Blog do Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba (PR) leobelferrari@uol.com.br


O ROMANCE DAS ILUSÕES

“ ’Entre todas as maravilhas, é o mar, acredito, o mar em si mesmo – ou é a juventude em si? Quem pode dizer? Mas vocês aí – vocês que conseguiram alguma coisa da vida, dinheiro, amor, tudo o que se consegue na terra –, vocês não acham que o melhor dos tempos foi aquele em que éramos jovens no mar, jovens que nada tinham, no mar que não nos dá coisa alguma a não ser pancadas e por vezes uma oportunidade de sentirmos nossa própria força? Não seria somente esse o tempo que todos nós recordamos com saudade?’.

 

E todos nós concordamos com ele: o homem de empresa, o guarda-livros, o advogado, todos nós concordamos com ele, mexendo a cabeça por sobre a mesa polida como um lençol tranqüilo de água escura que refletia nossos rostos vincados pelas rusgas; nossos rostos marcados pelo trabalho, pelas decepções, pelo sucesso, pelo amor; nossos olhos cansados, procurando fixamente, sempre, com ansiedade, alguma coisa fora da vida que, enquanto se espera, já se foi – passa sem ser vista, como um suspiro, como um relâmpago –, junto com a juventude, a força, o romance das ilusões.”

 

Joseph Conrad in “Juventude”. Porto Alegre: L&PM, 2006, pp. 73-74.



Escrito por Leonardo Ferrari às 07h18
[   ] [ envie esta mensagem ]




BEBEL

Fonte: O Globo, 21/9/2007.

 

“A namoradinha do Brasil de hoje é uma garota de programa”. Assim declara Jorge Bastos Moreno no Globo sobre a personagem de Camila Pitanga, Bebel, na novela das oito. Eu discordo. A namoradinha do Brasil de hoje é Bebel. Garota de programa? Isso é pouco para definir Bebel. Ninguém se aproxima dela pensando nisso. Bebel é uma fingidora. Ela finge tão completamente, mas tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente. Bebel é uma poeta! É uma poeta do corpo a corpo, é uma poeta ali aonde o côncavo se dobra ao convexo (essa é do Roberto Carlos!), é uma poeta daquelas palavras que se sussurram, não se dizem, que se falam apenas à meia-luz, num cantinho e violão, aquelas palavras que subvertem a ordem do mundo, que trazem desordem, caos aonde havia progresso, que trazem preguiça, que trazem lassidão, que são devassas por não serem as certinhas. Bebel é daquelas poetas que mexem para sempre com a vida do sujeito. Qual o melhor final para Bebel? Bebel e Olavo aparecem num avião rumo a Curitiba, aonde irão morar. Curitiba precisa de Bebel e de Olavo! Curitiba não precisa de metrô. Curitiba precisa da Bebel. Anotou aí, Gilberto?



Escrito por Leonardo Ferrari às 05h54
[   ] [ envie esta mensagem ]




AURORAS

“A aurora precursora”. Esta é a manchete da Zero Hora. É uma referência ao aniversário da Revolução Farroupilha, que se comemora hoje no Brasil. Não é isso o que se espera de uma boa revolução? Que seja aurora e que seja precursora? O problema é que, desde Mário Lago, há auroras que não são sinceras. O que fazer com uma aurora que não é sincera? Nem pensar em lindo apartamento, porteiro e elevador. As auroras insinceras não merecem isso. Porém, seria o caso de trocar uma aurora por uma Amélia? Mas, e as auroras precursoras? Haverá alguma que termine como começou? Talvez não, mas levantar com uma aurora precursora é daqueles raros prazeres que ainda se pode ter. O que significa uma aurora precursora? Qual o poder de uma aurora precursora? Não é exatamente isso o que o indispensável Dante Aliguieri colocou na boca de Ulisses em seu canto XXVI do Inferno, quando fala a seus marinheiros:

 

“considerate la vostra semenza: fatti no foste a viver come bruti, ma per seguir virtute e canoscenza”

[“considerai vossa semente: não fostes feito para viver como brutos, mas para perseguir virtude e conhecimento”].

