Blog do Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba (PR) leobelferrari@uol.com.br


HERANÇA

           No La Repubblica, Luciana Sica entrevista o psicanalista francês René Kaës, que está em Roma para uma série de conferências. Alguns trechos da entrevista:

 

         “O inconsciente não esquece nada, conserva tudo aquilo que uma vez foi percebido, provado; ele pode também compensar os pontos cegos e os surdos, ou ainda ele é capaz de criar representações daquilo que só existia como alucinação ou como gestos, “passagens ao ato”. A recordação pode, é verdade, apagar, reformular isso, mas não os traços que restam sem representação nem sentido e que prevalecem mesmo na negação e na recusa. São estes traços sem memória que se transformam em sintomas, em terrores sem nome (...)

         Do ponto de vista clínico, o problema é compreender como o sujeito se apropria daquilo que lhe foi transmitido, como ele herda algo sem poder se tornar realmente o herdeiro, porque não pôde inscrever isso na sua própria história. Eu cito habitualmente uma frase de Goethe, muito apreciada por Freud: “Aquilo que herdaste de teus pais, conquista-o para fazê-lo teu”. Apropriar-se daquilo que se herdou é possível quando se realiza um profundo trabalho de subjetivação (...) É fazer um uso vivo da memória que diz: recorda, recupera o teu passado, faz de ti uma outra pessoa, mas que resta singular e distinta das outras. Caminhando pela estrada da análise, poderá separar aquilo que é teu daquilo que não é. Todavia, deverá admitir que esta memória reencontrada é sempre uma construção e que te fala do futuro: ela é, inclusive, uma memória do futuro.”

 

Fonte: entrevista de René Kaës a Luciana Sica in La Repubblica, 1/12/2007.



Escrito por Leonardo Ferrari às 08h04
[   ] [ envie esta mensagem ]




NADA

“Na vida real, nada encaixa.”

Alejandro de la Iglesia ou Álex de la Iglesia, cineasta espanhol, em entrevista memorável a Facundo Di Genova in Página 12, 30/11/2007.



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h48
[   ] [ envie esta mensagem ]




O QUE O SENHOR DESEJA?

Adriana Alves.

 

“- O que o senhor deseja?”

         “- Eu desejo a senhora.”

 

         Poderia terminar aí. A pergunta de Alzira e a resposta de Juvenal Antena entram para a antologia do desejo na televisão mundial. Sensacional. Alzira, a mulher casada, a mulher comprometida, pergunta a este homem que bate à sua porta, numa manhã de sol, o que ele deseja. É uma pergunta difícil. Mas Juvenal, que tem esse significante “antena” colado ao nome, pega no ar o próprio desejo de Alzira. Quem pergunta, traz já um indício, uma pista, sobre o seu próprio desejo – não percebido, não claro na hora da pergunta. “Eu desejo a senhora”. Pois é. Mas qual senhora? O problema de Juvenal é esse. Como pode ele ter abandonado aquela maravilhosa Morena (interpretada pela inesquecível Adriana Alves)? Imperdoável. Quem larga uma Morena não merece uma Alzira.

         Agora, é possível fazer um contraste desse par com um outro, também complicado. Maria Paula e Claudius. Ora, Maria Paula é assolada por um espectro – o fantasma do Adalberto. No entanto, ela, diante da insistência de Claudius, decidiu então dar a Claudius o que Claudius merece. O que ela não sabia é que Claudius é um neurótico obsessivo. No dia em que ela decidiu dar, Claudius decidiu não receber, pois invocou com o fantasma. Claudius quer agora...outra coisa. Logo ele, que tem o plural até no nome. Ele quer porque quer uma “prova” de amor. Ele quer ficar espiando pelo buraco da fechadura ao encontro de Maria Paula com o fantasma, para ver se Maria Paula é “dele” mesmo, pra valer. Pode existir coisa mais neurótica que isso? Se Claudius fizesse análise, ele perceberia que por detrás de toda mulher há um...fantasma. Ele perceberia que, na cama, nunca são só dois. No mínimo, há quatro presentes. Ele perceberia então que, na impossibilidade de se livrar do fantasma, há como se servir dele, há como fazer algo com ele, há como nessa ménage à quatre, fazer nem nem e também nenê. Mas, por desgraça, Claudius não faz análise. Por desgraça, esse homem desperdiça o desejo de forma miserável, de forma terrível, de forma irreversível. Por desgraça, esse homem está perdido no dois.  Maria Paula terá que abrir a porta para outro.



