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TUDO?

Quem será esta brasileira que “faz tudo” – a única a dizer isso nos classificados de sábado deste jornal? Fonte: El País, 6/10/2007.
Gabriela Esquivada escreve no La Nacion sobre o livro “They Call Me Naughty Lola” [“Eles me chamam de Lola, a travessa”] do editor inglês David Rose, do The London Review of Books. Rose decidiu compilar os melhores avisos pessoais que já apareceram nesta excelente publicação inglesa, desde 1998, quando a seção começou a sair. Alguns exemplos desses “classificados” que ali saíram:
“Eu já me divorciei de homens muito melhores que você. Já pus sapatos bem mais caros que estes. Assim, não acredite que colocar esse aviso seja o ponto mais baixo de minha história. Mulher, sensível, 34.”
“Narcisista, homem, 32. Quem for mais atraente que eu (coisa que eu duvido), que me escreva.”
“O romance morreu. E também a minha mãe. Homem, 42, rico herdeiro.”
“O amor é estranho? Espere para ver meus pés. Mulher, 34, sapatos Dr. Scholl, grandes.”
“Mulher desejosa de agradar, 36, procura homem dominante para que se aproveite de sua debilidade e de sua confiança. Se me disser que sou bonita, fico com ele.”
“Uma amadora na cozinha, uma chef na cama. Mulher com as prioridades confusas (37) procura homem que saiba preparar uma boa salada.”
“Mulheres: solicitem já a oportunidade de fazer amor com um gladiador romano (editor quebrado, mas igualmente homem).”
“A minha última chance de conseguir um homem se perdeu no outono de 1992. Esta janela se fechará quatro semanas e dois dias depois da data da publicação deste número. Apressem-se e escrevam.”
“Os avisos pessoais de LRB são a minha única amante. A noite, minha única amiga. Aprendi isso do modo mais difícil. Mas não antes de ter pago 80 pennies por palavra para esta preciosidade. Homem, 34. Bate com força a porta do fracasso, nem pela primeira, nem pela última vez.”
Fonte: Gabriela Esquivada in “?El amor es extraño? Espere a ver mis pies”, La Nacion, 6/10/2007.
Escrito por Leonardo Ferrari às 08h19
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RETORNO

Nobuyoshi Araki, From Erotos, 1993. Cortesia do artista in Barbican Art Gallery, Londres, 5/10/2007.
No coração de Londres, Eros retorna. Eros sempre retorna, por mais que seja banido, por mais que seja contido, por mais que seja reprimido. Eros retorna. É próprio de Eros retornar. Desta vez, na galeria de arte Barbican. Nas paredes, nos tetos, nos chãos, nas janelas, pelas portas, nos artistas, nos espectadores, Eros retorna. O que fazer com Eros? O que fazer com o retorno desse insistente, desse subversivo, desse exilado, desse estranho, desse bizarro, desse estrangeiro, desse violento, desse despudorado, desse sem lenço nem documento chamado Eros?

Artista desconhecido. Pintura mural de um Sátiro abraçando uma Ninfa em Pompéia, Itália – c. 45-79 d.C., Museu Nacional de Arqueologia de Nápoles in Barbican Art Gallery, Londres, 5/10/2007.

Kitagawa Utamaro, Utamakura (Poema sobre o travesseiro), Novo Ano 1788. British Museum, Londres, Ala Japonesa in Barbican Art Gallery, Londres, 5/10/2007.

Tracey Emin, Is Legal Sex Anal?, 1998. Fotografia de Stephen White. Tate, Londres, 2007 – cortesia do artista e de Jay Jopling/White Cube (Londres) in Barbican Art Gallery, Londres, 5/10/2007.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h57
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AQUILO QUE NÃO TEM, NEM NUNCA TERÁ

Fotografia de Emiliano Corrieri in La Repubblica.it
A lógica dos borracheiros e dos mecânicos recomenda colocar, ao lado de uma mulher bonita, um conjunto de ferramentas. Não será por isso que saiu aquele ditado de que o homem é um botãozinho, enquanto que a mulher é um painel de controle? Agora, cá entre nós, tanta ferramenta não é um sinal de que há algo aqui que desafia o conserto e que está mais para concerto? Não foi isso que o Pascoal aprendeu com a inesquecível Dona Safira?
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h53
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ATÉ O FIM DO MUNDO