 

Os brutos, ao contrário do tradutor de “Shane”, não têm auroras precursoras. O que importa que o barco não chegue lá, que o barco se parta em pedaços, que as ondas virem túmulo? O que são essas desventuras perto de uma aurora precursora? O que é qualquer coisa perto de uma aurora precursora?



Escrito por Leonardo Ferrari às 07h31
[   ] [ envie esta mensagem ]






	Carta a uma jovem analisante, pensando na música “Canto Alegretense” de Antonio Augusto Fagundes. 
         Não me perguntes onde fica o Alegrete. Fale, se perca nas palavras, segue o rumo daquilo que se diz mesmo quando tu não queres dizer. Fale das razões do coração, mesmo quando tu perceberes que falando disso, tu te transformas em outra. Cruzarás pela estrada com muita gente, gente que aqui ainda está, gente que já não está mais, e ouvirás toques de gaita, de violão, de guitarra, de tambor, de cuíca, de cavaquinho. Prá quem chega de Curitiba ao fim da tarde, ou quem vem de Carazinho de manhã, ou quem de Minas faz gerais, ou quem do Rio quer encontrar, ou quem de São Paulo quer se misturar, ouve o canto dessas palavras que se associam com outras e que te fazem mergulhar, te fazem odiar, te fazem amar. São terras que tu amaste desde guria, são flores, são pedras, são águas, são ares, são fogos. São terras que tu deixou, são terras que te deixaram. E na hora derradeira que vai chegar, há um caminho sob o sol, há um caminho encantado, há um caminho que é pago ao caminhar por ele, há uma dívida que se torna dádiva. Há uma perda que então se transforma em falta. É o final de um percurso, é o final de uma vereda. A partir daí, nos despedimos. Até lá, contigo estarei. Até lá, contigo aprenderei.

Escrito por Leonardo Ferrari às 08h21
[   ] [ envie esta mensagem ]




O AMOR QUANDO ACONTECE

Às vezes, o amor não é à primeira vista. Às vezes, ele chega depressa. Às vezes, nada óbvio. Às vezes, é ao amanhecer. Às vezes, sem vergonha. Às vezes, é assim.

 

“Na introdução à sua biografia de Callas, o jornalista e crítico John Ardoin conta um episódio com o qual me identifico, pois coisa muito parecida me aconteceu, no processo de descoberta da arte dessa cantora singular. Ao comprar a Norma de 1952, em que Callas canta ao lado de Ebbe Stignani, desagradou-lhe tanto a irregularidade da voz, que Ardoin devolveu os discos à loja. Nos dias que se seguiram, porém, ele foi assaltado pela incômoda necessidade de ouvir de novo aquele registro. Passou pelo constrangimento de voltar à loja e comprar o álbum de novo. E descobriu o óbvio: a interpretação daquela americana de origem grega tinha uma intensidade quase suicida, que lhe reservou um nicho todo especial na história do canto lírico no século 20. E que faz com que alguns de seus maiores papéis - Norma, Tosca, Medéia - tenham ficado de tal maneira impregnados pelo seu estilo de interpretação, que ela passa a ser o padrão de referência a partir do qual outras cantoras serão avaliadas.”

Fonte: Lauro Machado Coelho, O Estado de São Paulo, 15/9/2007.



Escrito por Leonardo Ferrari às 06h02
[   ] [ envie esta mensagem ]




GOSTAR DA EXISTÊNCIA

Jacques Lacan em seu seminário “De um Discurso que não seria do Semblante” (1971).