Escrito por Leonardo Ferrari às 08h09
[   ] [ envie esta mensagem ]




RESPONSABILIDADE SOCIAL

“- Bill Gates doará cem milhões de dólares para lutar contra a pólio.”

“- E o que ele fará com o resto de seus bens?”

“- Lutará a favor de seu monopólio.”

 

Fonte: Daniel Paz e Rudy in Página 12, 28/11/2007.

 

         “Há muito tempo que sublinho o caráter capcioso desse pretenso altruísmo que se satisfaz com preservar o bem de quem? – daquele que, precisamente, nos é necessário.”

         Jacques Lacan in O Seminário – Livro 11 – Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed., 3ª. ed., 1988, p. 181.



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h38
[   ] [ envie esta mensagem ]




CHEGA

Fotografia/divulgação de Beatriz Lefevre in O Globo, 27/11/2007.

Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela não pode ser. É um filme sobre essa tristeza, sobre esse falar com ela, é um filme sobre esse sem ela não pode ser. É um filme que trata desse não há paz, não há beleza, é um filme sobre esse se ela voltar, esse se que faz tropeçar, esse se que se intromete, que se instala, esse se da realidade, esse se que sempre vem antes de, esse se que adia o falar, adia o regresso, adia o que não sai de mim. É um filme dessa coisa linda, dessa coisa louca, dessa boca, desses braços, desses buracos todos do corpo, apertado assim, colado assim. É um filme em que Tonia Carrero diz lá pelas tantas:

         “Quando a gente ama, é para falar que ama. É para olhar nos olhos e falar. Quando a gente não fala, é arrependimento para a vida inteira.”

         Eu desejo a ti, Laís, muitos abraços, milhões de abraços por este maravilhoso “Chega de Saudade” que veio para ser eterno. Muito obrigado, Laís Bodanzky.



Escrito por Leonardo Ferrari às 07h12
[   ] [ envie esta mensagem ]




A PSICANÁLISE INSUPORTÁVEL

“Freud é amplamente ensinado nas universidades, exceto nos departamentos de psicologia”.

Fonte: Patrícia Cohen in The New York Times, 25/11/2007.

          Patricia Cohen escreve no The New York Times sobre a ausência da psicanálise nos cursos de psicologia das universidades norte-americanas. “Se você quiser aprender alguma coisa de psicanálise nas principais universidades deste país, um dos últimos lugares a procurar é o departamento de psicologia”, diz Cohen. Ora, aqui no Brasil isso não é muito diferente, tendo em vista a enorme influência do pior da cultura norte-americana sobre o Brasil. Cohen traz a estatística (caso contrário não seria uma reportagem americana) de que em 1.175 cursos referenciados na psicanálise, 86% deles estão fora do departamento de psicologia. Cohen entrevista a chefe do departamento de psicologia da Northwestern University, a sra. Alice Eagly, que declara a razão disso no fato da psicanálise não ter desenvolvido um sistema de provas baseado em evidências científicas sobre seus métodos de tratamento. Em outras palavras, a psicanálise não é uma ciência...como as outras.

Também foi entrevistado o professor Scott Lilienfeld, professor do departamento de psicologia da Emory University, que declara o fim da psicanálise, a não ser que ela se “enquadre” como as outras no “rigor” dos testes e da validação empírica. Outro professor entrevistado foi além. Trata-se de Mark Edmundson, professor de inglês da University of Virginia que, no melhor estilo Harold Bloom (ver “O Cânone Ocidental”, o capítulo sobre Freud) professa: “Freud para mim é um escritor comparável a Montaigne, Samuel Johnson, Schopenhauer e Nietzsche, escritores que têm grandes questões sobre o amor, a justiça, o bom governo e a morte”.

