade, Angenor de Oliveira, o Cartola. Cartola é para ser lembrado todos os dias do ano. Cartola é divisor de águas, é daqueles professores inesquecíveis - porque ensinam sempre, basta escutar. Cartola merece existir em qualquer programa de educação, do jardim de infância até os pós-doutorados, em todos os anos: Cartola I, Cartola II, e assim por diante. Escutar Cartola, ler Cartola, repetir cada verso de Cartola, fazer caligrafia com as frases de Cartola, traduzir Cartola para o italiano, para o espanhol, para o inglês, para o japonês.  

         Julio Calmon lembra que, três dias antes de Cartola morrer de câncer, Carlos Drummond de Andrade publicou no Jornal do Brasil (27/11/1980) uma crônica que ficou pregada na parede do quarto onde o compositor estava internado. Nela, Drummond comenta a letra de O Moinho e diz que Cartola era “trigo de qualidade especial. Serve de alimento constante”.

         Calmon também conta que “na madrugada de 30 de novembro de 1989, a quadra da Mangueira parou ao ouvir o apito do mestre de bateria. Em pouco tempo se encheu de amigos, personalidades das outras escolas levaram seus estandartes para homenagear Cartola. Quando o caixão chegou à quadra, estava cheio de rosas vermelhas, enviadas pela Santa Casa de Misericórdia. Dona Zica não aceitou. Para o mestre, elas só poderiam ser verdes e rosa.” (fonte: Julio Calmon in Cartola, Salve, Mestre in revista Domingo, Jornal do Brasil, 3/2/2008).

 

 

 

Cartola e uma de suas maiores inspirações, a gente querida do morro da Mangueira, Rio de Janeiro – fotografia divulgação in Jornal do Brasil, 3/2/2008.

 

Fonte: Julio Calmon in Cartola, Salve, Mestre in revista Domingo, Jornal do Brasil, 3/2/2008.



Escrito por Leonardo Ferrari às 09h36
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