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BANDEIRA BRANCA

Marco Aurélio in Zero Hora, 2/2/2008.
Escrito por Leonardo Ferrari às 08h02
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DIVINO BORDEL

“- Pior do que isso não pode ficar.
- Avante: mais um esforço e conseguiremos!”
Fonte: Altan in L’Espresso, 1/2/2008.
Às vésperas do retorno de Silvio Berlusconi ao governo da Itália, Altan demonstra que o pior não é o fim na Itália. Existe sempre o pior do pior.
Agora, não é de hoje que a Itália é atraída pelo pior do pior. Vejamos aqui o que um certo observador do século XIII e XIV já dizia sobre isso:
“Ahi serva Itália, di dolore ostello,
nave sanza nocchiere in gran tempesta,
non donna di province, ma bordello!”
Ah! serva Itália, albergue de pesar,
nau sem piloto em borrasca funesta,
não dona de nações, mas lupanar!”
Dante Alighieri in “A Divina Comédia – Purgatório”. Canto VI, verso 76. São Paulo, Editora 34, 1998, p. 45. Tradução de Ítalo Eugenio Mauro.
Há uma bonita tradução do português Vasco Graça Moura:
“Ai serva Itália, que és da dor hotel,
nave a que arrais no temporal não resta,
não dona de províncias, mas bordel!”
São Paulo: Landmark, 2005, p. 357.
Na clássica tradução para o inglês de Dorothy L. Sayers, belíssima:
“O house of grief! O bond-slave Italy!
Ship without pilot in a raging gale!
No mistress-province, but a stews and sty!”
Londres: Penguin, 1a. edição em 1955, p. 112.
A Itália sempre consegue ficar pior. No entanto, é desse barro que saiu Dante. Já na Suíça...
Escrito por Leonardo Ferrari às 09h19
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HERÓI

“Antes, eu trabalhava para um banco, mas agora, me estabeleci por conta própria”
Fonte: El Roto in El País, 31/1/2008.
Jérôme Kerviel ganhou seus 15 minutos de fama. Merecidamente. Hoje ele foi imortalizado por essa charge do indispensável El Roto no El País. Brilhante. O Le Monde tascou o adjetivo “ordinário” para falar de Kerviel – o que me levou a pensar imediatamente em Robert Musil no seu magnífico “O Homem Sem Qualidades”:
“A gente pode fazer o que quiser”, disse o homem sem qualidades para si mesmo, dando de ombros, “que isso não tem a menor importância nesse emaranhado de forças!”
Robert Musil in “O Homem Sem Qualidades”. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p. 31.
Na charge, eis aí o bandido à serviço do banco, ou seja, um bandido-legal, um bandido-ideal - já que rouba dentro da lei. Sobre isso, nada mais profético que a lapidar frase de Brecht, “o que é roubar um banco perto de fundar um?”. Kerviel agora se tornou também um fenômeno na internet – virou uma espécie de herói da nossa época. Daí que, na charge, ele tomou a decisão de se estabelecer por conta própria – abriu o próprio banco?
“O itinerário de um trader quase ordinário”
Fonte: Le Monde, 29/1/2008.
Escrito por Leonardo Ferrari às 09h09
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RASGARAM O VÉU DA MONTADORA

Fonte: O Estado de São Paulo, 29/1/2008.
Eu quero vir a público para agradecer ao editor e ao diagramador do jornal O Estado de São Paulo. Ontem eles fizeram uma página-dupla histórica. É raríssimo de se ver isso. Em geral, o departamento comercial do jornal sempre triunfa sobre o editorial, reduzindo o espaço das notícias, se “espalhando” pelo jornal, dificultando a leitura, e assim por diante. Ontem foi o dia da vingança. No alto, à esquerda, a notícia de uma tragédia. Sete pessoas morreram em um jipe levado pela correnteza. Mas, aí vem a genialidade do editor e do diagramador. Eis que no meio da página, lá está o jipe em um anúncio espetacular da Kia – declarando no anúncio tudo aquilo que não funcionou na tragédia. Reparem como o significado do slogan, “o poder de surpreender”, adquire um outro sentido debaixo desse horror. Impressionante.
O Estadão rasgou ontem o véu da ideologia da propaganda. Espetacular. Essa é para emoldurar e também colocar em todas as cartilhas de alfabetização. Parabéns!
Escrito por Leonardo Ferrari às 13h37
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TUDO, MENOS VESTAL

Fonte: Rosa Costa in O Estado de São Paulo, 29/1/2008.
Discordo senador. Quem aceitou lobão, vai barrar a porta para o lobinho? Como se diz lá no sul, porteira aberta, onde passa boi, passa boiada...
Escrito por Leonardo Ferrari às 13h27
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GALHADA