Há um lixo acadêmico aqui da pior espécie. Em primeiro lugar, reduzir Freud, como faz Bloom e Edmundson, a “boa literatura” é de uma ignorância abissal. Quando eu falo aqui do pior da cultura norte-americana é para contrastar com gente como o professor Peter Gay, historiador, que, para fazer a biografia de Freud, decidiu fazer análise, cinco vezes por semana, durante oito anos. Leia “Freud, Uma Vida para Nosso Tempo” (ed. Cia. das Letras) e depois compare com esse capítulo sobre Freud de Harold Bloom. São acadêmicos muito diferentes, que pensam a universidade de uma forma muito diferente. Que Bloom seja justo quando fala de Dante, de Cervantes, de Milton, não discuto isso. Mas quando ele fala de Freud, é bobagem pura.

Em relação aos professores de psicologia aqui citados, eu não poderia esperar outra coisa. A psicanálise é o avesso da psicologia. Sempre foi. É uma tautologia falar em crise da psicanálise. Não. A psicanálise é a crise – desde Freud. Esperar que os cursos de psicologia acolham de braços aberto a psicanálise é um equívoco total.  Depois do que Lacan disse sobre a psicologia, é difícil pensar numa convivência entre as duas. Outra diferença importante: não confundir teoria psicanalítica com análise. Há professores doutores em teoria psicanalítica que nunca foram psicanalistas, ou seja, nunca fizeram análise nem tampouco trabalham em consultório. O discurso universitário promove o saber. Para ser mestre e doutor, há que saber, nada a ver com uma análise, que faz justamente a destituição desse saber consciente a partir de um outro saber, o do inconsciente. Logo, tampouco o fato da psicanálise se desenvolver numa universidade quer dizer que ela está tendo “sucesso”.

 Em relação ao fato da psicanálise não ser uma ciência, eu creio que desde Popper isso é um fato. Ela nunca será universalizável nem tampouco medível. Como enquadrá-la em testes gerais e universais? Agora, me parece que escutar isso das outras terapias é um pouco como o roto falando do esfarrapado. Desde quando a cognitivo-comportamental é uma ciência? Desde quando a psiquiatria é uma ciência?

Por outro lado, que bom que a teoria psicanalítica esteja circulando pelas artes, pela literatura, pela história, pela sociologia, pelas comunicações. É uma prova de que a psicanálise ainda tem lugar na universidade. É claro que numa universidade que ainda contenha as humanidades, ou seja, aonde se possa respirar questões fundamentais sobre a vida humana.

Última observação: a ilustração que Paul Hoppe fez para a reportagem é muito interessante. Esse divã atirado para fora da janela do departamento de psicologia simboliza muito bem a proposta de “integração” da psicanálise nos cursos de psicologia: fica a teoria, mas sem a clínica. É uma proposta que deve ser recusada pela psicanálise. Não existe teoria psicanalítica sem a clínica.

Desenho de Paul Hoppe in The New York Times, 25/11/2007.



Escrito por Leonardo Ferrari às 09h09
[   ] [ envie esta mensagem ]




LIQUIDAÇÕES

Fonte: Pat Bagley in Salt Lake Tribune, Utah, 21/11/2007.