Fotografia de Julia Borodina.
“Tem coisas que os homens não entendem. Qualquer mulher prefere um perdedor a um bem-sucedido porque se sente atraída por um amor ativo...entende? Ativo. Os homens estão sempre ocupados, para eles o amor é secundário. Conversar com a mulher, passear com ela no jardim, se divertir um pouco e chorar no seu túmulo é tudo. Para nós o amor é toda nossa existência. Eu te amo, quer dizer que eu sonho em curar a sua tristeza, em andar cem verstas ao seu lado, em acompanhar você até o fim do mundo. Se você está no alto, eu vou junto, você cai no abismo, eu caio também. Como eu seria feliz em passar a noite copiando seus papéis ou vigiando o seu sono para que ninguém o acordasse. Eu me lembro que há três anos atrás, mais ou menos, você chegou lá em casa na época da colheita, coberto de poeira, queimado de sol, morto de cansaço, pedindo água. Quando eu voltei você já estava caído no sofá. Você dormiu doze horas seguidas e eu tomei conta o tempo todo para que ninguém entrasse. E como fiquei feliz! Quanto mais difícil é o amor, melhor ele é, quer dizer, mais forte, entende?”
Sacha a Ivánov em “Ivánov” de Anton Pavlovich Tchekhov. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998, p. 79.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h13
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FALTOU COMBINAR

Fonte: Chico Caruso in O Globo, 2/10/2007.
Só esse genial do Chico Caruso para interpretar o que se passa com essa incrível Sealopra (Secretaria de Ações Especiais de Longo Prazo) desse ministro que não foi, Mangabeira Unger. Chico Caruso, psicanalista do Brasil. Pilastra!!!!
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h23
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PARENTE É SERPENTE

“Il Manifesto lança o ‘Álbum de Família’. Nas bancas, cada envelopinho com cinco figurinhas ao preço de 0,90 euros – De Marx a Gobetti [político e filósofo anti-fascista italiano], de Stalin a Pol Pot. Em 220 figurinhas, o panteão anti-PD [Partido Democrático, na Itália, que está tentando somar o “centro” com a “esquerda”].
Fonte: Paolo Griseri in La Repubblica, 2/10/2007.
O senso de humor italiano é algo absolutamente indispensável. Paolo Griseri traz a notícia da mais nova iniciativa editorial do ótimo jornal comunista italiano “Il Manifesto”. Trata-se de um álbum de figurinhas chamado “álbum de família”, sobre as pessoas que fizeram a história da esquerda, das lutas anti-fascistas, dos socialismos e dos comunismos – para o bem e para o mal. O álbum foi feito pela editora Panini (aquela que produz álbuns sobre campeonatos de futebol, jogadores, times, fórmula um, e assim por diante). Serão 220 figurinhas colecionáveis. Lá estarão Marx (é claro) ao lado de Primo Levi (autor do relato mais atordoante do século XX sobre o que foi Auschwitz, “É Isso Um Homem?” – publicado no Brasil pela ed. Rocco). Mas também farão parte da “família” (que na Itália também se usa para falar da “máfia”), o “capo” Stalin ao lado do ditador romeno Ceausescu e do assassino cruel Pol Pot. Entre os políticos italianos, há uma figurinha para Walter Weltroni (oxalá o próximo primeiro ministro da Itália), aonde ironicamente colocaram a seguinte legenda: “Segundo suas próprias palavras, nunca foi comunista”. Mas, o Il Manifesto não perdoa. Na seqüência, aparece um pequeno curriculum das atividades do atual prefeito de Roma no Partido Comunista Italiano. Paolo Griseri termina a notícia como uma questão fundamental para os leitores-colecionadores: “Você trocará a figurinha da cadelinha Laica, heroína da epopéia soviética, com a do companheiro Enrico Berlinguer [secretário geral do Partido Comunista Italiano de 1972 até 1984]?”. Eu não troco. O que a Laica fez, ninguém mais.
Escrito por Leonardo Ferrari às 05h18
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ARRIVEDERCI LOS ANGELES