Maria Clara Gueiros.
Há um personagem ótimo em Zorra Total que é o Seu Banana, interpretado magnificamente por Marcelo Mansfield. Seu Banana é aquele que não briga com ninguém, é amigo de todos, é o bom companheiro, é o liso, é o bagre ensaboado, é o em cima do muro, é o neutro. Só tem um problema para quem convive com o Seu Banana. É que ele não faz nada – ele não decide nada, ele não age, ele adia para amanhã e, principalmente, ele nunca, em hipótese alguma, o banana nunca sabe de nada. No programa, quem reclama é a mulher dele, que repete o tempo todo: “é o meu marido”. Pois é. Lendo hoje Augusto Nunes, eu lembrei do Seu Banana. É verdade que aqui talvez seja uma outra variedade de banana, já que se trata de alguém que faz qualquer coisa para permanecer no poder – custe o que custar. Nesse caso, alguém poderia me dizer que isso não é bananice. Pois é. Enganar tanta gente – inclusive tanta gente de bem, como a ministra Marina Silva – por tanto tempo, requer talento.
Há uma outra personagem que talvez se aplique ao caso estudado. Trata-se da Márcia, vivida pela maravilhosa Maria Clara Gueiros. É aquela que trai sem dó nem piedade seu pobre marido, Leozinho – excepcional interpretação de Nelson Freitas Junior. Sempre no final de suas escapadas e das loucas tentativas de Leozinho em não se reconhecer como corno, tentando desesperadamente não ver a “galhada” na testa, Márcia pisca para o telespectador e diz: “contornei”. Pois é, entre o Seu Banana e a Márcia está esse governo – aliás, o título do programa, “zorra total”, cabe à perfeição.
A absolvição dos assassinos da mata, Augusto Nunes, Jornal do Brasil, 30/1/2008
A investigação demorou sete dias. Em rigoroso silêncio, o presidente Lula vasculhou mentalmente a selva à procura de alguma coisa que lhe permitisse atribuir aos suspeitos de sempre também a espantosa reaceleração do desmatamento da Amazônia. Não encontrou impressões digitais de Fernando Henrique Cardoso nas motosserras de Mato Grosso . Tampouco localizou pegadas de George Bush nas matas assassinadas em Rondônia. Ao fim de uma semana, entendeu que não poderia incorporar à herança maldita ou à cupidez do capitalismo ianque as assustadoras radiografias produzidas pelo levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Nacionais (Inpe).
À falta de culpados convenientes, o presidente Lula recorreu ao truque que utiliza quando todas as pistas e evidências apontam para delinqüentes de estimação: inocentou todo mundo. "Não é hora de acusar ninguém", comunicou na segunda-feira, durante o programa radiofônico Café com o presidente.
Era mais que um pito endereçado à ministra Marina Silva, que debitou o recrudescimento dos ataques à floresta a produtores de soja e pecuaristas que contam com o olhar complacente - ou a cumplicidade ativa - dos governadores de Estados que aparecem muito mal no retrato produzido pelo Inpe.
Era sobretudo um recado destinado a tranqüilizar os pecadores aliados. São inimigos jurados da floresta, certo. Mas são amigos de Lula, que não é de abandonar companheiros no meio do caminho, muito menos de esquecer governadores aliados no meio da clareira que acabaram de abrir.
A sentença do Grande Juiz absolveu liminarmente, por exemplo, o mato-grossense Blairo Maggi. Quando pressentem a aproximação do rei da soja, árvores centenárias choram como bebês, jacarés se arrastam em alta velocidade, igarapés mudam de rumo. Quando o donatário de Mato Grosso aparece no Planalto, Lula corre para o abraço.
A Amazônia está sob controle, recitou na segunda-feira o presidente que nunca pisou nos grotões da floresta. Só não sabe disso "essa gente que torce pro Brasil andar pra trás", repetiu. Lula prefere sempre olhar para a frente. Talvez por isso não consiga ver os criminosos ao lado e os oportunistas na retaguarda. Concentrado no futuro, ignora os perigos do presente. O desmatamento é apenas um entre os tantos tormentos que afligem a Amazônia. Há também os garimpeiros que caçam minérios associados a índios que, se resolverem combater com arco e flecha, acabarão atingindo o próprio pé. Há as tribos que interditam estradas federais. Há os estrangeiros que viraram donos de territórios colossais. Se sobram problemas, falta governo. Os braços do Estado não alcançam a Amazônia. Se depender de Lula, jamais alcançarão.
Escrito por Leonardo Ferrari às 09h30
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UM DIA DE CADA VEZ