 

            É tempo de liquidações nos Estados Unidos. Como todo significante, há uma polissemia em jogo. Em português, por um lado, “liquidação” tem o sentido de redução de preço de mercadorias. Na última quinta-feira foi o feriado mais importante dos Estados Unidos, o dia de Ação de Graças (“Thanksgiving day”). Na véspera do Natal, o feriado foi inundado de promoções de produtos a preços reduzidos. Ora, por outro lado, “liquidação” também tem o significado de “morte”: ato ou efeito de se desembaraçar de alguém, causando-lhe a morte. É curioso como dois grandes artistas, o norte-americano Pat Bagley e o cubano Angel Boligan representaram isso (mesmo levando em conta que “sale” em inglês não está ligado diretamente à morte como “liquidação” em português). Pat Bagley colocou uma faixa de advertência ao consumidor bastante inusitada: “Compre ou os terroristas vencerão”. A enorme expectativa dos vendedores diante da pequena carteira do consumidor (com um enigmático símbolo de infinito nela) é chocante. A morte em jogo aqui é a do sistema inteiro. Se alguém parar de comprar, parar de se endividar, parar de pagar juros, parar para pensar, o sistema desmonta, o sistema desaba, o sistema entra em colapso. Vitória do terrorismo? Por outro lado, Angel Boligan demonstra que custa caro, para o consumidor, pagar pela vitória do sistema. Custa um pedaço da própria carne – no melhor estilo de Shakespeare em O Mercador de Veneza. A libra de carne que é arrancada do consumidor, sangra, faz falta, pode matar. Quem liquida quem?

 

 

Fonte: Angel Boligan in El Universal, Cidade do México, 21/11/2007.