“Mas como é que eu vou fazer cinema em Los Angeles se, para contar histórias, eu tenho que saber como é que falam as putas e os taxistas?”
Federico Fellini citado por Elvira Lindo in Carabanchel Alto y Carabanchel Bajo, El País, 30/9/2007.
Escrito por Leonardo Ferrari às 06h02
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O CHINELINHO DE MAQUIAVEL

Romano Prodi, considerado como um “Valium” pela oposição, avaliado como “devagar quase parando” pelos eleitores, não é um político de espetáculo como Berlusconi (esse sim, amado pela massa italiana). Mas, esse homem-sonolento, esse homem-não popular diz o seguinte a todos os italianos: “Os italianos não são melhores que a classe política que os representa”.
Fonte: Concita de Gregorio in La Repubblica, 18/9/2007.
O senador Wellington Salgado do PMDB de Minas Gerais rasgou o véu do pudor, o véu da mentira, o véu do terno e gravata que muitas vezes impede de se perceber o que é a política e como ela funciona. Seu pedido ao governo de um “chinelinho novo” é luminoso. Assim como fez Maquiavel com a ciência política, ao decidir pensar sobre o que os políticos são, e não como deveriam ser (o que encantava Platão, por exemplo que, em sua República, fica imaginando o Estado ideal), Salgado trouxe ar fresco para a república brasileira. A política aqui, nos Estados Unidos, na França, na Espanha, na Itália, na Dinamarca, funciona desse jeito. A única diferença é o tipo de pedido. “Chinelinho” pode virar “guerrinha nova” nos Estados Unidos, pode se transformar em “ministeriozinho novo” na França, em “embaixadinha” na Itália, e assim por diante. Sobre isso, coube ao primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, o esclarecimento essencial. O fato de Prodi não ser popular na Itália se deve a essa absoluta genialidade do “professor”:
“Os italianos não são melhores que a classe política que os representa” (fonte: La Repubblica, 18/9/2007).
É preciso muita coragem para fazer uma afirmação dessas. Isso é puro Maquiavel. Os eleitores, vale dizer, são platônicos, ou seja, adoram os ideais. Prodi tem a coragem de, como disse o grande jornalista Eugenio Scalfari (La Repubblica, 22/7/2007), fazer negociações pelo país e não pelo poder em si. Se Prodi estivesse preocupado só pelo poder, ele faria shows na televisão italiana – como faz seu principal adversário, Silvio Berlusconi. Ora, o senador Wellington Salgado decidiu sair da metafísica. Cuidado senador. Ninguém perdoa isso. Aliás, uma observação. Se o senador Salgado pediu um “chinelinho novo” ao governo, não terá sido essa a razão pela qual o senador Renan Calheiros conseguiu permanecer como presidente do Senado? Só que ali, o “chinelinho novo” parece se relacionar com algo que só o senador Calheiros conseguiu. Quem sabe o senador possa atender em parte o pedido feito e distribuir aos colegas a nova edição da Playboy. “Chinelinho”?

Senador do PMDB pede um "chinelinho novo"
Wellington Salgado diz que seu grupo é formado por "franciscanos" que se sentem desprestigiados pelo governo Lula
Peemedebista diz que grupo não quer um sapato alemão, mas "um terço novo, um chinelinho, uma roupinha de franciscano nova"
ANDREZA MATAIS DA SUCURSAL DE BRASÍLIA, Folha de São Paulo, 29/9/2007.
O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) resumiu ontem o motivo da insatisfação dos senadores do PMDB com o governo. Segundo ele, o grupo é formado por "franciscanos" que estão descontentes com os "cardeais" do partido e querem do governo apenas "um chinelo novo" para se sentirem "prestigiados" em seus Estados. Para atender ao grupo, afirmou Salgado, não é preciso muito. "Não é um sapato de cromo alemão que os franciscanos querem, mas um chinelinho novo. Pode ser até usado, o que ninguém agüenta mais é machucar o pé", afirmou. "Chinelinho novo", segundo os próprios peemedebistas, significa cargos no segundo, terceiro e quarto escalões: "Tem senadores que estão sem prestígio no seu Estado e isso não pode acontecer. Se vai ter [do governo] um terço novo, um chinelinho, uma roupinha de franciscano nova não sei, mas o clima é de insatisfação". (...)
Escrito por Leonardo Ferrari às 07h25
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