Fonte: Christo Komarnitski in “Sega”, Sofia, Bulgária, 26/1/2008.
A genialidade desse artista búlgaro é fenomenal. Ontem aconteceu o dia anual em que o presidente dos Estados Unidos precisa discursar perante o Congresso Nacional para fazer uma espécie de “balanço” do ano, é o discurso “State of the Union” [“Estado da União”]. A tradição é belíssima. Trata-se de uma prestação de contas obrigatória do presidente ao Congresso. Pois Christo Komarnitski apresenta o discurso de ontem como se o presidente estivesse em uma reunião de alcoólatras anônimos (os famosos “aa”) ou narcóticos anônimos – “Oi, meu nome é George e eu sou viciado em petróleo e guerra”. Porém, a maravilha desse trabalho é que os telespectadores também são viciados, também fazem parte do grupo – ou seja, não basta só trocar de presidente para que um país mude. Há mais viciados que precisam de tratamento. Ora, se o tratamento para o presidente é a eleição, qual deve ser o tratamento para os eleitores?
Escrito por Leonardo Ferrari às 09h56
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UMA RESPOSTA MUITO DEMORADA

“Bush – Atacamos o Iraque por causa das armas químicas...
Assessor - ...que não existiam.
Bush - ...e para acabar com o terrorismo islâmico...
Assessor- ...que cada vez é mais forte.
Bush - ...e para controlar o petróleo...
Assessor - ...que está cada vez mais caro.
Bush – Será que não somos azarados?”
Fonte: Daniel Paz e Rudy in Página 12, 29/1/2008.
Falta pouco. O problema da democracia são os prazos. Ter que esperar as próximas eleições para acabar com essa desgraça chamada George W. Bush é demais. Em todo caso, esse “azarado” já vai tarde. Muito tarde. Imaginem se ele tivesse tido “sorte”...

Pesquisa por telefone conduzida pelo The New York Times e pela CBS News de 11 de setembro de 2001 até janeiro de 2008 sobre a aprovação do modo como o presidente Bush está fazendo seu trabalho e se o país está indo na direção certa. Fonte: The New York Times, 29/1/2008.
Escrito por Leonardo Ferrari às 09h06
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RESPOSTA AO FILHO DA PUTA

Fotografia de Antonio Barrella in Folder Istituzionale Gattinoni, 2004.
“Eu sou filho de Dante, de Michelangelo, de Rafael, de Donatello, e você é filho de quem, seu filho da puta?”
Nicola respondendo a seu patrão norte-americano no filme “Good Morning Babilonia” (1987), dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani.
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h23
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EM TRATAMENTO

Gabriel Byrne e Melissa George, terapeuta e paciente na série “In Treatment” [“Em Tratamento”], HBO. Fotografia de Claudette Barius/HBO in The New York Times, 28/1/2008.
Os Estados Unidos têm uma verdadeira paixão pelas terapias. Sejam elas quais forem, lá estão elas na televisão. Na melhor minissérie já feita na história da televisão, “Família Soprano”, uma das tramas mais interessantes foi acompanhar Tony Soprano nas sessões de terapia com a Dra. Melfi – uma mistura de psiquiatra, psicanalista e psicoterapeuta (são três coisas diferentes). Por exemplo, uma das questões debatidas em horário nobre foi a de se é ético um terapeuta atender um criminoso – excelente debate. Essa questão ganhou um novo capítulo na Suécia, onde se discute a história “real” de um aluno de medicina que cumpriu pena por assassinato – ou seja, pode um ex-assassino exercer a profissão de médico?
Pois bem, hoje estréia nos Estados Unidos a mais nova minissérie da HBO, “In Treatment” [“Em Tratamento”]. Novamente, só que agora o tempo todo, trata-se de uma série sobre a relação entre terapeuta e paciente, por um lado, e, por outro lado, a relação do terapeuta com sua supervisora – o que na “Família Soprano” também era abordado.
“Família Soprano” foi uma maravilhosa revolução. Cada capítulo da série é uma obra-prima em si mesmo – algo raríssimo – e, no conjunto, é impressionante a qualidade do roteiro, os atores excepcionais, a direção incrível - cada episódio era feito por um diretor diferente, a fotografia, trilha sonora, enfim, uma demonstração do que há de melhor nos Estados Unidos. É uma pena que a Globo ainda não tenha se decidido a passar ela na tv aberta – até pelo fato de ser dona da tv a cabo onde passa o canal HBO. Pena. Aí vai minha sugestão às tvs educativas e essa nova tv do governo federal: “Família Soprano” já. A melhor forma de combater o monopólio das tvs privadas é se utilizar das mesmas armas do adversário. “Família Soprano” é chumbo grosso.
Sobre a série “In Treatment”, Alessandra Stanley se derrete em elogios aos episódios que viu. Resta esperar sua chegada no Brasil. Depois de “Família Soprano” e “Roma”, a HBO merece a expectativa.
Escrito por Leonardo Ferrari às 13h08
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ENQUANTO ISSO NO MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA...