Escrito por Leonardo Ferrari às 08h22
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
  22/11/2009 a 28/11/2009
  15/11/2009 a 21/11/2009
  08/11/2009 a 14/11/2009
  01/11/2009 a 07/11/2009
  25/10/2009 a 31/10/2009
  18/10/2009 a 24/10/2009
  11/10/2009 a 17/10/2009
  04/10/2009 a 10/10/2009
  27/09/2009 a 03/10/2009
  20/09/2009 a 26/09/2009
  13/09/2009 a 19/09/2009
  06/09/2009 a 12/09/2009
  30/08/2009 a 05/09/2009
  23/08/2009 a 29/08/2009
  16/08/2009 a 22/08/2009
  09/08/2009 a 15/08/2009
  02/08/2009 a 08/08/2009
  26/07/2009 a 01/08/2009
  19/07/2009 a 25/07/2009
  12/07/2009 a 18/07/2009
  05/07/2009 a 11/07/2009
  28/06/2009 a 04/07/2009
  21/06/2009 a 27/06/2009
  14/06/2009 a 20/06/2009
  07/06/2009 a 13/06/2009
  31/05/2009 a 06/06/2009
  24/05/2009 a 30/05/2009
  17/05/2009 a 23/05/2009
  10/05/2009 a 16/05/2009
  03/05/2009 a 09/05/2009
  26/04/2009 a 02/05/2009
  19/04/2009 a 25/04/2009
  12/04/2009 a 18/04/2009
  05/04/2009 a 11/04/2009
  29/03/2009 a 04/04/2009
  22/03/2009 a 28/03/2009
  15/03/2009 a 21/03/2009
  08/03/2009 a 14/03/2009
  01/03/2009 a 07/03/2009
  22/02/2009 a 28/02/2009
  15/02/2009 a 21/02/2009
  08/02/2009 a 14/02/2009
  01/02/2009 a 07/02/2009
  25/01/2009 a 31/01/2009
  18/01/2009 a 24/01/2009
  11/01/2009 a 17/01/2009
  04/01/2009 a 10/01/2009
  28/12/2008 a 03/01/2009
  21/12/2008 a 27/12/2008
  14/12/2008 a 20/12/2008
  07/12/2008 a 13/12/2008
  30/11/2008 a 06/12/2008
  23/11/2008 a 29/11/2008
  16/11/2008 a 22/11/2008
  09/11/2008 a 15/11/2008
  02/11/2008 a 08/11/2008
  26/10/2008 a 01/11/2008
  19/10/2008 a 25/10/2008
  12/10/2008 a 18/10/2008
  05/10/2008 a 11/10/2008
  28/09/2008 a 04/10/2008
  21/09/2008 a 27/09/2008
  14/09/2008 a 20/09/2008
  07/09/2008 a 13/09/2008
  31/08/2008 a 06/09/2008
  24/08/2008 a 30/08/2008
  17/08/2008 a 23/08/2008
  10/08/2008 a 16/08/2008
  03/08/2008 a 09/08/2008
  27/07/2008 a 02/08/2008
  20/07/2008 a 26/07/2008
  13/07/2008 a 19/07/2008
  06/07/2008 a 12/07/2008
  29/06/2008 a 05/07/2008
  22/06/2008 a 28/06/2008
  15/06/2008 a 21/06/2008
  08/06/2008 a 14/06/2008
  01/06/2008 a 07/06/2008
  25/05/2008 a 31/05/2008
  18/05/2008 a 24/05/2008
  11/05/2008 a 17/05/2008
  04/05/2008 a 10/05/2008
  27/04/2008 a 03/05/2008
  20/04/2008 a 26/04/2008
  13/04/2008 a 19/04/2008
  06/04/2008 a 12/04/2008
  30/03/2008 a 05/04/2008
  23/03/2008 a 29/03/2008
  16/03/2008 a 22/03/2008
  09/03/2008 a 15/03/2008
  02/03/2008 a 08/03/2008
  24/02/2008 a 01/03/2008
  17/02/2008 a 23/02/2008
  10/02/2008 a 16/02/2008
  03/02/2008 a 09/02/2008
  27/01/2008 a 02/02/2008
  20/01/2008 a 26/01/2008
  13/01/2008 a 19/01/2008
  06/01/2008 a 12/01/2008
  30/12/2007 a 05/01/2008
  23/12/2007 a 29/12/2007
  16/12/2007 a 22/12/2007
  09/12/2007 a 15/12/2007
  02/12/2007 a 08/12/2007
  25/11/2007 a 01/12/2007
  18/11/2007 a 24/11/2007
  11/11/2007 a 17/11/2007
  04/11/2007 a 10/11/2007
  28/10/2007 a 03/11/2007
  21/10/2007 a 27/10/2007
  14/10/2007 a 20/10/2007
  07/10/2007 a 13/10/2007
  30/09/2007 a 06/10/2007
  23/09/2007 a 29/09/2007
  16/09/2007 a 22/09/2007
  09/09/2007 a 15/09/2007
  02/09/2007 a 08/09/2007
  26/08/2007 a 01/09/2007
  19/08/2007 a 25/08/2007
  12/08/2007 a 18/08/2007
  05/08/2007 a 11/08/2007
  29/07/2007 a 04/08/2007
  22/07/2007 a 28/07/2007
  15/07/2007 a 21/07/2007
  08/07/2007 a 14/07/2007
  01/07/2007 a 07/07/2007
  24/06/2007 a 30/06/2007
  17/06/2007 a 23/06/2007
  10/06/2007 a 16/06/2007
  03/06/2007 a 09/06/2007
  27/05/2007 a 02/06/2007
  20/05/2007 a 26/05/2007
  13/05/2007 a 19/05/2007
  06/05/2007 a 12/05/2007
  29/04/2007 a 05/05/2007
  22/04/2007 a 28/04/2007
  15/04/2007 a 21/04/2007
  08/04/2007 a 14/04/2007
  01/04/2007 a 07/04/2007
  25/03/2007 a 31/03/2007
  18/03/2007 a 24/03/2007
  11/03/2007 a 17/03/2007
  04/03/2007 a 10/03/2007
  25/02/2007 a 03/03/2007
  18/02/2007 a 24/02/2007
  11/02/2007 a 17/02/2007
  04/02/2007 a 10/02/2007
  28/01/2007 a 03/02/2007
  21/01/2007 a 27/01/2007
  14/01/2007 a 20/01/2007
  07/01/2007 a 13/01/2007
  31/12/2006 a 06/01/2007
  24/12/2006 a 30/12/2006
  17/12/2006 a 23/12/2006
  10/12/2006 a 16/12/2006
  03/12/2006 a 09/12/2006
  26/11/2006 a 02/12/2006
  19/11/2006 a 25/11/2006
  12/11/2006 a 18/11/2006
  05/11/2006 a 11/11/2006