 

Quando Lacan inventou o conceito de Nome-do-Pai, ele pensou na homofonia da língua francesa entre “Nom” (nome) e “Non” (não). Em francês, a pronúncia é a mesma, o que produz um duplo sentido magnífico no conceito, que pode ser lido também como o Não-do-Pai. Esse “não” recebe o nome de “castração” na teoria psicanalítica. É um “não” que estabelece um limite e ao mesmo tempo abre um mundo de caminhos, abre horizontes na vida do sujeito. Como diz o querido amigo Alduisio Moreira de Souza em seu magnífico “Precisões Clínicas”:

 

“Quando falamos de sujeito humano, o chamado indivíduo, sua condição de existência – fazer parte da realidade não funda existência – se dá um movimento de perda e renúncia que será reversível, pois recursivo, sob formas complexas, para todo o seu tempo vital. Para todo exercício nominativo, expressivo, ou seja, ao que exige uma lida não mais com a coisa, mas, com as palavras. Os nomes. A perda primária da satisfação absoluta, do gozo do Outro indeterminado, senão Real, presentificado pelo corpo materno, que será imaginarizado, ao adquirir nome. Daí a possibilidade do equívoco, do simbólico.

         A perda, separação de fato, não implica haver renúncia com o devido trabalho de luto. Isto pode predispor o sujeito ao desejo e ao exercício de sua sexualidade. Essa renúncia transforma a perda numa falta a orientar a busca de satisfações possíveis. Tornadas possíveis pela renúncia do absoluto. Por isso o termo castração, muitas vezes tomado como se fosse o que limita o sujeito. Não! Ele estabelece limite. E assim possibilita a abertura para o possível, e daí ao praticável.”

Alduisio Moreira de Souza in “Precisões Clínicas”. Porto Alegre: edição do autor, 2005, p.16.

 

Sobre o Pai, Lacan ensina claramente:

 

“Que é o pai? Não digo na família, porque, na família, ele é tudo o que quiser, é uma sombra, é um banqueiro, é tudo o que tem de ser, ele o é ou não é, o que às vezes tem toda a sua importância, mas também pode não ter nenhuma. A questão toda é saber o que ele é no complexo de Édipo.        

         Pois bem, o pai, aí, não é um objeto real, mesmo que tenha de intervir como objeto real para dar corpo à castração. Mas, se ele não é um objeto real, é o quê?

         Ele tampouco é unicamente um objeto ideal, porque, por esse aspecto, só podem ocorrer acidentes. Ora, o complexo de Édipo, afinal, não é unicamente uma catástrofe, uma vez que é a base de nossa relação com a cultura, como se costuma dizer.

         Então, naturalmente, vocês dirão, O pai é o pai simbólico, você já disse. De fato, já lhes disse isso o bastante para não ter que repeti-lo hoje. O que lhes trago hoje, justamente, dá um pouco mais de exatidão à idéia de pai simbólico. É isto: o pai é uma metáfora.

         Uma metáfora, que vem a ser isso? Digamos desde logo, para colocá-lo nesse quadro, o que nos permitirá retificar as conseqüências escabrosas do quadro. Uma metáfora, como já lhes expliquei, é um significante que surge no lugar de outro significante. Digo que isso é o pai no complexo de Édipo, ainda que isso venha a aturdir os ouvidos de alguns.

         Digo exatamente: o pai é um significante que substituiu um outro significante. Nisso está o pilar, o pilar essencial, o pilar único da intervenção do pai no complexo de Édipo. E, não sendo nesse nível que vocês procuram as carências paternas, não irão encontrá-las em nenhum outro lugar.

         A função do pai no complexo de Édipo é ser um significante que substitui o primeiro significante introduzido na simbolização, o significante materno.”

 

Jacques Lacan in O Seminário – Livro 5, As Formações do Inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed., 1999, p. 180.

 

Então, se o pai é uma metáfora que abre caminhos a partir de um limite, temos agora esse belíssimo exemplo de metáfora paterna na declaração emocionada de Caetano Veloso:

 

“A maior lição que aprendi com minha mãe foi gostar da existência.”

 

Caetano Veloso, comemorando o aniversário de cem anos da mãe, Dona Canô in O Globo, 16/9/2007.