“Ele era com certeza um lobo muito superior”
Ilustração de Margaret Ely Webb in Little Red Riding Hood, 1903.
Um lobo muito superior? Com certeza…
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h23
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ESTRELA DAS MANHÃS

“O neoliberalismo é a ideologia da descrença”
Letícia Sabatella.
Fotografia de Camilla Maia in Revista O Globo, 27/1/2008.
Letícia Sabatella, linda, leve, amiga, querida, magnífica. Letícia Sabatella vale uma universidade inteira nos atos que faz, nas palavras que sussurra. Letícia Sabatella é das raras, muito raras. A entrevista dela a Renato Lemos do Globo é daquelas para se guardar no coração. E as fotografias de Camilla Maia são para pregar nos postes da cidade. E a edição da revista, o espaço que deu, o destaque que montou, é de chorar de alegria! Corra para as bancas. O meu exemplar não empresto, não vendo, não mexo nunca mais. Que mulher!

Letícia Sabatella fotografada por Camilla Maia in Revista O Globo, 27/1/2008.
Escrito por Leonardo Ferrari às 11h01
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SUBJETIVIDADES TÓXICO-PORNOGRÁFICAS

Beatriz Preciado é professora de teoria do gênero na Universidade de Paris VIII e dirige o projeto de pesquisa e produção artística Tecnologias do Gênero no Macba (Museu de Arte Contemporânea de Barcelona). Em 2000 ela publicou um livro bastante polêmico sobre a diferença sexual (“Manifiesto Contra-Sexual”, editora Opera-Prima, Espanha, 2002). Não é preciso concordar com Beatriz para apreciar a sua tesão em pensar, a sua tesão em encontrar relações inusitadas e caminhos áridos para afirmar a palavra. Um trecho de seu novo livro:
“Durante o século XX, período em que se efetiva a materialização fármaco-pornográfica, a psicologia, a sexologia e a endocrinologia estabeleceram sua autoridade material transformando os conceitos de psiquismo, de libido, de consciência, de feminilidade e de masculinidade, de heterossexualidade e homossexualidade em realidades tangíveis, em substâncias químicas, em moléculas comercializáveis, em corpos, em biotipos humanos, em bens de intercâmbio controlados por multinacionais farmacêuticas. Se a ciência alcançou o lugar hegemônico que ocupa como discurso e como prática na nossa cultura, é precisamente graças àquilo que Ian Hacking, Steve Woolgar e Bruno Latour chamam de sua “autoridade material”, ou seja, a sua capacidade para inventar e produzir artefatos vivos. É por isso que a ciência é a nova religião da modernidade. Porque ela tem a capacidade de criar, e não simplesmente de descrever, a realidade. O êxito da tecno-ciência contemporânea é o de transformar nossa depressão em Prozac, nossa masculinidade em testosterona, nossa ereção em Viagra, nossa fertilidade/esterilidade em pílulas, nossa Aids em tri-terapia. Sem que seja possível saber o que vem antes, se a depressão ou o Prozac, se o Viagra ou a ereção, se a testosterona ou a masculinidade, se a pílula ou a maternidade, se a tri-terapia ou se a Aids. Essa produção em auto-feedback é a característica própria do poder fármaco-pornográfico.
A sociedade contemporânea está habitada por subjetividades tóxico-pornográficas: subjetividades que se definem pela substância (ou substâncias) que dominam seus metabolismos, pelas próteses cibernéticas através das quais se tornam agentes, pelos tipos de desejos fármaco-pornográficos que orientam suas ações. Assim, falaremos de sujeitos-prozac, sujeitos-cannabis, sujeitos-cocaína, sujeitos-álcool, sujeitos-ritalina, sujeitos-cortisona, sujeitos-silicone, sujeitos-heterovaginais, sujeitos-duplapenetração, sujeitos-viagra, etc...”
Beatriz Preciado in “Testo Yonqui”, editora Espasa, 2008 (Espanha) in El País, 27/1/2008.
Escrito por Leonardo Ferrari às 08h14
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