Escrito por Leonardo Ferrari às 07h27
[   ] [ envie esta mensagem ]




CANTAR O SILÊNCIO

Fonte: La Repubblica, 16/9/2007.

 

Eric-Emmanuel Schmitt reflete sobre o que significa escutar Maria Callas.

 

“A sua voz não vem da boca, vem das entranhas. (...) Até os seus silêncios têm um sentido: é assim, completamente calada naquilo que faz, que sempre me deu a impressão de ser a única cantora que canta inclusive os silêncios. (...) Eu não a escuto sempre. Não posso. Ela é fascinante demais, muito possessiva. Algumas vezes, diante dela, me sinto como Onassis: não arrisco estar com ela diariamente. Eu preciso deixá-la e depois reencontrá-la; sinto a necessidade desses encontros pausados, de uma certa intermitência...mas, eu sempre retorno a ela, sempre.”

 

Fonte: Eric-Emmanuel Schmitt in Nella sua voce cantavano anche i silenzi, La Repubblica, 16/9/2007.



Escrito por Leonardo Ferrari às 07h33
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
  22/11/2009 a 28/11/2009
  15/11/2009 a 21/11/2009
  08/11/2009 a 14/11/2009
  01/11/2009 a 07/11/2009
  25/10/2009 a 31/10/2009
  18/10/2009 a 24/10/2009
  11/10/2009 a 17/10/2009
  04/10/2009 a 10/10/2009
  27/09/2009 a 03/10/2009
  20/09/2009 a 26/09/2009
  13/09/2009 a 19/09/2009
  06/09/2009 a 12/09/2009
  30/08/2009 a 05/09/2009
  23/08/2009 a 29/08/2009
  16/08/2009 a 22/08/2009
  09/08/2009 a 15/08/2009
  02/08/2009 a 08/08/2009
  26/07/2009 a 01/08/2009
  19/07/2009 a 25/07/2009
  12/07/2009 a 18/07/2009
  05/07/2009 a 11/07/2009
  28/06/2009 a 04/07/2009
  21/06/2009 a 27/06/2009
  14/06/2009 a 20/06/2009
  07/06/2009 a 13/06/2009
  31/05/2009 a 06/06/2009
  24/05/2009 a 30/05/2009
  17/05/2009 a 23/05/2009
  10/05/2009 a 16/05/2009
  03/05/2009 a 09/05/2009
  26/04/2009 a 02/05/2009
  19/04/2009 a 25/04/2009
  12/04/2009 a 18/04/2009
  05/04/2009 a 11/04/2009
  29/03/2009 a 04/04/2009
  22/03/2009 a 28/03/2009
  15/03/2009 a 21/03/2009
  08/03/2009 a 14/03/2009
  01/03/2009 a 07/03/2009
  22/02/2009 a 28/02/2009
  15/02/2009 a 21/02/2009
  08/02/2009 a 14/02/2009
  01/02/2009 a 07/02/2009
  25/01/2009 a 31/01/2009
  18/01/2009 a 24/01/2009
  11/01/2009 a 17/01/2009
  04/01/2009 a 10/01/2009
  28/12/2008 a 03/01/2009
  21/12/2008 a 27/12/2008
  14/12/2008 a 20/12/2008
  07/12/2008 a 13/12/2008
  30/11/2008 a 06/12/2008
  23/11/2008 a 29/11/2008
  16/11/2008 a 22/11/2008
  09/11/2008 a 15/11/2008
  02/11/2008 a 08/11/2008
  26/10/2008 a 01/11/2008
  19/10/2008 a 25/10/2008
  12/10/2008 a 18/10/2008
  05/10/2008 a 11/10/2008
  28/09/2008 a 04/10/2008
  21/09/2008 a 27/09/2008
  14/09/2008 a 20/09/2008
  07/09/2008 a 13/09/2008
  31/08/2008 a 06/09/2008
  24/08/2008 a 30/08/2008
  17/08/2008 a 23/08/2008
  10/08/2008 a 16/08/2008
  03/08/2008 a 09/08/2008
  27/07/2008 a 02/08/2008
  20/07/2008 a 26/07/2008
  13/07/2008 a 19/07/2008
  06/07/2008 a 12/07/2008
  29/06/2008 a 05/07/2008
  22/06/2008 a 28/06/2008
  15/06/2008 a 21/06/2008
  08/06/2008 a 14/06/2008
  01/06/2008 a 07/06/2008
  25/05/2008 a 31/05/2008
  18/05/2008 a 24/05/2008
  11/05/2008 a 17/05/2008
  04/05/2008 a 10/05/2008
  27/04/2008 a 03/05/2008
  20/04/2008 a 26/04/2008
  13/04/2008 a 19/04/2008
  06/04/2008 a 12/04/2008
  30/03/2008 a 05/04/2008
  23/03/2008 a 29/03/2008
  16/03/2008 a 22/03/2008
  09/03/2008 a 15/03/2008
  02/03/2008 a 08/03/2008
  24/02/2008 a 01/03/2008
  17/02/2008 a 23/02/2008
  10/02/2008 a 16/02/2008
  03/02/2008 a 09/02/2008
  27/01/2008 a 02/02/2008
  20/01/2008 a 26/01/2008
  13/01/2008 a 19/01/2008
  06/01/2008 a 12/01/2008
  30/12/2007 a 05/01/2008
  23/12/2007 a 29/12/2007
  16/12/2007 a 22/12/2007
  09/12/2007 a 15/12/2007
  02/12/2007 a 08/12/2007
  25/11/2007 a 01/12/2007
  18/11/2007 a 24/11/2007
  11/11/2007 a 17/11/2007
  04/11/2007 a 10/11/2007
  28/10/2007 a 03/11/2007
  21/10/2007 a 27/10/2007
  14/10/2007 a 20/10/2007
  07/10/2007 a 13/10/2007
  30/09/2007 a 06/10/2007
  23/09/2007 a 29/09/2007
  16/09/2007 a 22/09/2007
  09/09/2007 a 15/09/2007
  02/09/2007 a 08/09/2007
  26/08/2007 a 01/09/2007
  19/08/2007 a 25/08/2007
  12/08/2007 a 18/08/2007
  05/08/2007 a 11/08/2007
  29/07/2007 a 04/08/2007
  22/07/2007 a 28/07/2007
  15/07/2007 a 21/07/2007
  08/07/2007 a 14/07/2007
  01/07/2007 a 07/07/2007
  24/06/2007 a 30/06/2007
  17/06/2007 a 23/06/2007
  10/06/2007 a 16/06/2007
  03/06/2007 a 09/06/2007
  27/05/2007 a 02/06/2007
  20/05/2007 a 26/05/2007
  13/05/2007 a 19/05/2007
  06/05/2007 a 12/05/2007
  29/04/2007 a 05/05/2007
  22/04/2007 a 28/04/2007
  15/04/2007 a 21/04/2007
  08/04/2007 a 14/04/2007
  01/04/2007 a 07/04/2007
  25/03/2007 a 31/03/2007
  18/03/2007 a 24/03/2007
  11/03/2007 a 17/03/2007
  04/03/2007 a 10/03/2007
  25/02/2007 a 03/03/2007
  18/02/2007 a 24/02/2007
  11/02/2007 a 17/02/2007
  04/02/2007 a 10/02/2007
  28/01/2007 a 03/02/2007
  21/01/2007 a 27/01/2007
  14/01/2007 a 20/01/2007
  07/01/2007 a 13/01/2007
  31/12/2006 a 06/01/2007
  24/12/2006 a 30/12/2006
  17/12/2006 a 23/12/2006
  10/12/2006 a 16/12/2006
  03/12/2006 a 09/12/2006
  26/11/2006 a 02/12/2006
  19/11/2006 a 25/11/2006
  12/11/2006 a 18/11/2006
  05/11/2006 a 11/11/2006